Treinamento reúne equipes dos 92 municípios fluminenses para orientar o uso correto dos dispositivos e ampliar a segurança na aplicação da insulina
Representantes da atenção primária dos 92 municípios fluminenses participaram, nesta terça-feira (05/05), de uma capacitação estratégica sobre o uso das novas canetas de insulina GlobalX U e U2 e das insulinas Uslin R e Uslin N distribuídas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A ação foi promovida pelo Ministério da Saúde em parceria com a GlobalX Pharma, com apoio da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ), responsável pela mobilização das equipes.
O treinamento ocorre em um momento de ampliação do acesso à tecnologia. Apenas em 2026, o estado do Rio de Janeiro recebeu 23.270 unidades da caneta GlobalX U2, modelo mais recente, que substitui versões anteriores e oferece mais precisão e segurança na aplicação de insulina.
Na avaliação da superintendente de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos, Samira Santos El-Adji, o foco da iniciativa está em quem executa o cuidado no dia a dia. “O objetivo é treinar os profissionais da atenção primária, que atuam diretamente na ponta, fazendo a distribuição e orientando os pacientes. Eles precisam dominar o manejo da caneta, porque depois vão replicar esse conhecimento nas unidades de saúde”, explicou.
A superintendente explicou que o fluxo começa no envio das insulinas pelo Ministério da Saúde, passa pela distribuição estadual até chegar aos municípios, onde equipes locais fazem a dispensação e o acompanhamento dos pacientes. “É fundamental que farmacêuticos, enfermeiros e médicos saibam exatamente como funciona esse dispositivo, que é uma caneta permanente com cartucho substituível”, disse.
A introdução de um novo dispositivo exige adaptação técnica e cuidado redobrado, de acordo com a superintendente de Atenção Primária à Saúde, Halene Armada. “Com a mudança no método de aplicação, surgem dúvidas e dificuldades. Nosso maior objetivo é garantir a segurança do paciente, desde o cálculo correto da dose até o manuseio adequado, evitando falhas que comprometam o tratamento”, ressaltou.
A parte técnica da capacitação ficou a cargo da farmacêutica e educadora em diabetes Mônica Lenzi. Durante o treinamento, ela detalhou o funcionamento das canetas, explicando desde a inserção correta no dispositivo até o ajuste de dose, preparo da agulha e aplicação segura. Também abordou diferenças entre as insulinas. A Uslin R, por exemplo, age rapidamente e é indicada antes das refeições. Já a Uslin N possuiu efeito intermediário e exige homogeneização adequada, além de orientações sobre armazenamento, transporte e cuidados após a aplicação.
“O conteúdo foi pensado para que os profissionais atuem como multiplicadores, levando o conhecimento às equipes locais e, principalmente, aos pacientes, etapa decisiva para o sucesso terapêutico”, destacou Mônica Lenzi.
A percepção dos municípios trouxe a importância prática da iniciativa. A secretária municipal de Saúde de Natividade, Natália Veríssimo, destacou que a capacitação ajuda a enfrentar dúvidas recorrentes no cotidiano. “Vemos muitos pacientes com dificuldade no manuseio e até problemas como quebra das canetas. Esse tipo de treinamento melhora a orientação e evita a ineficácia do tratamento. Certamente é um ganho para os nossos pacientes, então o município de Natividade fica feliz de poder participar e aprender”, afirmou.
Em Niterói, a médica Miriam Rangel Barquete, responsável técnica pela Fundação Estatal de Niterói (FeSaúde), reforçou o caráter multiplicador. “O que parece simples nem sempre é. Precisamos garantir que toda a equipe esteja preparada para orientar corretamente, porque o uso inadequado pode comprometer o resultado do tratamento”, disse.
Já a coordenadora do Departamento de Doenças e Agravos Crônicos Não Transmissíveis de Rio das Ostras, Letícia Sobreira, apontou desafios ligados ao perfil dos pacientes. “Temos usuários com baixa escolaridade ou limitações visuais, o que dificulta o uso da caneta. Sem orientação adequada, há risco de subdose e de eficácia do tratamento”, explicou.
O cenário reforça a relevância da capacitação diante do avanço do diabetes. Estima-se que 43% dos adultos com a doença no mundo, ou seja, cerca de 252 milhões de pessoas, não tenham diagnóstico. No Brasil, aproximadamente 20 milhões convivem com o problema.
Link para fotos: https://drive.google.com/drive/folders/16j64T8SGSg_05j2Wp3vJU2c0ZeEjyRAi?usp=drive_link








