Evento sediado pelo Rio de Janeiro reuniu gestores e especialistas de todo o país e prestou tributo à hansenologista Maria Eugênia Noviski Gallo, que faleceu durante a programação
O segundo dia da Conferência Nacional de Alto Nível em Hanseníase 2026, realizada na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, foi marcado por intensos debates sobre vigilância em saúde, equidade e estratégias para ampliar o diagnóstico precoce da doença no Sistema Único de Saúde (SUS). Durante a programação desta quinta-feira (13/3), participantes também prestaram uma homenagem à hansenologista Maria Eugênia Noviski Gallo, referência na área e servidora da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ), que faleceu no mesmo dia.
A secretária da pasta, Claudia Mello, prestou sua homenagem à médica Maria Eugênia Noviski Gallo, destacando a trajetória dedicada à formação de profissionais de saúde e ao fortalecimento da rede de atenção à hanseníase no estado. “Ela trabalhou imensamente pela nossa área técnica. Mesmo depois de aposentada, continuou colaborando e contribuindo com a população do estado do Rio de Janeiro. Atuava em treinamentos e capacitações nos municípios e ajudava a formar profissionais da rede. Nós temos o coração muito preenchido por tê-la tido conosco por tanto tempo”, afirmou a secretária, prestando sentimentos aos familiares e amigos.
A Conferência, iniciativa do Ministério da Saúde, reúne gestores públicos, pesquisadores, profissionais de saúde e representantes da sociedade civil de todo o país para discutir estratégias de enfrentamento da doença, com base na Estratégia Nacional para o Enfrentamento da Hanseníase (2024-2030). O encontro segue até amanhã (14/3).
Acompanhando a programação ao longo do dia, a secretária, que esteve representando também o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), ressaltou a importância do encontro para fortalecer as políticas públicas de enfrentamento da doença no país.
"Eventos como esta Conferência são fundamentais para que estados, municípios, pesquisadores e sociedade civil possam alinhar estratégias e fortalecer o enfrentamento da hanseníase no Brasil. Precisamos avançar no diagnóstico precoce, ampliar o acesso ao tratamento e, sobretudo, combater o estigma que ainda cerca a doença. Precisamos fortalecer a atenção primária, garantir o diagnóstico precoce e ampliar o acesso ao tratamento, especialmente entre as populações mais vulneráveis”, afirmou.
Entre os destaques da programação de hoje, a sessão "Desafios para garantia de acesso às ações e serviços da rede de atenção no Brasil", moderada por André Luiz Silva, da Gerência de Hanseníase da SES-RJ. Foram três painéis trazendo as estratégias de integração entre vigilância epidemiológica e atenção primária.
“A sessão discute justamente como fortalecer essa articulação entre vigilância e atenção primária, ampliando o acesso ao diagnóstico, ao tratamento e à reabilitação dos pacientes. É um desafio estruturar os serviços para responder de forma mais rápida e eficiente, especialmente diante das desigualdades que ainda impactam o enfrentamento da hanseníase. A multideterminação do adoecimento por hanseníase inclui a desigualdade social e racial também, pelas barreiras de acesso que as populações têm aos serviços de saúde”, explicou.
Para o especialista, a Conferência representa um momento estratégico de avaliação das políticas públicas já implementadas e de definição de novos caminhos para o país, que tem cerca de 22 mil novos casos ao ano. “Estamos reunindo experiências de diferentes regiões e reavaliando tudo o que já foi feito no enfrentamento da hanseníase. A partir desse diálogo, conseguimos redirecionar estratégias, adotar medidas mais atualizadas e avançar também no enfrentamento do estigma, da discriminação e das desigualdades sociais e raciais. Tudo isso ainda dificulta o diagnóstico e o acesso ao tratamento”, completou.
Durante o primeiro painel, com o tema “Vigilância em Saúde e Equidade: desafios para a detecção, resposta e monitoramento no SUS”, as contribuições da coordenadora-geral de Vigilância da Hanseníase e Doenças em Eliminação da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Jurema Guerrieri Brandão.
A sessão, moderada pela SES-RJ, também reuniu diferentes perspectivas da gestão do SUS no enfrentamento da doença. A diretora do Departamento de Promoção da Saúde do Ministério da Saúde (Depros/Saps/MS), Angela Fernandes Leal da Silva, abordou o tema “Atenção Primária como porta de entrada efetiva: estratégias e barreiras para o acesso no SUS”.
Já a coordenadora de Hanseníase do Estado de Rondônia, Carmelita Ribeiro Filha Coriolano, apresentou o debate “Desafios da gestão estadual para garantir o acesso: regulação, regionalização e organização da rede de atenção”. Representando a realidade municipal, a secretária de Saúde de Sobral (CE), Michele Alves Vasconcelos Ponte, trouxe reflexões sobre “Perspectiva municipal: realidades locais e soluções para ampliar o acesso e a qualidade do cuidado na ponta”.
O segundo dia encerrou com uma apresentação da Orquestra Sinfônica Jovem do Rio de Janeiro (OSJRJ), que tem o apoio do Governo do Estado do Rio de Janeiro.
Link para fotos: https://drive.google.com/drive/folders/1_YruEq60zes1JOWRVzZlVfFf2zhI1wmm
Créditos das fotos: Mauricio BAZILIO/SES-RJ







