Doença é uma das principais causas de internações e mortes de bebês; capacitação se antecipa aos meses mais frios e prepara equipes para respostas rápidas na rede estadual
A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) treinou 200 profissionais de saúde para agirem mais rapidamente na identificação de uma das doenças que mais mata bebês e crianças abaixo de dois anos de idade: a bronquiolite. A capacitação realizada nesta quinta-feira (09/04), na sede da Secretaria, teve o objetivo de se antecipar aos meses mais frios do ano, quando aumentam os casos de bronquiolite e de outras síndromes respiratórias.
O treinamento contou com a participação de médicos, enfermeiros e fisioterapeutas. Vacinação, atendimento rápido, reconhecimento de casos graves, fatores de risco e internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) foram alguns temas destacados. A secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello, destacou que a agilidade na resposta das equipes é fundamental para evitar complicações, já que a doença tem evolução muito rápida.
"O principal vírus da bronquiolite é o vírus sincicial respiratório (VSR), que provoca infecções respiratórias graves em crianças. Nosso treinamento busca promover a prevenção e o diagnóstico precoce para evitar complicações e internações. Caso a criança apresente sinais de cansaço extremo, chiado no peito e dificuldade para respirar, o responsável deve buscar atendimento especializado", alertou a secretária.
De acordo com Keli Magno, gerente de Imunizações da Secretaria de Saúde (SES-RJ), o VSR é a principal causa de infecção em crianças. No Brasil, 75% dos casos estão relacionados ao vírus. A gerente de Imunizações destacou as estratégias de prevenção adotadas no estado do Rio de Janeiro e reforçou a importância da vacina e do anticorpo para crianças.
“Em dezembro de 2025, o estado incorporou a vacina (VSR) para mulheres grávidas. Ela é indicada a partir da 28ª semana de gestação e ativa a imunidade materna com transferência de anticorpos para o feto. A proteção é de cerca de 90% nos primeiros três meses de vida e 80% até os seis meses. Já o anticorpo Nirsevimabe é indicado para aumentar a proteção de prematuros de 37 semanas e crianças com cardiopatias, doenças pulmonares crônicas e Síndrome de Down”, apontou Keli Magno.
Quadro evolui entre 24h e 48h
Médico intensivista do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe/Uerj), Bruno Bohme apresentou a aula: “Manejo da Bronquiolite na emergência”. Ele destacou que o quadro de infecção evolui com desconforto, entre 24h e 48h, comprometendo o trato respiratório inferior (bronquíolos) e que fatores de risco contribuem para o agravamento da doença.
“O vírus causa destruição do epitélio, gerando acúmulo de secreção nos bronquíolos. O processo inflamatório ao redor causa obstrução, levando ao aprisionamento de ar no pulmão. Crianças prematuras, menores de três meses e com comorbidades são mais vulneráveis. A informação e o reconhecimento precoce mudam o prognóstico. O manejo correto na porta de entrada evita internações desnecessárias e salva vidas”, frisou Bruno Bohme.
O tema “Manejo da Bronquiolite na UTI” teve como palestrante Daniella Mancino, médica intensivista do Hospital Estadual Ricardo Cruz (HERC), em Nova Iguaçu. Ela disse que o suporte em UTI não deve seguir um modelo rígido. E falou também sobre o uso de máscara em crianças e ventilação não invasiva.
“Na UTI, o suporte deve ser individualizado, conforme a mecânica respiratória do momento. Não existe uma receita de bolo, pois o peso de cada componente, com a passagem do ar e o movimento de inflar das vias varia de paciente para paciente. Precisamos nos adequar ao doente à beira do leito”, explicou Daniella Mancino.
Link de fotos: https://drive.google.com/drive/folders/18cX04y6VpCPtZKm1lvErMdGPdy9XRp9C
Crédito das fotos: Mauricio Bazilio Ascom/SESRJ