Mais de 80 médicos e enfermeiros das 25 Unidades de Pronto Atendimento da Secretaria de Estado de Saúde participaram do encontro na sede da secretaria, no Rio Comprido, Zona Norte da capital fluminense
A Secretaria de Estado de Saúde realizou, nesta terça-feira (19.12), uma reunião sobre o manejo de pacientes de dengue e o risco da reintrodução do sorotipo DENV-3 no estado, com a participação de 84 profissionais das 25 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da rede. Entre os assuntos debatidos no encontro destacam-se a necessidade do uso do protocolo do Ministério da Saúde para atendimento de casos suspeitos e o manejo adequado dos pacientes. Também foi reforçada a importância de um diagnóstico preciso, onde foram mostradas semelhanças e diferenças da dengue com outras arboviroses e síndromes febris.
Na fala de abertura, Mário Sérgio Ribeiro, subsecretário de Vigilância e Atenção Primária à Saúde, pediu para que as informações disponibilizadas no encontro sejam compartilhadas com demais profissionais das UPAs, uma vez que essas unidades são a principal porta de entrada de pacientes com dengue no Sistema Único de Saúde (SUS).
"O que pedimos é que os profissionais se apropriem ao máximo das informações repassadas, tanto do cenário epidemiológico, quanto da própria estrutura para que os gestores consigam organizar imediatamente suas unidades para um possível aumento na demanda", afirmou.
Penélope Saldanha, superintendente de Unidades Próprias da SES-RJ, destacou que a Secretaria vem promovendo uma interlocução entre a Vigilância Epidemiológica e os colaboradores das redes assistenciais para que essa estruturação aconteça e seja intensificada em caso de agravamento do cenário.
"A Secretaria está ordenando o trabalho das diferentes áreas para que a gente consiga enfrentar o problema em todas as suas frentes, desde a questão da conscientização da população, do controle do vetor, da transmissão do vírus, até o atendimento oportuno e o tratamento adequado, dentro do protocolo previsto. Isso é de extrema importância para que a gente consiga atender a nossa população dentro das melhores condições possíveis", pontuou.
Saldanha afirmou ainda que representantes das unidades estaduais realizaram, na última segunda-feira (18.12), uma reunião com a secretária de Estado de Saúde, Dra. Claudia Mello, para traçar novas ações relacionadas ao manejo clínico e a disponibilidade de material informativo para os pacientes e para os profissionais de saúde.
"Tudo isso está sendo pensado, como a utilização de tendas de hidratação, para que, em caso de agravamento do cenário epidemiológico, a gente esteja estruturado para enfrentar o problema", afirmou.
Na sequência, Cristina Giordano, gerente de doenças transmitidas por vetores e zoonoses da SES-RJ, apresentou um panorama atual do cenário epidemiológico do Estado do Rio, detalhando pelas regiões e municípios que apresentam quadro mais crítico de transmissão da arbovirose. Até o momento, 46.127 casos de dengue foram notificados em todo o estado e 27 óbitos confirmados.
"O maior número absoluto de casos prováveis é observado na capital e nas regiões Norte e Noroeste Fluminense, principalmente na capital. Quando um município está em situação de alerta, a SES-RJ atua junto à Secretaria Municipal de Saúde para implementação do plano de contingência para enfrentamento da doença, que prevê ações de controle e assistência médica para os diversos cenários", disse Giordano.
A médica da Subsecretaria de Vigilância em Saúde da SES-RJ Daniela Vidal reforçou a necessidade da suspeição clínica logo no primeiro atendimento.
“Num cenário epidêmico, é preciso suspeitar para chegar ao diagnóstico num tempo oportuno. Mas é extremamente importante também notificar o caso e estratificar o risco porque a dengue tem uma classificação própria, específica, que não é classificação de risco que nós estamos habituados a utilizar nas unidades de prontos de atendimento e nos hospitais", orientou.
Vidal relembrou ainda que a dengue é uma doença febril aguda, sistêmica, dinâmica, mas que pode dar sinais diferentes de outras patologias.
"Em muitas ocasiões os óbitos são evitáveis. Por isso a necessidade do manejo do paciente apropriado. As manifestações da dengue são semelhantes à de uma série de outras doenças e até mesmo outras arboviroses, como a chikungunya e a Zika. Na fase aguda da dengue, por exemplo, que se dá de um a sete dias, o que é mais comum é a febre alta. Diferente da chikungunya e da Zika, a chikungunya pode ter febre também, que pode ser alta, mas na grande maioria das vezes é uma febre baixa. A Zika geralmente não está associada à febre", explicou.
Débora Fontenelle, também médica do setor de vigilância da SES-RJ, relembrou o objetivo principal do encontro e destacou o engajamento dos profissionais de saúde e o poder da informação no combate à doença. Além de considerar o risco social, durante a avaliação do paciente, para o adequado monitoramento deste, durante a evolução do quadro clínico.
"A ideia do nosso encontro é fortalecer e capacitar a rede para o manejo adequado de acordo com a complexidade de cada caso e da unidade que presta assistência. É fundamental multiplicar as informações nas unidades porque os profissionais que atuam na ponta são fundamentais, principalmente em cenários críticos de epidemia", concluiu.
Na próxima quarta-feira (20.12), a Secretaria de Estado de Saúde promoverá uma nova capacitação sobre a dengue para seus colaboradores. Desta vez, quando o diagnóstico estiver associado à gravidez.
"Por se tratar de uma condição especial, por ser a gestante, é um grupo bastante suscetível e que tem risco de agravamento da doença pela própria condição fisiológica da gestação, então a gente não quis perder a oportunidade de todas essas ações que têm sido feita, com as aulas de grandes profissionais, para que façamos um evento dedicado à dengue na gestação", completou Penélope Saldanha.