Seminário estadual destaca capacitação de profissionais, integração entre municípios e inovação no acompanhamento de pacientes com TEA
O fortalecimento da rede pública de saúde para o atendimento a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ganhou novos avanços no estado do Rio de Janeiro. Durante o IV Seminário Estadual do Cuidado das Pessoas com TEA, promovido, nesta quarta-feira (18/3), pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ), foi anunciado um curso inédito de capacitação para profissionais da rede. Outro destaque, na pauta, foi a implementação de uma startup voltada à gestão de dados e capacitação de responsáveis de pacientes do Centro Estadual de Diagnóstico para o Transtorno do Espectro Autista (CedTEA), marcando uma nova etapa na organização da linha de cuidado.
Mais do que um encontro técnico, o seminário, organizado pela Superintendência do Cuidado das Pessoas com Transtorno do Espectro Autista, consolidou discussões práticas sobre desafios enfrentados no atendimento e apresentou soluções que devem impactar diretamente os municípios fluminenses. A necessidade de padronizar fluxos de atendimento, qualificar profissionais e a integração dos dados para garantir a continuidade no cuidado foram pontos de destaque.
Na abertura, a secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello, ressaltou o esforço coletivo para estruturar uma política integrada. “Esse é um assunto que envolve toda a Secretaria de Saúde. Trabalhamos essa linha do cuidado de forma integrada, com diferentes áreas, porque é um tema que mobiliza não só a nossa rede, mas o estado inteiro. Quando esse paciente volta para o seu território, ele precisa encontrar um cuidado alinhado com o que estamos construindo”, destacou a secretária.
Um dos principais anúncios foi o lançamento de um curso de capacitação voltado a profissionais de saúde dos 92 municípios do estado. Com 24 módulos e participação de especialistas, a formação abordará desde conceitos do TEA até estratégias de manejo clínico e comportamental. As inscrições serão abertas em abril.
“A ideia é garantir que todos os profissionais tenham acesso ao mesmo nível de informação e consigam atuar de forma mais qualificada. Acompanhamos de perto, fortalecemos os fluxos e valorizamos as boas práticas locais. É um avanço muito grande”, ressaltou a superintendente do Cuidado da Pessoa com TEA da SES-RJ, Michelle Gitahy.
No encontro, destaque à apresentação da startup Tismoo, selecionada por edital da SES-RJ. A solução apresentada pela empresa, será incorporada à rede estadual. De acordo com Emanuela Rainho, da Coordenação de Inovação, a tecnologia será estratégica para dar mais precisão ao planejamento. “Vamos implementar um banco de dados que vai reunir todas as informações dos pacientes. Isso vai gerar painéis inteligentes e permitir um cenário real sobre o autismo no estado, além de apoiar famílias durante a trajetória no CedTEA, principalmente no diagnóstico”, salientou.
A iniciativa também prevê uma frente estruturada de capacitação para os familiares e profissionais de saúde do CedTEA, evoluindo na qualidade ofertada ao usuário.
“Nessa parceria, temos duas frentes, sendo a primeira a capacitação das famílias e dos profissionais do CedTEA, contribuindo diretamente com essa necessidade dos municípios. A segunda é o levantamento e organização dos dados, que vão ajudar nas decisões e nas políticas públicas para a linha de cuidado”, explicou a coordenadora de Saúde da Tismoo, Cristina Fernandes.
A capacitação de familiares terá duração de seis semanas, período alinhado ao processo de diagnóstico no CedTEA, abordando desde a compreensão do TEA até orientações práticas de cuidado e terapias. Já a formação de profissionais se estenderá por cerca de um ano, com conteúdos distribuídos ao longo dos meses, conforme as demandas da rede.
O seminário também trouxe debates técnicos fundamentais para o dia a dia da assistência, como a palestra “Manejo comportamental em situações de emergência: da prevenção ao cuidado seguro”, ministrada por Thalissa Cazarine, que abordou estratégias para identificar sinais de crise e orientar profissionais sobre intervenções adequadas.
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