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Hospital Estadual da Criança recebe visita da tocha olímpica
Hospital Estadual da Criança recebe visita da tocha olímpica

Réplica do símbolo dos Jogos Rio 2016 foi levada à unidade por uma voluntária para proporcionar um dia especial aos pacientes e funcionários

Em comum com os atletas que estão na disputa por medalhas nos Jogos Olímpicos Rio 2016, eles têm as histórias de superação e a vontade de vencer desafios. Assim como para qualquer esportista, acreditar na própria força é fundamental para os pacientes do Hospital Estadual da Criança, unidade de referência para o atendimento de alta e média complexidade para jovens e crianças no RJ.

Nesta segunda-feira (15/8), elas realizaram o sonho de ver de perto a tocha olímpica: a réplica do símbolo dos Jogos foi levada à unidade pela pedagoga e atleta amadora, Eloísa Moreira, uma das condutoras durante o revezamento para a Olimpíada. Sem esconder a emoção, ela conta que a intenção foi levar um pouquinho do espírito olímpico para quem não pode estar nas ruas acompanhando o maior evento esportivo do mundo.

 - O esporte deu um novo sentido à minha vida. Por anos após a morte da minha mãe, sofri em depressão profunda. O luto foi ficando para trás quando comecei a praticar corrida, há 10 anos, e nunca mais parei. A corrida me ensinou a acreditar em mim mesma, a superar meus próprios limites. Comecei correndo distâncias curtas e hoje, corro maratonas. A fé e a confiança em si mesmo precisam fazer parte da vida de qualquer atleta, profissional ou amador. Disso, estas crianças entendem muito bem. Elas é que nos ensinam muito – conta ela.

 Acostumada a acordar diariamente às 4h15 para praticar exercícios – a rotina, além da corrida, ainda inclui musculação e trilhas ao ar livre – antes de estar no trabalho às 8h, Eloísa, que tem 56 anos, viveu no HEC a emoção de uma verdadeira “maratona”: foram horas percorrendo o hospital para visitar os pacientes, que fizeram questão de registrar o momento único posando para fotos. No quarto onde está internada há uma semana por conta do diagnóstico de leucemia, Ester Lima trocou o olhar tímido pelo sorriso no momento em que a porta se abriu e a menina de 12 anos viu a tocha olímpica.

 - Gosto muito de esportes, principalmente de ginástica artística. Estou acompanhando pela televisão, vi as pessoas correndo com a tocha no revezamento e agora nem acredito que ela está aqui – contou ela, sem tirar os olhos do símbolo olímpico, ao lado da mãe.

Para pacientes com o quadro clínico tão delicado, momentos de descontração, como a visita da tocha, são importantes porque trazem leveza à rotina do hospital e, sob o aspecto psicológico, ajudam a atenuar dificuldades enfrentadas por quem buscando a recuperação da saúde.

- Este tipo de ação mostra que o cuidado com a saúde dos pacientes vai além do que a medicina é capaz de oferecer. A humanização do atendimento é uma das prioridades da nossa gestão e iniciativas como esta sempre contarão com nosso apoio – destacou o secretário de Estado de Saúde, Luiz Antônio Teixeira Jr.

Diretor médico da unidade, o médico Jason Guida acredita que o esporte, assim como a medicina, tem em comum a importância do incentivo às conquistas pessoais. A superação, sob o mesmo ponto de vista, faz parte das vidas de atletas e pacientes.

 - Assim como esportistas, os pacientes precisam de apoio às suas conquistas. O esporte envolve superação, sacrifício pessoal. A tocha simboliza o maior evento que a humanidade é capaz de realizar e nos remete justamente à capacidade de superação das pessoas – afirma ele.

Fã da atacante brasileira Marta, da seleção feminina de futebol, Carlos Eduardo, em tratamento contra leucemia, planeja sua volta aos campos de futebol o mais rápido possível, e já escolheu as competições favoritas para acompanhar na televisão.

- Estou torcendo muito para a seleção feminina de futebol e também gosto de assistir natação, pena que o Brasil não está ganhando muito. Mesmo assim, estou adorando acompanhar tudo pela televisão. Gosto de jogar futebol e de corrida - conta ele, com a tocha nas mãos.

 O médico Lucio Abreu, diretor de qualidade do hospital, resume o dia especial no HEC, que, graças a um gesto tão simples, se tornou inesquecível para os pequenos.

 - Quando se fala em legado, logo se pensa em infraestrutura, pouco se fala no legado que não podemos medir. O impacto da mensagem que os Jogos passam para as crianças, principalmente aquelas em tratamento médico, como as nossas, é incalculável. Elas veem os atletas fazendo o que amam e buscando a superação a cada competição. Isso é inspirador. É maravilho ver as crianças desejando praticar esportes e acreditando que podem fazer isso. Esta é a mensagem, este é um grande legado – finaliza ele.