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No Dia do Profissional do SAMU, a homenagem àqueles que têm como missão salvar vidas
No Dia do Profissional do SAMU, a homenagem àqueles que têm como missão salvar vidas

Especialistas em cuidados imediatos e tomadas de decisões rápidas em situações de urgência e emergência trabalham por meio do acionamento da Central 192 para prestar socorro à população

 

Quando o rádio emite o alerta, é hora de se deslocar pelas ruas da cidade. As primeiras batalhas da ambulância são contra o tempo e, às vezes, também contra o trânsito. Em seguida, prestar socorro imediato de urgência e emergência, transportando o paciente a unidades de saúde caso seja necessário. Assim é o dia a dia dos profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), operado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ), que têm o dia 12 de agosto para receber todas as homenagens. 

Tiago Ferreira, Charles Bernardo e Thiago Rocha são enfermeiro, técnico de enfermagem e condutor socorristas. Os três, com base no Rio Comprido, Zona Norte do Rio de Janeiro, têm pouco tempo na função - cerca de quatro meses cada um -, e estão juntos, com orgulho, nos plantões do SAMU. 

“A gente se sente privilegiado. Todo dia é uma novidade que encontramos nas ocorrências”, diz Ferreira. “Nós ficamos felizes quando conseguimos alcançar nosso objetivo, que é atender à população que solicita o socorro, sendo o mais rápido e eficaz possível”, destaca Rocha. “Às vezes é uma medicação, outras vezes, remoção. É uma satisfação muito grande para a equipe quando conseguimos ajudar o próximo e sanar tudo que precisa”, afirma Bernardo.

Modelo de assistência padronizado que realiza atendimento com equipes formadas por médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e condutores socorristas, o SAMU opera 24 horas por meio do acionamento da Central 192, com discagem telefônica gratuita, contando com uma rede de profissionais até o objetivo fim: prestar socorro à população.

Somente no Município do Rio, o SAMU, que é administrado pela Fundação Saúde, vinculada à SES-RJ, conta com 93 enfermeiros, 297 técnicos de enfermagem, 214 médicos, 42 duplas de motolâncias e 244 condutores socorristas, cujas equipes ficam disponíveis nas 33 bases em funcionamento na capital, operando em 60 ambulâncias e 30 motolâncias. Para se ter ideia da importância desse serviço, o número total de atendimentos realizados de 2019 até maio deste ano, foi de quase 500 mil. 

“É importante reconhecer e valorizar o trabalho essencial dos profissionais de saúde que atuam no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. Eles desempenham um papel crucial ao salvar vidas, oferecer cuidados médicos imediatos e tomar decisões rápidas em situações de urgência e emergência. O Dia do Profissional do SAMU ressalta a dedicação, a coragem e a expertise desses socorristas, que muitas vezes arriscam suas próprias vidas para ajudar os outros”, ressalta o coordenador geral do SAMU da capital, coronel Luciano Sarmento.

 

Bebê reanimado no Caju

Os profissionais do SAMU não medem esforços para salvar vidas. Na noite de 19 de julho, a Central 192 recebeu e encaminhou chamado para uma equipe do SAMU na Zona Norte do Rio. A ocorrência: parto consumado e bebê com dificuldade respiratória.

A equipe teve dificuldade para encontrar a residência, no Bairro Caju, também na Zona Norte. A médica Ana Carolina Fernandes Mendes, a enfermeira Kenia Kelsch e o condutor socorrista Eduardo Laurentino prestaram os primeiros atendimentos ao bebê, uma menina, que teve uma parada cardiorrespiratória (PCR) logo após o parto, realizado em casa, sem acompanhamento de um profissional de saúde. 

“Passaram-se mais de 30 minutos até que a mãe da paciente atendesse o telefone e nos guiasse à casa, que fica em área de risco”, diz o condutor da ambulância. “A parturiente estava no quarto com a bebê no colo, sem chorar e cianótica (coloração azulada da pele decorrente de oxigenação insuficiente do sangue). Após cortarmos o cordão umbilical, envolvemos a recém-nascida numa manta térmica e verificamos os sinais vitais”, explica a médica. 

De acordo com Ana Carolina, um recém-nascido tem parâmetros diferentes do adulto para verificar PCR. A menina estava com dispneia, saturava 72% em ar ambiente e a frequência cardíaca estava em 110 batimentos por minuto (o normal é de 130 a 160).

“Depois que verificamos que estava em PCR, ofertamos oxigênio com pressão positiva e ela começou a chorar cerca de dois minutos depois… Foi o melhor choro que nós poderíamos ter ouvido. Recompensador”, afirma a médica socorrista, que trabalha no SAMU há cerca de dois anos.

Há quase três anos, Ana Carolina, com apenas 28 anos, se formou em medicina pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Como ainda não definiu a especialização que vai seguir, dedica-se a plantões no SAMU Capital e no Hospital Estadual Dr. Ricardo Cruz (HerCruz).

“Como não tenho especialização, sou clínica geral no HerCruz, e no SAMU, médica socorrista. Tenho vivido a medicina e o SUS como são, lidando com pacientes graves, intervindo com dinamismo. Já atendi inúmeros casos marcantes, paradas cardíacas revertidas, mas quando o assunto é criança, sempre mexe muito mais com a gente porque o bebê não é para chegar ao mundo com dificuldades. Então, foi muito marcante o atendimento à recém-nascida e a mãe dela, no Caju”, assinala Ana Carolina.

Após os primeiros socorros, mãe e filha foram encaminhadas, pela ambulância do SAMU, para o Hospital Maternidade Maria Amélia Buarque de Hollanda, no Centro do Rio, onde ficaram quatro dias internadas. Com os quadros de saúde estabilizados, elas receberam alta hospitalar no dia 23 de julho de 2023. E passam bem.