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Evento na Secretaria de Saúde traça metas para a Conferência Brasileira sobre Hanseníase
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Temas como estigma da doença, tratamento e propostas inovadoras, como a participação de startup, fazem parte da pauta do encontro

A Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) promoveu, nesta quarta-feira (07/01), em sua sede no Rio Comprido, uma grande reunião para a realização da Conferência Brasileira sobre Hanseníase, em março deste ano, no Rio de Janeiro. O evento reuniu técnicos da SES, uma Delegação japonesa da Iniciativa Sasakawa para Hanseníase, representante do Ministério da Saúde e do MORHAN (Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase).

Antes do Conferência – em local e data ainda a serem definidos – haverá, no dia 5 de fevereiro, uma pré-conferência na Secretaria de Estado de Saúde, com a participação dos 92 municípios que compõem o estado, dando o primeiro passo no processo de discussão para erradicação da hanseníase no estado do Rio. Temas como estigma da doença, histórico do paciente, tratamento e propostas inovadoras, como a participação de startup, fazem parte da pauta do encontro nacional.

Claudia Mello, secretária de Estado de Saúde, destacou, na reunião, a questão do estigma que a doença provoca no paciente. Ele defendeu iniciativas inovadoras no enfrentamento à doença e destacou a participação de empresas novas e de base tecnológica para a busca de novos caminhos.

“A tuberculose, o HIV e a hanseníase são doenças que carregam o estigma da sociedade. Temos que discutir técnicas e ações inovadoras, como chamar as startups que atuam no setor, para quebrar essa barreira. Hoje, a doença não está só na população vulnerável”, declarou a secretária de Estado de Saúde.

Dr. Takahiro Nanri, presidente da Iniciativa Sasakawa para Hanseníase, disse que o objetivo é erradicar a hanseníase no estado e transformar o Rio de Janeiro em um modelo internacional de enfrentamento à doença.

“Somos de uma Fundação de Interesse Público que atua no Japão desde 1975 e busca, no estado do Rio, erradicar a hanseníase. Também atuamos no incentivo financeiro de projetos, na questão da eliminação do estigma e do preconceito e na preservação da memória com apoio aos museus e arquivos digitais para aprender sobre o que aconteceu no passado.  Junto vamos fazer um evento de sucesso e transformar o estado em um case internacional”, disse Takahiro Nanri.

O subsecretário de Vigilância e Atenção Primária, da SES-RJ, Mário Sérgio Ribeiro, falou que a hanseníase é uma doença silenciosa e, por isso, muitas vezes é negligenciada. Para ele, jogar luz ao assunto é fundamental para se mudar o cenário.

“Temos que buscar a relevância e a magnitude da doença para que ela deixe de ficar na sombra.  A Conferência Brasileira é uma agenda importante que pode se transformar em um marco de enfrentamento à doença’”, avaliou Mário Sérgio Ribeiro.

Brasil ocupa o segundo lugar no mundo em casos de hanseníase

O Brasil é o segundo país do mundo com o maior número de casos novos de hanseníase, ficando atrás apenas da Índia, de acordo com dados da OMS e do Ministério da Saúde. Em 2024, o Brasil registrou mais de 19 mil casos da doença. No estado do Rio de Janeiro, no mesmo ano, foram 583 casos confirmados.