Governo Federal também anunciou, nesta quinta-feira (10/03), que destinará recursos para estudos de combate ao mosquito Aedes aegypti, além de financiamento da vacina
O Governo do Estado do Rio de Janeiro tem incentivado estudos para a erradicação dos vírus transmitidos pelo Aedes aegypti. A Fundação de Amparo à Pesquisa (Faperj), vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, anunciou a criação e o apoio a seis redes de pesquisa sobre zika, chikungunya e dengue. Foram disponibilizados até R$ 12 milhões em dois anos para que quase 400 cientistas busquem respostas emergenciais sobre as doenças.
Entre as redes de pesquisa estão diagnóstico sorológico precoce do zika vírus; ações mais eficientes de controle do vetor, o mosquito Aedes aegypti; além da criação de métodos terapêuticos, como a imunização passiva e a possibilidade de vacina; e de estudos que comprovem, cientificamente, os efeitos ao sistema neurológico associados ao zika vírus, como a microcefalia e a síndrome de Guillain-Barré.
O Instituto Vital Brazil, vinculado à Secretaria de Saúde, e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) também iniciaram pesquisa sobre a produção de soro contra o zika para o tratamento dos indivíduos contaminados. A expectativa é de que o soro inative o vírus imediatamente após a aplicação, o que reduziria os casos de microcefalia.
Governo Federal destina verba para combate ao Aedes - O governo federal destinará R$ 10,4 milhões para a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para o desenvolvimento de estudos para o combate ao mosquito Aedes aegypti. Destes recursos, R$ 4,4 milhões serão para o financiamento da vacina contra o zika vírus. O restante, cerca de R$ 6 milhões, será aplicado a projetos de cooperação bilateral para pesquisas de zika e microcefalia entre a Fiocruz e a agência de saúde norte-americana.
O anúncio foi feito nesta quinta-feira (10/03), durante a visita da presidenta Dilma Rousseff, do governador Luiz Fernando Pezão, do ministro da Saúde, Marcelo Castro, do presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, e do secretário de Saúde, Luiz Antonio Teixeira Jr., ao laboratório Bio-Manguinhos.
Campanhas de prevenção - O Governo do Rio de Janeiro tem promovido uma série de ações de combate ao Aedes aegypti. No início do ano, a Secretaria de Saúde lançou a campanha 10 Minutos Salvam Vidas que incentiva a população a reservar alguns minutos por semana para eliminar os possíveis focos do mosquito. A ação inclui a produção de material informativo e a capacitação de profissionais de Saúde das redes pública e privada.
Desde fevereiro, as secretarias de Saúde e de Defesa Civil trabalham em conjunto na fiscalização de imóveis na Baixada Fluminense e na Região Metropolitana para identificar e eliminar possíveis focos do mosquito. Técnicos da Saúde treinaram 800 bombeiros para atuarem em parceria com os agentes de endemia dos municípios. A ação também inclui o uso de drones que sobrevoam as residências para identificar possíveis criadouros. Os dados colhidos pelo equipamento são transmitidos em tempo real e orientam o trabalho dos agentes e bombeiros.
O governador Luiz Fernando Pezão incluiu repelentes de insetos com lcaridina, DEET ou IR3535 na lista da cesta básica, isentando o consumidor de pagar ICMS sobre o produto.
Participação das secretarias - A Secretaria de Prevenção à Dependência Química capacitou técnicos, funcionários e usuários da rede estadual de acolhimento de drogas e álcool sobre cuidados para erradicação dos focos do Aedes aegypti. A Secretaria de Administração Penitenciária começou a capacitar internos e funcionários do Complexo Penitenciário de Gericinó e a entregar repelentes para as internas gestantes na Penitenciária Talavera Bruce. A Secretaria de Educação lançou o projeto #EscolaSemAedes para orientar e mobilizar os estudantes e a comunidade escolar em ações preventivas e de combate ao mosquito. Já a Linha 4 do Metrô capacitou funcionários dos canteiros de obras para se tornarem multiplicadores no combate ao Aedes aegypti. Na UPP Pavão-Pavãozinho/Cantagalo, policiais também aderiram à campanha e distribuíram cerca de três mil panfletos sobre o combate ao mosquito.
Acolhimento para gestantes - No Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer (IEC) foi criado o primeiro projeto do país voltado para o acolhimento de crianças com microcefalia expostas ao zika vírus e para gestantes com diagnóstico positivo para a doença. Também será oferecida ultrassonografia que indique possibilidade da malformação no feto. As famílias afetadas serão acolhidas pela equipe médica do IEC, que vai realizar consultas multidisciplinares e exames de alta complexidade, além da avaliação e indicação de tratamento adequado.