Encontro reuniu representantes dos municípios e serviu também para tirar dúvidas sobre notificação e padronização de processos.
Em tempos de zika, chikungunya e dengue, quando ainda há tantas dúvidas sobre como tratar essas doenças, uma lição básica do curso de Medicina e que deve ser adotada por todos os profissionais de saúde se torna o grande diferencial para um bom atendimento ao paciente: cuidado na escolha do medicamento e com a dosagem a ser aplicada. A dica foi lembrada durante o seminário promovido na última semana pela Secretaria de Estado de Saúde, que abordou orientações sobre o manejo clínico da chikungunya para representantes das Vigilâncias Epidemiológicas e Assistência em Saúde dos municípios fluminenses.
Além do cuidado com a escolha do medicamento, outra dica abordada foi a necessidade de ver essas três doenças como uma coisa só. "Não dá para separar os três. Zika, Chikungunya e Dengue se sobrepõem muito, o médico pode até achar que é uma das três, mas não tem como separar. Então, na prática, têm que tratar as três juntas, já pensando nas complicações possíveis de cada uma delas, e abordando cada uma delas da melhor forma possível, e ao mesmo tempo sem conflito. Isso é possível sim, sabendo que o grande drama da fase aguda é o choque da dengue, as manifestações da dengue grave, então tem que lembrar disso e tratar isso, mesmo que pareça ser zika ou chikungunya. E no caso dessas duas doenças, pensar no que pode vir depois da fase aguda, que é a dor crônica no caso da chikungunya, e as complicações neurológicas, no caso da zika", explicou o professor universitário e médico da gerência de Saúde do Trabalhador da Secretaria de Estado de Saúde, Pedro Coscarelli. Ele lembrou que muitos dos sinais e sintomas apresentados pelos pacientes - febre, dor no corpo e manchas vermelhas na pele, por exemplo - são comuns as três arboviroses.
capacitacao Dengue Chikungunya bombeiros de guadalupe 068 mario sergioAlém das dicas sobre como tratar as doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, o seminário também teve espaço para tirar dúvidas dos representantes dos municípios sobre o processo de notificação de zika e chikungunya e sobre a coleta de amostras dos pacientes, que são encaminhadas ao Lacen, para exames laboratoriais, uma oportunidade de padronização dos processos que foi aprovada pelo Rodolpho Paraguai, coordenador do programa de combate ao Aedes aegypti em Araruama.
- Esse seminários são enriquecedores para os profissionais que estão nos municípios, principalmente aqueles que estão longe dos grandes centros, porque nós queremos informações. É importante para facilitar e modernizar todo o trabalho à frente. Foi um seminário objetivo, específico, que abordou dúvidas que podem ser simples, mas que às vezes o profissional não tem consciência disso.
capacitacao Dengue Chikungunya bombeiros de guadalupe 119 luciana peixotoMicrocefalia - Os representantes dos municípios foram informados também sobre como será feito o processo de encaminhamento de recém-nascidos com suspeita de microcefalia para a avaliação no Instituto Estadual do Cérebro, que passa para a Central Estadual de Regulação: - A regulação será online, no próprio sistema da central, e os municípios poderão acompanhar esse processo, explicou Luciana Peixoto, da SES.
O conhecimento adquirido pelos 117 participantes do encontro será multiplicado entre os colegas de trabalho, e quem ganha com isso é a população, como explica Erinéia Santanna Rosa, representante do município de Seropédica: - Nós levamos esse conhecimento para o município, fazemos treinamentos dentro da atenção básica, na estratégia de saúde da família, e vamos reproduzir esse treinamento também na emergência, para os médicos. É na emergência que o paciente chega. Se eu preciso de uma notificação de qualidade, eu tenho que levar essas informações aos médicos, aos enfermeiros para que eles possam mandar para mim essas informações e isso se reflete na qualidade do atendimento à população. E essa qualidade evita óbitos - complementa.
Ao final do seminário, o superintendente de Vigilância Epidemiológica e Ambiental da Secretaria de Estado de Saúde, Mário Sérgio Ribeiro, reforçou o alerta para a importância do combate aos focos do mosquito, para impedir a proliferação das doenças: - Nós temos que saber como tratar essas doenças, como notificá-las, mas o mais importante é combater o mosquito, para que as doenças não surjam - concluiu.
Fotos: Mauricio Bazilio/SES