×
Secretaria de Saúde do RJ lança pacto pela vacinação e redução de casos de tuberculose no estado do Rio
Secretaria de Saúde do RJ lança pacto pela vacinação e redução de casos de tuberculose no estado do Rio

Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) é parceira da SES-RJ nas estratégias de ação contra os agravos

 

Um grande pacto em torno do aumento da cobertura vacinal no estado do Rio de Janeiro e da redução do número de casos de tuberculose foi lançado nesta sexta-feira (17/07) pelo secretário de Estado de Saúde, Dr. Luizinho, no auditório da Secretaria de Saúde. O encontro, que aconteceu após a inauguração Centro de Inteligência em Saúde (CIS), tem parceria da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e busca apoiar os municípios no enfrentamento aos agravos, além de mobilizar o setor público, político e a sociedade para que os objetivos sejam alcançados. Entre as propostas estão abertura dos postos de saúde sete dias por semana, com horário ampliado, informatização das salas de vacina e estímulo a campanhas de mobilização para o cumprimento integral do calendário de vacinação de rotina e da tuberculose.

“Os nossos índices de vacinação são muito duros, por isso precisamos fazer um esforço muito grande para superar essa dificuldade. Hoje, o estado do Rio de Janeiro é o segundo pior da federação em cobertura vacinal. Eu vou me envolver pessoalmente nessa questão. Vamos colocar recursos do estado para que os municípios tenham um centro de vacinação de segunda a domingo, das 8h às 20h, além de qualificar novas equipes. Vou levar à Comissão Intergestores Bipartite do Estado do Rio de Janeiro (CIB) uma proposta que, a partir de 2024, os municípios que não atingirem os índices de vacinação não terão repasse de recursos do estado. Com relação à tuberculose, fizemos aquisição de testes rápidos, que são úteis nos casos negativos, e vamos montar uma rede para ajudar os municípios a trazer os exames colhidos para detecção da doença. Com a contratação de um tomógrafo móvel, vamos entrar nos presídios e ficar lá por 30 dias para diagnosticar e tratar a tuberculose”, destacou o secretário de Estado de Saúde, Dr. Luizinho.

Para o representante da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS)/OMS, Jarbas Barbosa da Silva, é importante incluir novas experiências no processo de vacinação, fazer um pacto pela vacina, aprimorar a qualificação do profissional de saúde que aplica o imunizante, além de investir em estratégias de comunicação para superar as baixas coberturas.

“Desde 2015, o Brasil apresenta queda na cobertura por diversos motivos. A percepção das pessoas em campanhas exitosas é um dos fatores. Temos que ter informação de qualidade, visitar as salas de vacinação e trabalhar com estratégia. A descentralização da imunização é importante porque ninguém tem mais conhecimento que os municípios. A estratégia de comunicação também é fundamental para evitar rumores de dados incorretos e contra-atacar de forma imediata. A OPAS está mobilizada junto ao Ministério da Saúde para desenvolver novas estratégias de comunicação com lideranças políticas, religiosas, comunitárias, ou seja, fazer um pacto social em defesa do direito das crianças de terem acesso à vacinação. Tenho certeza de que quando voltar ao Rio de Janeiro, daqui a um ano, vou ver o resultado desse esforço. A OPAS está trabalhando com a secretaria de Estado no que for necessário para ajudar a proteger a população do Rio de Janeiro”, frisou Jarbas Barbosa da Silva.

Cláudia Mello, subsecretária de Vigilância e Atenção Primária à Saúde, disse que a secretaria tem profissionais da ponta na área de vigilância sanitária, epidemiológica e ambiental. E que a pasta tem feito uma força-tarefa para melhorar os índices vacinas e atuar contra a tuberculose.

“A gente coloca nossas equipes à disposição, a qualquer momento, dos municípios para colaborar com qualquer ação de enfrentamento à tuberculose e de ampliação da cobertura vacinal. Aqui, somos todos uma só equipe no estado inteiro “, declarou a subsecretária de Vigilância e Atenção Primária à Saúde.

De acordo com o presidente do Instituto Vital Brazil (IVB), Alexandre Chieppe, o estado do Rio de Janeiro tem dois grandes desafios: o enfrentamento à tuberculose, principalmente entre a população carcerária, e a elevação da taxa de vacinação da população do Estado.

