Projeto na Região dos Lagos transforma sobra de tratamento de esgoto em energia
Agenersa participou da inauguração de iniciativa pioneira no Estado para usar lodo resultante do processo na produção de biogás e carvão vegetal.
A Agenersa paticipou nesta segunda-feira (16/01) da inauguração do Projeto Retransformar, na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Arraial do Cabo, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. A iniciativa aproveita um rejeito com capacidade para gerar problemas ambientais em alternativa energética limpa. O projeto experimental usa o lodo resultante do tratamento do esgoto residencial para gerar biogás ou um tipo de carvão vegetal que pode ser utilizado na agricultura para a recuperação de solos degradados. Os testes de tratamento de lodo pelo processo de pirólise lenta a tambor rotativo são feitos na ETE de Arraial do Cabo, da concessionária Prolagos.
A agência reguladora acompanha de perto a pesquisa por meio do Hub Agenersa+Impacto, projeto de inovação do órgão. Como os contratos das novas concessões de saneamento no Rio de Janeiro preveem uma grande ampliação do tratamento de esgoto no Estado, a produção de lodo nas ETEs também aumentará. Esse tipo de iniciativa oferece uma alternativa mais sustentável para a destinação adequada do produto.
“Temos aqui um case muito claro de sinergia entre os setores público e privado. Entendemos que o papel da agência não é só regular e fiscalizar, mas principalmente contribuir para o desenvolvimento dos temas que regulamos. E neste projeto encontramos dois setores de competência da Agenersa: saneamento e energia”, disse Vladimir Paschoal, vice-presidente da agência reguladora, em seu discurso no evento. “É uma grande oportunidade para o Estado. Poderemos reaproveitar o lodo, que precisa de um acondicionamento especial em aterros sanitários para não causar danos ambientais, como matéria-prima para geração de energia limpa. É um custo que se transforma em fonte de receita”, acrescenta.
O estudo conduzido pela Universidade Federal Fluminense (UFF) conta com apoio da prefeitura de Arraial do Cabo. A iniciativa com previsão de duração de três anos tem financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), da Secretária Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação e da concessionária Águas do Rio.
A Agenersa vai monitorar a evolução dos testes, que vão aferir a qualidade do biogás produzido. A ETE de Arraial do Cabo também poderá receber o lodo de outras estações e concessionárias. Assim, os especialistas terão a oportunidade de comparar o produto final feito a partir de matérias-primas diferentes. Com os resultados das pesquisas em mãos, as concessionárias, outras empresas ou órgãos do poder público poderão projetar unidades de grande capacidade para processar os rejeitos do tratamento de esgoto de diferentes locais.
A unidade terá capacidade para tratar duas toneladas de lodo por dia, o equivalente a produção completa da ETE. O equipamento utiliza a decomposição termoquímica da matéria orgânica. O gás produzido é filtrado e enviado para queimadores e para geração de energia. Uma parcela do gás retorna para alimentar o sistema, evitando a liberação de gases poluentes ou tóxicos. “Os testes produzirão resultados inovadores no país. Iremos analisar quais são as melhores formas de reaproveitamento do lodo e quais terão melhor custo x benefício, impactando não só empresas voltadas para o saneamento, como também outras indústrias. Também iremos estudar formas de aumentar a capacidade da planta para atendermos estações de tratamento ainda maiores. Por meio de softwares, criaremos gêmeos digitais da unidade e faremos testes simulando a expansão da produtividade”, explica Rodolfo Cardoso, doutor em Engenharia de Produção da UFF e responsável pelo projeto.
No Brasil, existem muitas formas de tratamento e reaproveitamento do lodo, mas dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que, em 2017, menos de 5% do rejeito era reaproveitado. “Nossa intenção é construir modelos de aplicação para as diferentes condições das estações de tratamento de esgoto no estado do Rio de Janeiro. Esse investimento vai permitir transformar o lodo em benefícios para a natureza e sociedade, promovendo uma operação mais sustentável”, afirma Pedro Freitas, diretor-presidente da Prolagos.