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Ambulatório Médico Especializado chega ao Pavão-Pavãozinho e Cantagalo
Ambulatório Médico Especializado chega ao Pavão-Pavãozinho e Cantagalo

AME: especialidades médicas, base do SAMU, saúde da mulher e prevenção à gravidez não planejada num só lugar; atendimentos começam na segunda (7)

 

O Governo do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ), inaugura nesta quinta-feira (03/08), às 10h, o Ambulatório Médico Especializado Jornalista Susana Naspolini (AME). Instalado em um dos acessos ao Pavão-Pavãozinho e Cantagalo pela Rua Barão da Torre, em Ipanema, o AME vai reunir consultórios de especialidades médicas, salas de exames, e o Acolhe, programa de prevenção à gravidez não planejada na adolescência, além de uma base do Serviço Móvel de Urgência (SAMU). Os atendimentos começam na próxima segunda (07/08).

A unidade de saúde é destinada a tratamentos ambulatoriais de média complexidade, e complementa o atendimento oferecido pelas clínicas da família. O AME contará com 37 médicos, quatro enfermeiros, oito técnicos de enfermagem, três dentistas, dois fisioterapeutas e dois farmacêuticos. E vai oferecer ainda, exames laboratoriais, de mapeamento cerebral com eletrocardiograma (ECG), ultrassonografia, entre outros.

A previsão é de que, somente na especialidade ginecológica, mais de 300 atendimentos sejam realizados por mês, além dos atendimentos em pediatria, cardiologia, neurologia pediátrica, odontologia, nutrição e fisioterapia, que totalizarão mais de 1.000 consultas mensais.

“O AME é uma iniciativa para levar atendimentos médicos e saúde especializada mais perto das pessoas. É um projeto piloto, que vai começar pelo Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, e que pretendemos lançar em outras áreas, sempre com especialidades não contempladas pelas clínicas da família”, destacou o secretário de Estado de Saúde, Dr. Luizinho, explicando que o AME faz parte do Programa Cidade Integrada, do Governo do Estado.

A gestão, operacionalização e execução dos serviços de saúde do AME serão realizadas pela Fundação Saúde. Além de consultas médicas e exames, o espaço também contará com uma base descentralizada do SAMU, composta por uma ambulância UTI Móvel e duas motolâncias, com médicos, enfermeiros e condutores socorristas. A base atenderá chamados de toda a região pela Central 192. Vai atender, especialmente, os bairros Ipanema, Leblon e Gávea.

 

Acolhe irá oferecer palestras e contraceptivos

Iniciativa inédita em saúde pública para prevenir a gravidez não planejada em adolescentes, o Acolhe é um projeto do Governo do Estado do Rio de Janeiro, por meio da SES-RJ e Fundação Saúde. Vai ocupar um andar inteiro dentro do Ambulatório Médico de Especialidades (AME) Jornalista Susana Naspolini, atendendo, prioritariamente, jovens de até 19 anos.

Coordenado pela ginecologista Ana Teresa Derraik, o Acolhe fará o atendimento em duas etapas. Primeiramente, contará com palestras de médicos e especialistas sobre gestação, prevenção às doenças sexualmente transmissíveis, exposição a situações violentas e conscientização sobre métodos contraceptivos para evitar a gravidez não planejada. Depois, a paciente será encaminhada à consulta com um ginecologista.

Dentre os métodos a serem ofertados pelo programa, está a aplicação de contraceptivo subdérmico. O método consiste em colocar, sob a pele do braço, uma pequena cápsula de etonogestrel, técnica feita a partir de uma simples intervenção com anestesia no local da implantação no corpo. O contraceptivo tem duração de 3 anos. O SUS oferece o implante desde 2021, mas apenas para mulheres em situação de vulnerabilidade, com idade entre 18 a 49 anos.

“O programa é focado na saúde das mulheres jovens. Uma gravidez não planejada afasta as meninas da escola, da futura carreira e, até mesmo, em muitos casos, do convívio social. Estamos dando a elas o direito de decidir quando querem engravidar e oferecendo todas as orientações sobre doenças sexualmente transmissíveis e riscos de uma gravidez não programada”, disse Dr. Luizinho.

A coordenadora do Acolhe explica como o programa irá funcionar e quais os métodos contraceptivos serão oferecidos:

“Nesse novo projeto da Secretaria de Estado de Saúde não existe idade mínima, mas será acolhida a jovem que percebe a iminência da vida sexual. O Acolhe funciona com muita informação e aconselhamento contraceptivo, para que a jovem escolha de uma forma legítima e esclarecida qual é a melhor forma que se adequa a ela. Vai ter o implante, que é a grande novidade, mas também vai oferecer o DIU de Cobre como uma contracepção de longo prazo de duração de até 12 anos. São contraceptivos que independem de disciplina da mulher”, afirma Ana Teresa Derraik.

Como o foco do público do Acolhe é o jovem, caso as pacientes optem por contraceptivos implantados, será necessário apresentar autorização dos responsáveis.

O Acolhe terá o apoio de 27 médicos, sendo três por dia para aplicação do implante, um na ultrassonografia e outro na ação educativa, além de 2 enfermeiros e 4 técnicos de enfermagem. Como parte do acolhimento integrado, psicólogos e assistentes sociais também estão no projeto.

 

Evasão escolar é uma das consequências da gravidez não planejada

A gravidez não planejada na adolescência está entre as principais causas da evasão escolar em todo o Brasil, principalmente no Ensino Médio e afeta principalmente alunas em condições mais vulneráveis. Pesquisa encomendada pela Unicef, mostrou que 2 milhões de adolescentes deixaram a escola no País em 2022. Desse total, 14% apontaram a gravidez como motivo para o abandono dos estudos.

No Rio, considerando apenas a rede pública, a taxa de evasão no Ensino Médio em 2022 foi de 8,4%, bem acima das médias do Estado (6,3%) e da Região Sudeste (5%). Chamam a atenção as taxas dos anos finais da etapa, que concentram as alunas entre 14 e 19 anos. No 2º Ano, a taxa de 2022 ficou em 8,6%, enquanto que a do 3º ficou acima, com 8,9%. No caso de 2022, as taxas de evasão também refletem os efeitos da pandemia.