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Estratégias integradas e descentralização do cuidado são destaques em encontro sobre Tuberculose na Secretaria de Estado de Saúde 
Encontro marca o Dia Mundial da Tuberculose e reforça estratégias para redução da interrupção do tratamento 

Encontro marca o Dia Mundial da Tuberculose e reforça estratégias para redução da interrupção do tratamento 


A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) realizou, nesta quinta-feira (26), o evento “Compromisso com a Vida: Interrupção Zero – Sim! Podemos acabar com a tuberculose no Estado do Rio de Janeiro”, em alusão ao Dia Mundial da Tuberculose, como parte das ações contínuas de enfrentamento da tuberculose. O encontro reuniu especialistas, gestores e lideranças municipais para discutir estratégias voltadas à redução da interrupção do tratamento da doença, um dos principais desafios para o controle da doença.

A mesa de abertura destacou a necessidade de fortalecer o combate à tuberculose nas agendas políticas em todos os níveis de gestão. Representando a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Caroline Morgado reforçou a importância de ampliar a articulação entre setores, levar o debate aos municípios e envolver a sociedade. “A saúde não faz tudo sozinha”, afirmou, ao defender a adequada alocação de recursos e a conscientização de que o cuidado é uma responsabilidade coletiva.

O subsecretário de Vigilância e Atenção Primária à Saúde da SES-RJ, Mário Sérgio Ribeiro, lembrou que a tuberculose segue como desafio constante para o sistema de saúde e alertou para a necessidade de manter o tema como prioridade entre gestores e profissionais.

Um dos principais eixos debatidos foi a descentralização do cuidado para a Atenção Primária à Saúde, diretriz estratégica do Plano Estadual de Tuberculose. A medida busca ampliar o diagnóstico oportuno, aumentar a adesão e a cura, além de reduzir abandono e óbitos. Ao aproximar os serviços da população, contribui para diminuir barreiras, fortalecer o vínculo entre equipes e usuários e garantir acompanhamento contínuo, com acesso ao tratamento perto de casa e redução do estigma.

A tuberculose é, acima de tudo, um problema social. A doença se espalha com mais facilidade em áreas de extrema pobreza e em ambientes aglomerados, com pouca iluminação e ventilação precária. Ao mesmo tempo, ela reforça ciclos de vulnerabilidade, gerando impactos econômicos graves para as famílias, por isso, é considerada um “custo catastrófico”. Estima-se que 48% das famílias afetadas percam mais de 20% da renda anual devido à doença. Para enfrentar esses efeitos, a SES-RJ mantém o Núcleo de Articulação e Proteção Social, responsável por desenvolver políticas que ajudem a reduzir essas vulnerabilidades.

Entre as iniciativas implementadas, está o cartão-alimentação de R$ 250 mensais para pacientes em tratamento, criado em novembro de 2024. Já foram concedidos 21.994 cartões, com média de 7 mil novos benefícios mensais, alcançando 86 municípios. O benefício é interrompido em caso de abandono ou conclusão do tratamento. A ação tem sido reconhecida pelo Ministério da Saúde como uma estratégia bem-sucedida e modelo para outros estados.

Outra frente é o programa-piloto de gratuidade no transporte público intermunicipal, desenvolvido em parceria com a Secretaria de Estado de Transporte e Mobilidade Urbana. Por meio do Vale-Social, pacientes em tratamento têm acesso gratuito a barcas, metrô, trens e ônibus intermunicipais. Atualmente, a iniciativa atende quatro municípios: São Gonçalo, Queimados, Magé e Japeri, com a distribuição de 236 cartões.

O encontro evidenciou que o enfrentamento à tuberculose passa por ações articuladas, que levam em conta tanto os aspectos clínicos quanto as condições sociais da população. Nesse contexto, a Atenção Primária assume um papel central, enquanto a proteção social se mostra decisiva para garantir a continuidade do tratamento e avançar no controle da doença no estado.

No final do evento, foi lançada a campanha “Compromisso com a Vida: interrupção zero!” para intensificar medidas que ajudem a evitar que pessoas com tuberculose abandonem o tratamento. O objetivo é traçar o perfil de quem não dá continuidade ao tratamento da doença.  

A gerente de Tuberculose da SES-RJ, Marneili Martins, informou que um grupo de Trabalho está revisando o Plano Estadual de Tuberculose, com a inclusão de entidades da sociedade civil nas discussões. A ideia também é fazer uma consulta pública para coleta de propostas.

Link para fotos: https://drive.google.com/drive/folders/1vKVcqx3GVvBX6x1JPg5bBN5WtZbDYnHQ