Número de indivíduos em uso da profilaxia pré-exposição de risco à infecção pelo HIV (PrEP) no estado aumentou em 2023; investimento no programa estadual é de R$ 4 milhões este ano
No Dia Mundial de Luta Contra a Aids, celebrado nesta sexta-feira (01/12), a Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) destaca as ações de prevenção de HIV/Aids que vêm sendo desenvolvidas em seu programa estadual de prevenção e tratamento de IST/Aids. As iniciativas têm como objetivo disseminar informações e estratégias de prevenção e cuidado, realizar treinamento técnico de equipes de saúde dos municípios e orientar a população sobre como e onde acessar os tratamentos disponíveis na rede do Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2023, a SES-RJ está investindo mais de R$ 4,1 milhões em seu Programa de IST/Aids, 37% a mais que em 2022, quando o aporte foi de R$ 3 milhões.
O fomento e apoio à expansão de serviços de Profilaxia Pré-exposição de Risco à Infecção pelo HIV (PrEP) tiveram um salto significativo. Em 2023, 11.668 pessoas em todo o estado usaram, pelo menos uma vez, a medicação para reduzir o risco de adquirir a infecção pelo HIV. Destas, 8.463 (73%) continuam em PrEP. O número é quase o dobro do ano de 2022, quando 4. 493 pessoas iniciaram o uso de PrEP no estado.
A PrEP consiste na ingestão de uma pílula que impede o vírus de infectar o organismo e tem indicação somente para grupos específicos de pessoas que tenham maior chance de contato com o HIV, como trabalhadores do sexo, população LGBT+ e quem tem maior probabilidade de fazer sexo com infectados pelo HIV. Combinado com a distribuição de preservativos masculinos e femininos, o tratamento faz parte de uma das principais estratégias para frear a contaminação e é oferecido nas unidades de Atenção Primária dos municípios.
Já a Profilaxia Pós-Exposição de Risco à Infecção pelo HIV (PEP) é um dos métodos de prevenção à Aids que é oferecido em todas as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) do Governo do Estado. O tratamento, que consiste na utilização de antirretrovirais por 28 dias, deve ser iniciado até 72 horas após casos de relação sexual desprotegida, rompimento da camisinha, violência sexual ou acidente ocupacional.
Ações da Secretaria
Entre as principais ações da SES-RJ para evitar a propagação da Aids destacam-se a prevenção à transmissão vertical (infecção de crianças nascidas de mães que vivem com HIV), por meio da distribuição de fórmula láctea com predominância protéica de caseína, para bebês de 0 a 1 ano; o fomento e apoio à expansão de serviços de profilaxia pós-exposição ao HIV (PEP) e de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) no estado; a distribuição de preservativo interno e externo (femininos e masculinos), e gel lubrificante para municípios e organizações da sociedade civil; distribuição de testes rápidos para diagnóstico de infecção pelo HIV em diferentes metodologias (punção digital, autoteste e fluido oral) aos municípios do estado; publicação e distribuição de material educativo para municípios e ONGs, além da realização de campanhas de prevenção em espaços públicos.
“Falar sobre prevenção ainda é o melhor caminho para reduzirmos o número de novas infecções pelo HIV e o número de pessoas com AIDS. Existem recursos disponíveis no SUS para prevenção, diagnóstico e tratamento do HIV. Temos que pensar na ampliação do acesso aos usuários de maneira equânime e sob a ótica do cuidado integral. Por isso, estamos investindo cada vez mais em ações de prevenção e cuidado para as pessoas que vivem com HIV/AIDS”, destaca a secretária de estado de Saúde, Claudia Mello.
Números da Aids no estado do Rio de Janeiro - De janeiro a outubro deste ano, 3.562 pessoas foram diagnosticadas com infecção pelo HIV no estado do Rio, segundo dados do Sistema Nacional de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde (MS). Em 2022, no mesmo período, foram 4.381.
Em 2022, havia no estado do Rio 89.582 pessoas vivendo com HIV/aids (PVHA) em uso de Terapia Antirretroviral (TARV); em 2021, 86.262. São consideradas em TARV aquelas PVHA que fizeram pelo menos uma vez uso de medicamentos antirretrovirais nos últimos 120 dias do ano.
Quanto a mortes em consequência de HIV/Aids no estado do Rio, de acordo com o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), de janeiro a outubro de 2023, o número chega a 961 (dado ainda sujeito a alteração); em 2022, no mesmo período, foram 1.157.
Coinfecção é desafio
Outra preocupação atrelada a quem vive com HIV é a tuberculose. De acordo com o Ministério da Saúde, pessoas que vivem com o HIV têm 25 vezes mais risco de desenvolverem tuberculose quando comparadas com quem não vive com o vírus. O levantamento indica que 5 pessoas morrem de co-infecção por tuberculose e HIV por dia no país. Em 2022, foram 1.724 mortes por tuberculose, e 19,5% dessas pessoas viviam também com HIV.
Diante desse cenário, a SES-RJ realizou na última segunda-feira (27/11), o primeiro Seminário Estadual Cuidado Integral em Tuberculose e HIV: Atenção Centrada na Pessoa, com o objetivo de promover troca de conhecimento e de orientar as coordenações das áreas de tuberculose e IST/AIDS das secretarias municipais de Saúde sobre a necessidade de integrar ações e desenvolver estratégias eficazes no cuidado de quem tem ambas as doenças.