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Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro reforça alerta sobre suplementos alimentares de cúrcuma e riscos ao fígado
Vigilância sanitária alerta sobre efeitos de suplementos à base de cúrcuma

Orientação acompanha comunicado da Anvisa, que trata sobre efeitos adversos no organismo, reiterando a necessidade de orientação profissional

O alerta recente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre possíveis danos ao fígado relacionados ao uso de suplementos e medicamentos com cúrcuma acendeu um sinal de atenção também no estado do Rio de Janeiro. A investigação que motivou o aviso identificou casos raros, porém graves, de inflamação e lesões hepáticas, estando associados ao uso de cápsulas e extratos concentrados de cúrcuma ou curcumina (substância ativa presente na planta).

Nesse sentido, a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) reforça o alerta da Anvisa. Apesar de serem vendidos como naturais, os suplementos alimentares também podem trazer riscos quando utilizados sem acompanhamento profissional, conforme destaca a superintendente estadual de Vigilância Sanitária, Helen Keller.

“Produtos naturais ou fitoterápicos não são isentos de riscos. Quando consumidos sem orientação adequada, especialmente em doses elevadas ou por pessoas com determinadas condições de saúde, podem causar efeitos adversos. Por isso, o alerta é para que a população evite a automedicação e busque sempre orientação de profissionais de saúde antes de utilizar suplementos”, afirma.

A superintendente ressalta que o alerta não se refere ao uso culinário da cúrcuma (açafrão), amplamente utilizada como tempero. O risco está relacionado às formulações concentradas presentes em alguns produtos que se declaram como suplementos, mas não seguem a dose máxima recomendada pela Anvisa, e medicamentos. “É importante deixar claro que o uso da cúrcuma na alimentação cotidiana é considerado seguro. O problema está nas versões concentradas, que podem ter doses muito superiores às encontradas naturalmente nos alimentos”, explica.

Diretora da Divisão de Alimentos da Superintendência de Vigilância Sanitária (Suvisa)/SES-RJ, a nutricionista Alessandra Torres explica que a principal diferença entre o alimento e o suplemento está justamente na concentração da substância ativa. “Nos suplementos, a quantidade do princípio ativo é muito maior. Em alguns casos, o produto também pode utilizar tecnologias que aumentam a absorção da curcumina pelo organismo. Se a curcumina estiver na dose máxima de 130 miligramas na ingestão diária recomendada, conforme regulamentação da Anvisa, não há problema”, diz.

A nutricionista ressalta que, mesmo assim, alguns grupos precisam de atenção redobrada antes de consumir esse tipo de produto. É o caso de gestantes, menores de 19 anos e pessoas com doença hepática. Uma das dicas da diretora é que qualquer suplemento seja utilizado apenas com prescrição de um médico ou nutricionista.

Além disso, atenção à procedência dos produtos: “É importante escolher marcas conhecidas e evitar a compra em sites ou plataformas de comércio eletrônico sem procedência clara, onde há maior risco de fraudes. Também é essencial verificar a dosagem diária recomendada na rotulagem, que deve ficar entre 80 e 130 miligramas por dia”, explica a diretora Alessandra Torres.

Riscos ao fígado

De acordo com a médica hepatologista Clarice Gdalevici, os efeitos adversos de suplementos no fígado já são conhecidos na prática clínica e não se limitam à cúrcuma. “Essas fórmulas que misturam diversos fitoterápicos muitas vezes não são estudadas de forma científica. Existe uma lista enorme de substâncias capazes de provocar desde alterações discretas nas enzimas do fígado até quadros graves de hepatite e icterícia”, destaca.

Para a médica do Instituto de Assistência aos Servidores do Estado do Rio de Janeiro (Iaserj), algumas reações podem ocorrer por sensibilidade individual. “Há reações chamadas idiossincrásicas, que dependem da sensibilidade da pessoa. Ou seja, um suplemento pode não causar problema em alguém, mas provocar lesão hepática em outra pessoa”, afirma.

Os primeiros sinais, muitas vezes, aparecem em exames de rotina, antes mesmo de sintomas mais claros: “As pessoas descobrem alterações nas enzimas hepáticas em exames de check-up. Quando isso acontece, investigamos várias causas possíveis, incluindo medicamentos e suplementos. Hoje, essa é uma das causas mais frequentes de alteração da função hepática”, diz a médica.

Sinais de alerta

A especialista ressalta que, quando os sintomas aparecem, pode ser um indicativo de um comprometimento mais avançado do fígado. Os sinais podem incluir náuseas fora do habitual, urina escura e olhos amarelados (icterícia). Esses sintomas podem ocorrer, de acordo com a médica, em casos de hepatite provocada por substâncias, incluindo suplementos.

Nessas situações, a orientação é interromper imediatamente o uso do produto e procurar atendimento médico. “A primeira medida é suspender o suplemento e procurar avaliação médica. Um clínico ou especialista poderá investigar se o caso é uma hepatite infecciosa ou medicamentosa”, explica Clarice Gdalevici.

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