Emater-Rio levou artesão em intercâmbio para conhecer novos métodos e agregar valor ao seu trabalho
Mil e trezentos graus é mais do que suficiente para acabar com vidas, mas perfeito para dar o toque especial às obras de um artesão: a queima. Foi isso que descobrimos ao visitarmos a Casa do Artesão, em Itaguaí, na Região Metropolitana do estado, na última sexta-feira (19), onde há um trabalho de artesanato sendo feito no escritório local da Emater-Rio.
Ele acontece por intermédio de Seu Jerônimo, o homem por trás das peças que vão de açucareiro, filtro de barro, pires, xícaras, porta canetas, jarros e muito mais. Mas, de todos os trabalhos, Seu Jerônimo se orgulha mesmo é da peça batizada por “Elo’s”. Ele explica o porquê desta ser sua obra favorita:
“Morei sozinho durante muito tempo em um sítio e foi uma época de tristeza, pois a solidão é tão ruim que nem mesmo os animais parecem gostar. E certo dia, estava observando as formigas e então pude notar, que elas representam verdadeiramente o exemplo de união. Estavam carregando uma enorme folha e com muita dificuldade, por causa do vento, porém não desistiram e permaneciam unidas a carregar a folha apesar da dificuldade. Caso uma formiga tomasse o sentido oposto puxando uma para esquerda e outra para a direita jamais chegariam a lugar algum. Foi assim que percebi que, para vencermos os obstáculos da vida, devemos seguir o exemplo das formigas, que trabalham unidas pelo mesmo propósito, assim nasceu “Elo’s” uma escultura que representa a união”, explica.
Para ele, é ‘só dar asas à imaginação’ para que as peças ‘ganhem vida’. O artesão, aliás, já havia trabalhado no local em 2012 - quando o espaço foi fechado pela última vez. Contudo, mesmo lapidando obras que são motivos de elogios a todos que as veem, Jerônimo enfrenta a baixa procura e vive a 29 km de Itaguaí.
Supervisor local da Emater-Rio no município, o extensionista Magno Roza projeta um horizonte positivo para a Casa do Artesão, hoje revigorada.
“O Jerônimo é o único artesão que nós temos aqui, mas no curto prazo, é vital que a gente consiga realizar uma capacitação e recrutar pessoas que tenham interesse”, conta o supervisor.
Após o retorno, Magno e Jerônimo fizeram uma visita de fim de semana a Cunha, município de São Paulo, vizinho a Paraty, e referência em cerâmica, especialmente de alta temperatura. A ideia foi conhecer novos métodos e capacitar ambos agregando valor ao trabalho do artesão.
Mesmo com dificuldades, Magno esboça um horizonte positivo ao projeto:
“Até o momento ele tem feito peças de cerâmica, com argila aqui da região, temos todos os equipamentos necessários aqui. E com o projeto sendo rentável, conseguiríamos recrutar novos artesãos, assim como é importante também abrir canais de venda, porque nós já percebemos que a venda de artesanato não é a mesma dinâmica de venda de produtos agrícolas. Uma coisa é vender alimentos, outra coisa é vender peças utilitárias para ornamentação. A questão de prioridade, acaba que a cerâmica não fica elencada lá em cima. Isso aí tem sido uma vertente nossa. Um desses canais é a feira da agricultura familiar e a feira de artesanato da Rural (UFRRJ). Nós estamos visando uma vaga para 2024”, relata.