Comprometimento e amor ao próximo são os pontos em comum nas histórias de quem dedica tempo livre para cuidar das pessoas
Eles têm diferentes idades, profissões e histórias de vida que se reconhecem por uma característica em comum: a vontade de ajudar o próximo sem esperar nada em troca. Neste domingo, 28 de agosto, Dia Nacional do Voluntário, a data reconhece a importância da atuação de pessoas que dedicam suas horas livres a fazer o bem em diversas unidades de saúde. Na rede estadual, a participação deles é reconhecida pelo comprometimento e dedicação aos pacientes.
- A ação voluntária numa unidade hospitalar é muito mais do que a simples presença. A dedicação que observamos nos voluntários que atuam na nossa rede é um exemplo a ser seguido por todos. A integração do poder público com a comunidade é parte do processo de busca pela melhoria da qualidade no serviço que oferecemos à população e o trabalho voluntário nos ajuda muito nesse sentido, por isso, sempre contará com nosso apoio e incentivo – afirma o secretário de Estado de Saúde, Luiz Antônio Teixeira Jr.
RECONHECIMENTO – No Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, a dedicação dos voluntários já rende reconhecimento que vai além das divisas do estado. Pela primeira vez desde que foi criado, há 14 anos, o projeto “Voluntários Parceiros do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar”, será apresentado no XV Congresso Brasileiro de Controle de Infecções, que acontece em novembro, em Belo Horizonte (MG).
- É um grande reconhecimento ao esforço de todos aqueles que tanto nos ajudam aqui. Aprendemos muito com a história e com as experiências de cada voluntário. É uma troca que faz bem para todos, tanto para quem se disponibiliza a dedicar seu tempo para ajudar quanto para os pacientes, que sentem o carinho destas pessoas – conta Georgina Saldanha, coordenadora dos voluntários do HEAPN. Na unidade, os voluntários atuam em escala e são identificados pelo uniforme, além do crachá. A atuação deles, além da companhia, também compreende o auxílio na hora do banho, ajudam na assistência aos pacientes idosos e nas brincadeiras com as crianças.
- O mais gratificante é acompanhar o dia a dia de um paciente e vê-lo saindo do hospital curado. Saber que nosso trabalho ajuda tanta gente é o melhor retorno que podemos ter. Sou voluntária porque gosto de ajudar as pessoas. Isso marca nossa vida para sempre – explica Valéria Castilho, de 47 anos.
TALENTO PARA FAZER O BEM – Usar a música para melhorar a rotina hospitalar foi o caminho encontrado pelo saxofonista Maurício Sellos de oferecer algumas de suas horas livres para ajudar. Com repertório repleto de sucessos nacionais e internacionais, desde 2014 ele visita as enfermarias do Hospital Estadual Anchieta a cada quinze dias para levar conforto e distrair pacientes e seus familiares.
- Passar dias e até meses em um leito hospitalar é uma experiência muito estressante. Daí veio a ideia de ajudar desta forma. Atendo pedidos, ouço as histórias e acabo me emocionando com os pacientes. Este trabalho voluntário é mais uma terapia. Saio daqui com a alma renovada – explica o músico.
DOAR AMOR - Há quase três décadas, o voluntariado faz parte da rotina semanal de Luiza Haouila: às quartas-feiras, a aposentada, de 84 anos, pode ser encontrada no Hemorio – principal hemocentro do RJ e unidade de referência para tratamento de doenças do sangue –, onde atua no setor de pediatria. Enquanto brincava com a paciente Julia Almeida da Silva, 5 anos, ela se emocionou ao contar como tudo começou.
- Uma amiga que é médica e trabalha no Hemorio me levou para conhecer a unidade. Isso aconteceu há 28 anos e desde então, nunca mais deixei de estar aqui. Conto histórias, brinco com os pacientes, estou presente nas datas comemorativas. Eu gosto de brincar dizendo que tenho “açúcar” porque as crianças sempre se aproximam de mim e eu adoro interagir com ela – conta ela.
Prestes a completar 72 anos, o Hemorio reúne 120 voluntários, que atuam em todos os setores da unidade. O amor pelas crianças também pautou a escolha do trabalho voluntário de Marianne Souza, de 21 anos. Aos 21 anos, a estudante de Pedagogia participa do voluntariado no hemocentro há três.
- Eu ainda não tinha começado a faculdade, mas já sabia que gostaria de atuar na área pedagógica. Sabemos que, estando aqui, são crianças que precisam de cuidados, que não estão bem. Então, tentamos fazer o melhor para alegrá-las e isso se reflete na recuperação delas. Aqui, damos e recebemos amor. Comecei a ver a vida de outra forma, conhecendo pessoas que têm problemas muito maiores do que os meus e passei a dar mais valor para o que realmente importa – contou a “Tia” Mari, como é conhecida na unidade.
Portadora de anemia falciforme, a paciente Hanna Yasmin de Souza de Assis, de três anos, é moradora de Tanguá e faz tratamento no Hemorio desde os oitos meses de vida. A cada quinze dias, ela vai ao instituto levada pela mãe, Hadassa Patrícia de Souza.
- É uma grande satisfação ver minha filha se distraindo com as voluntárias, recebendo tanto carinho – conta a dona de casa.
COMO PARTICIPAR – No Hospital Estadual Anchieta e no Hemorio, o setor de Humanização é responsável por receber e orientar os interessados em desenvolver trabalhos voluntários nas unidades. Já no Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, basta procurar a coordenação de voluntariado.