Atividade ocorreu em Angra dos Reis. Ação fez parte da campanha nacional de conscientização e prevenção contra a doença
A Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) realizou, em fevereiro, um treinamento prático para capacitar profissionais da Atenção Básica que atuam em comunidades indígenas no combate à hanseníase. A ação ocorreu na Aldeia Guarani Sapukai, no bairro de Bracuí, em Angra dos Reis, e foi desenvolvida em parceria com o Ambulatório Souza Araújo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), centro de referência do Ministério da Saúde.
Os profissionais da Atenção Primária local participaram de atividades práticas em atendimento à população em contexto de vulnerabilidade social. A ação fez parte das iniciativas referentes ao Janeiro Roxo, campanha nacional de conscientização e combate à hanseníase.
Segundo a Gerência de Hanseníase da SES-RJ, a oficina na aldeia em Angra dos Reis também beneficia comunidades indígenas de outras regiões do estado. As equipes de saúde que atuam nesses locais são as mesmas e os profissionais fazem rodízio nos atendimentos às outras localidades.
De acordo com André Luiz da Silva, enfermeiro sanitarista da SES-RJ e doutor em Saúde Coletiva, o objetivo dos treinamentos foi reforçar as ações de prevenção e diagnóstico precoce, com o intuito de avançar na eliminação da doença no estado como problema de saúde pública. Em 2024, foram contabilizados 583 novos casos da doença em todo o estado. Em 2025, de janeiro a outubro houve o registro de 498 novos casos, conforme a Gerência de Hanseníase da SES-RJ.
“O diagnóstico preciso da doença é complexo, pois a hanseníase possui múltiplas formas de expressão com lesões cutâneas de cores e formas diferentes, conforme a classificação da doença. O treinamento contribui para evitar falsos diagnósticos negativos ou positivos”, destaca André Luiz.
Durante a atividade em Angra dos Reis, ocorreram atendimentos dermatológicos com busca ativa e diagnóstico de enfermidades, com foco na hanseníase. O treinamento prático realizado em fevereiro complementou a capacitação teórica que os profissionais da saúde tiveram entre maio e setembro de 2025. As ações também tiveram o intuito de combater o estigma da doença e a discriminação sofrida pelos pacientes infectados.
No processo de capacitação, foi oferecida aos profissionais a oportunidade de aprender, na prática, a diferenciar doenças com sintomas semelhantes à hanseníase. De acordo com André Luiz, a experiência dos orientadores é de fundamental importância para o aperfeiçoamento profissional.
O treinamento teórico dos profissionais também fez parte do Programa Roda-Hans, que é uma parceria que ocorreu ano passado entre a SES-RJ, o Ministério da Saúde e a farmacêutica Novartis Brasil, com apoio da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). A unidade móvel do programa percorreu cinco cidades do estado (Nova Iguaçu, Belford Roxo, São Gonçalo, Guapimirim e Cordeiro) entre outubro e novembro de 2025.
A hanseníase é uma doença infecciosa, de evolução lenta e silenciosa, provocada pela bactéria Mycobacterium leprae. A enfermidade se manifesta principalmente atingindo a pele, as mucosas e os nervos periféricos (braços e pernas), com capacidade de ocasionar lesões neurais. A pessoa infectada pode ter danos irreversíveis, caso o diagnóstico seja tardio ou o tratamento inadequado.
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