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Dia do Médico: Profissionais que se dedicam a vida a cuidar das pessoas
Dia do Médico: Profissionais que se dedicam a vida a cuidar das pessoas

Em celebração à data especial, a SES conta a história de três profissionais que amam a medicina

No dia 18 de outubro é comemorado o Dia do Médico. Mais do que em qualquer outra profissão, eles compartilham, parafraseando o poeta, as dores e as alegrias de serem o que são. Angústias, medos, surpresas, inseguranças, satisfação fazem parte da rotina de quem escolheu fazer da Medicina seu meio de vida. Escolhemos três deles para contar suas histórias pessoais e profissionais e, com isso, representar aqueles que nos ajudam diariamente a viver melhor.

Há 21 anos, a hematologista e atual diretora técnica da Fundação Saúde, Carla Boquimpani, formou-se pela UFRJ. Três anos depois, ela ingressou na equipe do Hemorio, onde atua no ambulatório semanalmente até hoje. Desde 2004 ocupando cargos de gestão, Carla fez questão de manter a assistência ao paciente no seu dia a dia com um objetivo: não se distanciar do cuidado a quem precisa.

- Continuar atendendo os pacientes foi uma prerrogativa para vir para a Fundação Saúde. Não queria me afastar da ponta, ver o que as pessoas sofrem. Sinto muito prazer em cuidar deles, conversar, ouvir, saber sobre suas dificuldades, trabalhar o diagnóstico, colocar em prática o que aprendi na sala de aula. E isso me ajuda muito como gestora, pois, dessa maneira, sei do que eles precisam. Não acredito em um bom gestor que fica encastelado em um escritório – opina.

A rotina atribulada, que inclui, ainda, consultas particulares, é conciliada com a dedicação a uma grande família: três filhos, frutos de seu casamento que completa 17 anos em dezembro, e mais três enteados, que também moram com ela.

- Somos nove pessoas vivendo na mesma casa: eu, meu marido, nossos seis filhos e minha mãe. É uma delícia, temos uma relação excelente, de muito respeito, amor e carinho. Quando estou em casa, minha prioridade total são eles. Sempre jantamos juntos, conversamos muito, vamos ao culto semanalmente, saímos aos finais de semana. Acho que eles têm orgulho da mãe. Temos uma relação de muita qualidade, muita conversa e pouca TV - brinca.

Em 1968, poucos meses após o Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione (IEDE) ser criado, o estudante do 3º ano de Medicina Ricardo Meirelles começou a frequentar a unidade. Hoje, 48 anos depois, o atual diretor, desde 1990 no cargo, recorda com orgulho sua trajetória no instituto, que se confunde com a história da sua vida.

- Lembro que quando entrei eu estava animadíssimo, os melhores profissionais da área estavam lá. O IEDE foi criado com uma proposta inovadora no país: oferecer atendimento exclusivo neste campo da Medicina. E até hoje é assim, somos a única unidade do Brasil voltada especialmente para a Endocrinologia – ressalta ele.

O médico esteve à frente da criação de serviços pioneiros no hospital como o ambulatório de disforia de gênero, que atende pacientes que procuram pelo processo de transexualização; o implante de prótese peniana para diabéticos que sofrem de disfunção erétil; triagem neonatal, implementada anos antes da criação do programa pelo Ministério da Saúde; unidade do pé diabético, que abriu uma nova frente de trabalho para fisioterapeutas; ambulatório de endocrinologia feminina, numa época em que as questões hormonais em mulheres eram delegadas aos consultórios de ginecologia; entre muitos outros.

- Minha vida toda foi feita dentro do IEDE, já faço parte dos móveis e utensílios. Estou há tanto tempo no instituto que um dia desses uma senhora de uns 80 anos me abordou na escada e falou que fui eu quem a levou pra lá, quando eu ainda trabalhava no PAM São Francisco Xavier, há mais de 20 anos. Fico muito feliz em ver o caminho que trilhamos e o trabalho que conseguimos realizar – conta o diretor da unidade, que possui mais de 80 mil pacientes matriculados e faz mais de 7.800 atendimentos por mês.

Médico integrante da equipe do Programa Estadual de Transplantes (PET) desde 2012, o cirurgião urologista Ricardo Ribas, 32 anos, especialista em transplante renal, atua na captação de órgãos. Aos 18 anos entrou para a faculdade de Medicina da UFRJ e aos 27 já fazia seu primeiro transplante renal. A paixão pela profissão, segundo ele, supera o sacrifício de trabalhar de sobreaviso, muitas vezes viajando pelo estado e de madrugada, para captar um órgão; a abdicação da vida familiar e social e o esforço físico e psicológico de passar muitas horas em pé durante as cirurgias.

- Desde adolescente queria fazer Medicina, mas ainda não sabia que área seguir. É uma especialização difícil porque você lida com a perda, com o sofrimento da família, mas, em contrapartida, vê que os órgãos de cada doador que conseguimos captar e o trabalho sério que fazemos devolve a esperança de vida a, pelo menos, quatro pacientes. O doente renal crônico, por exemplo, sofre muito, necessita de hemodiálise cinco vezes por semana, durante várias horas. E o transplante traz uma nova expectativa a essas pessoas – explica.

Para ele, conseguir visualizar o grande benefício que o procedimento leva ao paciente que vai receber o órgão é uma das recompensas de sua dedicação.

- É uma felicidade quando vejo que deu tudo certo, que aquele paciente vai ter uma qualidade de vida bem melhor após a cirurgia. O transplante pediátrico, por exemplo, é sempre mais complexo, mas também mais gratificante. Lembro de uma situação há dois anos, um transplante em uma criança de um ano e meio. A avó estava chorando e rezando. Ao final, foi um sucesso e são essas experiências que nos estimulam a seguir em frente e nos dedicar ainda mais – comemora.