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Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro completa 18 anos com programação especial
Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro completa 18 anos com programação especial

Unidade coordena assistência ao processo de ressocialização de pacientes com transtornos mensais e realiza mais de 5,5 mil atendimentos mensais

Por Patricia Pimentel

 


Em homenagem aos 18 anos de atenção ao tratamento de pessoas com transtornos mentais, o Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro (CPRJ) ofereceu nesta quarta-feira (14) uma programação especial para marcar a data. Além de mesas de debate, apresentações de música, teatro, coral e uma mostra com os trabalhos das diversas oficinas da unidade foram as atrações nas quais os protagonistas foram os próprios pacientes.

- A redução dos números de reinternação dos pacientes que participam das atividades é nítida. Oferecer um ambiente de convivência onde eles possam se apresentar como são, sem serem retraídos, é importante para a construção de um espaço de acolhimento natural. Fico muito contente em ver o resultado do nosso trabalho – explica o médico psiquiatra e diretor do CPRJ, Francisco de Paula N. Sayão Lobato Filho.

Ao longo do dia, foram realizados debates sobre os programas oferecidos pelo Centro e sobre a forma como cada profissional que compõe as equipes atua. A animação tomou conta nas apresentações artísticas, com a interpretação teatral dos usuários do Hospital Dia e a apresentação do coral Pra Lá de 1.000 - um simbolismo em referência à faixa etária de seus componentes – que levou muita música e alegria a quem prestigiava o evento. Antes de partir o bolo, o grupo musical Harmonia Enlouquece e percursionistas da própria instituição garantiram o encerramento com chave de ouro.

- Meu desejo maior é que as pessoas se sintam iguais e que exista uma horizontalidade nisso. Ali estavam todos na festa: pacientes, técnicos, familiares, visitantes e todos eram iguais para comemorar o trabalho que é feito no CPRJ. É prazeroso assistir essa união. Esse projeto vale toda a dedicação que é aplicada. Eu iria me aposentar no ano que vem, mas já decidi que vou continuar trabalhando aqui - conta o diretor.

 

Reintegração social – Entre os principais temas discutidos nas mesas de debate, foram apresentados os resultados do Programa de Atendimento e Acolhimento a pessoas em situação de rua e abrigos da prefeitura, que é realizado há mais de uma década pelo CPRJ, em parceria com consultórios de rua, oferecendo apoio aos usuários. Eles participam de um dia de atividades, com participação nas oficinas de pintura, artesanato, costura, mosaico, culinária, lazer e cultura. Também são passadas orientações e cuidados com a saúde, com assistência de uma equipe multidisciplinar.

Outro importante projeto desenvolvido na unidade é voltado para a reinserção no mercado de trabalho. Com o Programa Geração de Trabalho e Renda, os pacientes participam de grupos de serviço, com acompanhamento de psicólogos, que incentivam a interação em ambientes de trabalho e têm seus perfis profissionais analisados para melhor encaminhamento ao mercado. O paciente Sérgio Paulo da Silva Barros, atendido no CPRJ, é um dos responsáveis pela cantina do centro e conta estar realizado com a oportunidade.

- Já trabalhava com vendas e hoje presto um serviço do qual tenho muito orgulho aqui. Trabalho com prazer, é uma grande responsabilidade e eu me sinto muito bem com isso. As pessoas reconhecem meu trabalho aqui e isso é muito bom – conta ele.

Com foco no atendimento de pessoas da terceira idade que possuam transtornos mentais, a unidade também conta com um programa de atendimento ambulatorial. Uma das atividades oferecidas especialmente aos mais idosos é o coral. Cerca de 20 pessoas fazem parte do grupo Pra lá de 1.000: o nome do grupo surgiu de uma brincadeira com a soma das idades de seus participantes – o integrante mais novo tem 60 anos. Além da musicoterapia, há atividades fisioterapêuticas, de reeducação corporal e terapia ocupacional.

 

CPRJ e a luta antimanicomial – Ao longo de sua existência, o CPRJ vem atuando em apoio à luta antimanicominal, em busca dos direitos das pessoas com transtornos mentais, reforçando a necessidade de oferecer tratamento humanizado e formas de atenção dignas a estes pacientes.

- O cuidado especializado contribui para a reinserção destes pacientes na sociedade. Não se pode abrir mão do direito que eles têm como qualquer cidadão. É preciso buscar alternativas para oferecer um tratamento adequado e digno, para que estes pacientes tenham seus direitos respeitados, como qualquer cidadão – afirma o secretário de Estado de Saúde, Luiz Antônio Teixeira Jr.

Para coordenar a assistência necessária ao processo de ressocialização de pacientes com transtornos mentais, o CPRJ conta com emergência 24h para atendimentos urgentes, onde são realizados cerca de 1,5 mil atendimentos mensais, além de enfermaria e ambulatório. A unidade dispõe do Hospital-Dia, onde são feitos mais de 1,5 mil atendimentos, durante a semana, para  pacientes que não ficam internados na unidade. Somados, atendimentos ambulatoriais, médicos, psicológicos e de serviço social somam mais 2,5 mil mensais.