Um único doador pode beneficiar pelo menos 8 pessoas que aguardam na lista de espera
O caso do apresentador Fausto Silva, que passou por uma cirurgia de transplante de coração neste domingo, 27/08, despertou muitas dúvidas em relação ao processo de doação de órgãos e tecidos no Brasil. No estado do Rio de Janeiro, o RJ Transplantes, vinculado à Secretaria Estadual de Saúde (SES-RJ), fiscaliza e atua em toda a logística.
A falta de informação e o preconceito podem limitar o número de doações, impedindo que vidas sejam salvas. Para ser doador, basta conversar com os familiares e deixar bem claro a sua vontade. Um único doador pode beneficiar pelo menos 8 pessoas que aguardam na lista de espera por um transplante de órgãos e tecidos. Rins, pâncreas, córneas, válvulas cardíacas, intestino e/ou multivisceral, pele, osso, coração, esclera (o branco do olho), pulmão e fígado são possíveis de serem transplantados.
Confira as dúvidas mais comuns e seja um doador.
- Para ser um doador, não é preciso deixar nenhum documento.
Verdade. O mais importante é conversar com a sua família e deixar bem claro o desejo de ser doador. Não é necessário deixar nada por escrito, mas seus parentes devem se comprometer a autorizar o procedimento após a morte.
- A doação de órgãos beneficia muitas pessoas.
Verdade. Um único doador de órgãos e tecidos pode beneficiar pelo menos 8 pessoas que aguardam por um transplante.
- A doação prejudica o corpo do falecido.
Mito. Os órgãos e os tecidos doados são removidos por meio de uma cirurgia e o corpo recebe os mesmos cuidados que os de uma pessoa viva. A doação não desfigura o corpo e o sepultamento pode acontecer normalmente.
- Quase todos os órgãos e tecidos do corpo podem ser doados.
Verdade. Rins, pâncreas, córneas, válvulas cardíacas, intestino e/ou multivisceral, pele, osso, coração, esclera (o branco do olho), pulmão e fígado são possíveis de serem transplantados.
- Existe uma lista de espera para receber um órgão.
Verdade. Cada estado tem a sua lista de espera para transplantes, que é submetida ao cadastro nacional do Ministério da Saúde por meio de um sistema informatizado. Este cadastro é chamado Cadastro Técnico Único (CTU). Desta forma, quando um órgão é doado, as informações são inseridas neste sistema informatizado de abrangência nacional, mas o transplante atende preferencialmente a lista de espera do estado onde houve a doação, ou seja, se o doador é do Rio de Janeiro, os órgãos doados atenderão preferencialmente aos pacientes inscritos no Rio de Janeiro. Se não for encontrado receptor compatível no RJ, o órgão é disponibilizado nacionalmente.
- A família do doador precisa arcar com os custos relacionados à doação.
Mito. Doar órgãos é um ato de solidariedade e amor. O doador ou sua família não têm custos com a doação dos órgãos e tecidos.
- A maioria das religiões é favorável à doação.
Verdade. Até mesmo as religiões que são contrárias à transfusão de sangue não interferem na decisão de doação de órgãos e tecidos. Todas as religiões pregam os princípios de solidariedade e amor ao próximo, que são as principais características do ato de doar.
- É possível que um paciente em morte encefálica volte a viver.
Mito. A morte encefálica é irreversível e deve ser atestada por dois médicos diferentes, de acordo com as regras do Conselho Federal de Medicina. Essa confirmação tem a finalidade de comprovar a ausência de funções do cérebro e do tronco encefálico, por meio da realização de dois exames clínicos e um teste gráfico. Somente após essa liberação é possível que o paciente falecido se torne doador de órgãos e tecidos.