Baseado em casos de pacientes operados na unidade, trabalho dos médicos apresentou a utilização de uma nova técnica para correções de encurtamento e deformidades de membros inferiores
O sucesso da utilização de uma nova técnica desenvolvida a partir de uma cirurgia geralmente usada para corrigir deformidades ósseas sem discrepância rendeu a três médicos do Hospital Estadual da Criança, em Vila Valqueire, um prêmio no Congresso Brasileiro de Reconstrução e Alongamento Ósseo, realizado em Belém (PA). Com o trabalho “Osteotomia Clamshell associada a alongamento sobre haste”, os especialistas mostraram como desenvolveram a técnica que permite correções graves de deformidades ósseas associadas à discrepâncias dos membros inferiores, além de possibilitar a redução do tempo de uso do fixador externo pelos pacientes.
- O reconhecimento nacional de um trabalho desenvolvido em uma unidade pública da rede estadual é importante porque nos mostra que estamos no caminho certo para oferecer à população o atendimento que todos merecem. Inovação e criatividade devem fazer parte da rotina de qualquer hospital. O HEC é a única unidade do RJ entre as dez melhores unidades públicas do país. Este é um exemplo do que queremos para a saúde pública – destacou o secretário de Estado de Saúde, Luiz Antônio Teixeira Jr.
Um dos mais importantes encontros da comunidade médica no Brasil, o congresso reuniu especialistas em ortopedia de todo o país. O trabalho desenvolvido pelos cirurgiões ortopedistas Maurílio Mendes, Rodrigo Mota e André Perin Shecaira foi baseado em quatro casos de pacientes do HEC que apresentavam diferenças de comprimento entre os membros inferiores, associadas a alguma deformidade óssea da tíbia ou fêmur, ocasionadas por algum tipo de trauma. Com a nova técnica, o tempo de uso do fixador externo pode ser reduzido em até 60%.
- Tratava-se de uma técnica geralmente usada para correções de deformidades ósseas sem discrepância, mas com a nova técnica que conseguimos desenvolver no HEC, ela pode ser aplicada em pacientes que sofreram traumas e tiveram deformidades associadas a encurtamento do membro – explica o médico André Perin Schecaira.
A osteotomia só pode ser utilizada em pacientes com maturidade esquelética, ou seja, a partir dos 16 anos.
- Com a colocação de uma haste de titânico para a correção da angulação, é possível que esta seja normalizada. Ela funciona como um tutor interno para sustentar o corpo durante a formação do novo osso, após a retirada do fixador externo. – complementa Rodrigo Mota.
A primeira cirurgia analisada para o trabalho ocorreu em 2014, com um paciente de 16 anos, vítima de um acidente de moto e que teve consolidação viciosa do fêmur, ocasionando a redução do comprimento do membro. Atualmente, o paciente tem os membros alinhados e todos os movimentos restaurados para uma vida normal.
- Sabíamos que a qualidade dos resultados pela nova técnica seria bem recebida no congresso, mas não imaginávamos que nos geraria um prêmio – finaliza Maurílio Mendes, ortopedista do HEC.