Para que sejam evitadas doenças como hepatites B e C, é preciso estar atenta à prevenção, manter a vacinação em dia e realizar testagem regularmente
No mês da mulher, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) ressalta a importância de intensificar os cuidados com a saúde das mulheres. Dentre os cuidados, a saúde do fígado merece especial atenção para evitar doenças como as hepatites B e C, infecções muitas vezes silenciosas, esteatose ou gordura no fígado, males que podem evoluir sem sintomas e resultar em situações perigosas como cirrose ou câncer hepático. Mulheres na menopausa devem ficar mais atentas a fatores de risco contra o desenvolvimento de doença hepática gordurosa.
A gerente estadual de Hepatites Virais da SES-RJ, Clarice Gdalevici, orienta que a melhor maneira é prevenir, manter a vacinação em dia, realizar testagem regularmente, ter alimentação equilibrada e atividade física, além de evitar ou reduzir o consumo de álcool.
“O cuidado com o fígado deve acompanhar a mulher ao longo da vida. É um órgão forte e vital, responsável por centenas de funções no organismo, como a metabolização de nutrientes e medicamentos, a produção de proteínas essenciais e a desintoxicação do sangue. Quando ele adoece, todo o corpo sofre. É preciso cuidar bem do fígado, pois temos um só e ele vai nos acompanhar a vida toda”, adverte a gerente.
Logo na infância, a vacinação contra a hepatite B, já nas primeiras horas de vida, é fundamental para prevenir a transmissão da mãe ao bebê. Na adolescência, além da consolidação de hábitos alimentares, e quando em muitos casos as meninas iniciam a vida sexual, é preciso estar com a vacinação completa. Uso de preservativos e educação em saúde sexual são primordiais. Durante a gestação, o pré-natal inclui a testagem para hepatites B e C, permitindo intervenções que evitam a transmissão vertical.
Em 2024, o Estado do Rio registrou 56 notificações de gestantes com hepatites virais, sendo oito do tipo B e 48 do tipo C. Em 2025, foram ao todo 67 casos: 15 do tipo B e 52 do tipo C.
“O pré-natal é capaz de captar precocemente doenças, como a Hepatite B e C. É um direito da gestante, garantido pelo SUS, que visa acompanhamento adequado da gestação. É possível prevenir hepatite B com vacina que deve ser aplicada na criança ainda na maternidade, e até aos 6 meses completar com mais 3 doses, como prevê o calendário de vacinação”, explica, ressaltando que quem não foi vacinado nessa fase da vida pode procurar uma unidade de saúde para atualizar a caderneta. Os adultos tomam a primeira dose, a segunda 30 dias depois e a terceira após 180 dias.
Cuidado ao consumir álcool, ultraprocessados, açúcar e gorduras saturadas
A gerente da SES-RJ alerta que o consumo de álcool merece destaque especial. Segundo ela, as mulheres são biologicamente mais vulneráveis aos efeitos de bebidas alcóolicas e podem desenvolver lesões hepáticas com menor quantidade ingerida e em menos tempo quando comparadas aos homens. O álcool pode acelerar a progressão das hepatites virais.
A doença hepática gordurosa tem crescido entre mulheres jovens, associada ao consumo de alimentos ultraprocessados, excesso de açúcar e gorduras saturadas. Sobrepeso e obesidade também são fatores de risco para a saúde do fígado. Alimentação baseada em frutas, vegetais, grãos integrais e azeite de oliva, aliada à prática de pelo menos 150 minutos semanais de atividade física, contribuem para a prevenção e o controle de doenças.
Outro momento na vida das mulheres que requer cuidados é na menopausa, ciclo fisiológico que traz alterações hormonais com diminuição do estrogênio que protege o fígado e outras áreas do corpo do acúmulo de gordura. A especialista diz ser importante manter estilo de vida saudável, dieta com frutas e verduras variadas e sem ultraprocessados, controlar os carboidratos, para ajudar na redução da resistência à insulina que contribui para a esteatose hepática.
Alguns tipos de chás (hibisco, carqueja, sacaca entre outros) podem ser hepatotóxicos, revela Clarice Gdalevici. O uso indiscriminado de suplementos alimentares, alguns prescritos como manipulados e que misturam substâncias que nem todas são medicamentos, pode provocar hepatite medicamentosa.
A aposentada Maria do Nascimento da Silva Pinto, 76 anos, sabe da importância de se cuidar e se prevenir. Ela informa que está em dia com as doses da vacina contra hepatite e, mesmo assim, aproveitou para fazer o teste rápido quando foi ao Iaserj para consulta. Os cuidados também passam pelos hábitos de vida e de alimentação. “Procuro me informar sempre sobre a questão de saúde. Faço alimentação saudável, não consumo bebida alcoólica nem refrigerantes. É muito importante apostar na prevenção”, ensina.
Fique atento a riscos ao colocar piercings, tatuagens e procedimento estético
A especialista lembra que utilizar material perfurante, principalmente na colocação de piercings e ao fazer tatuagens em estabelecimentos não autorizados pela vigilância sanitária precisam ser evitados. Procedimentos estéticos e cuidar das unhas em salões de beleza sem as medidas de esterilização adequadas, também são fatores de risco de contaminação.
Sexo seguro é outra recomendação importante para prevenção das hepatites e de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), considerando a diversidade das mulheres — heterossexuais, bissexuais e lésbicas. Relações estáveis não eliminam o risco de ISTs, e práticas entre mulheres também podem expor a secreções e sangue. Quando se trata da hepatite C, é importante pensar na prevenção antes e durante a gestação (usar preservativos nas relações sexuais, não compartilhar objetos perfurocortantes, evitar tatuagens e piercings na gestação).
Quanto ao uso de anticoncepcionais, a gerente Estadual de Hepatites Virais da SES-RJ diz que o fígado está preparado para processar o medicamento. Mas é necessário fazer acompanhamento médico, pois eventualmente alguma mulher pode ter problemas, apesar de o anticoncepcional não ser um medicamento de risco para a saúde do fígado da mulher.
Tratamento gratuito pelo SUS
O tratamento para as hepatites virais B e C é um direito e está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). No Estado do Rio, a SES-RJ disponibiliza medicamentos antivirais nas Unidades Dispensadoras de Medicamentos (UDM), que atualmente são 68 no estado, incluindo a capital.
Vale ressaltar, que desde novembro de 2025, a rede estadual de saúde conta com o primeiro aparelho de elastografia hepática, que possibilita avaliar com precisão a evolução de doenças como fibrose e cirrose, sem procedimentos invasivos. O equipamento foi adquirido pelo Governo do Estado com investimento de R$ 670 mil e instalado no Instituto de Assistência aos Servidores do Estado do Rio de Janeiro (Iaserj) Maracanã, referência no cuidado às hepatites virais.
A tecnologia, que utiliza ondas sonoras para medir a rigidez e identificar gordura no fígado, permite acompanhar complicações associadas às hepatites B e C com mais conforto e segurança. O exame é indicado a pacientes em acompanhamento clínico, orientando condutas terapêuticas, além de prevenir o avanço da doença. O exame é oferecido a pacientes do Iaserj e encaminhados via Sistema Estadual de Regulação (SER).
Link de fotos: https://drive.google.com/drive/folders/1ghUg12NSvmNDOfBhVF5PF3K4wr_RlyW3