“Para enfrentar esses dois determinantes sociais, é preciso implantar estratégias inovadoras, porque nossos indicadores não melhoraram nos últimos anos. Apoio uma frente estadual de aumento à cobertura vacinal, como mobilização do parlamento, poder público e sociedade organizada. Não dá para a gente esperar que o paciente com tuberculose procure uma unidade de saúde, que nossas emergências tenham pacientes com suspeita da doença sem que haja um grande movimento de retirá-los de lá. Temos também que ter um olhar especial para a população carcerária se quisermos reduzir os casos da doença”, falou Alexandre Chieppe.

Reforçar o apoio às prefeituras para acelerar a informatização das salas de vacinas e estimular a população com campanhas de mobilização para o cumprimento integral do calendário de vacinação de rotina e da tuberculose. Essas foram as principais ações da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) apresentadas aos representantes de 92 municípios fluminenses em reunião nesta sexta-feira (14/07), no Auditório da SES-RJ.

Fazem parte do Calendário Nacional de Vacinação do Ministério da Saúde (MS) os imunizantes BCG, Hepatite A e B, Poliomielite (VOP), Tetraviral, Tríplice Viral, HPV, Influenza, Febre Amarela, Covid-19, Meningocócica ACWY, Pneumocócica, dentre outras. O período para aplicação de cada vacina varia de acordo com a idade: a criança deve tomar 18 vacinas; o adolescente, sete; na fase adulta e idosa são seis; e, para as gestantes, cinco imunizantes estão disponíveis. Todas as vacinas estão disponíveis na rede pública de saúde brasileira.



Cenário e desafios da cobertura vacinal

Segundo dados do Ministério da Saúde, o estado do Rio apresenta um dos piores índices no ranking nacional da cobertura vacinal do País. Para modificar este quadro, a SES-RJ, através da Subsecretaria de Vigilância e Atenção Primária à Saúde (SUBVAPS), realizou um estudo que mostra o panorama atual das vacinas de rotina no estado do Rio e os desafios identificados para superar a sua baixa cobertura.

O estudo apresentado pela SUBVAPS foi realizado pela Gerência de Imunização junto aos coordenadores municipais das 92 prefeituras fluminenses. Entre os principais problemas identificados que interferem no registro das vacinas estão as constantes atualizações do sistema de informatização do governo federal, a lentidão da internet das prefeituras, a ausência ou alta rotatividade de funcionários, a inexistência ou defasagem de softwares, o desconhecimento do sistema de informação e a centralização dos registros.

O relatório também identifica o que pode estar interferindo nas baixas coberturas vacinais, sendo o descaso dos responsáveis pelas crianças com relação à importância das vacinas o problema mais citado pelas prefeituras.

Estão ainda na lista dos problemas o desconhecimento do sistema de informação, a centralização dos registros, a falta de investimentos pela gestão municipal e os lotes de vacinas não cadastrados.



Soluções para melhorar a cobertura vacinal

  • Além do apoio às prefeituras para acelerar a informatização das salas de vacinas e campanhas de mobilização para a população a cumprir integralmente o calendário de vacinação de rotina e da tuberculose, as ações desenvolvidas pela SES-RJ para superar o panorama atual da baixa cobertura vacinal envolvem ainda:
  • Discussão junto ao MS para promover melhorias nos sistemas de informações oficiais e terceirizados;
  • Avaliação de estratégias para contratação de funcionários para a Atenção Primária em Saúde; Promoção de articulação com as escolas;
  • Realizar ações de vacinação extramuros;
  • Realizar busca ativa de faltosos e de não vacinados com os ACS (agentes comunitários de saúde);
  • Promover oficinas para esclarecimento de dúvidas da população sobre a importância da vacinação;
  • Estimular os municípios a ampliar o horário de funcionamento nas unidades de Atenção Primária à Saúde (APS);
  • Promover ampla divulgação das ações de vacinação na mídia;
  • Realizar capacitação contínua das equipes de vacinação;
  • Realizar aquisição de equipamentos de informática;
  • Realizar qualificação do registro de vacinados;
  • Realizar parceria com os demais dispositivos públicos (intersetorialidade) – Universidades, Sociedade, Conselhos, Fiocruz;
  • Realizar Campanhas de vacinação conforme cenário epidemiológico vigente.

 

 

Fotos: Mauricio Bazilio

https://drive.google.com/drive/u/1/folders/1W25YumtTNefh6mWnPvCzbbbzow43iYKC