Anuário registrou 154 mil mulheres vítimas de violência em delegacia, em 2024
Foi lançado nesta quinta-feira (04.12), na Sala Cecília Meireles, na Lapa, a 20º Edição do Dossiê Mulher. O anuário, que faz uma radiografia da violência contra a mulher em todo o Estado do Rio de Janeiro, reuniu vários setores da sociedade. A secretária de Estado de Saúde (SES-RJ), Claudia Mello, foi presença marcante no encontro que também reuniu a presidente do Instituto de Segurança Pública (ISP), Marcela Ortiz; a secretária de Estado da Mulher, Heloísa Aguiar; entre outras convidadas. De acordo com o documento, o panorama da violência, em 2024, apresentou 154 mil vítimas em delegacia. Foi o maior volume em dez anos.
Ainda de acordo com o Dossiê Mulher, por dia 421 meninas ou mulheres são agredidas. A violência psicológica, pelo quarto ano seguido, foi a mais frequente conforme o levantamento. Com relação à estupro de vulnerável, 50,9% das vítimas tinham até 11 anos. A maioria dos crimes aconteceu dentro de casa. No ano passado, foram registradas 107 vítimas de feminicídio, um aumento de 8,1% em comparação ao ano de 2023.
O documento, segundo a secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello, serve para nortear políticas públicas de enfrentamento aos principais casos de violência. Por dia, 18 mulheres são agredidas no estado do Rio de Janeiro.
“O dossiê faz um raio x completo da violência contra a mulher, seja ela psicológica, patrimonial, sexual ou moral. De posse dessas informações, é possível entregar equipamentos de acolhimento às vítimas. No Hospital Estadual da Mulher, a secretaria mantém a Sala Multivioleta, que presta atendimento multiprofissionais. Em um ano, mais de 400 mulheres foram assistidas pela unidade”, destacou Claudia Mello.
A presidente do Instituto de Segurança Pública disse que o Rio de Janeiro foi o primeiro estado do Brasil a produzir um documento sobre violência contra a mulher, que virou referência nacional.
“Há duas décadas, o estado produz um documento que é modelo no país. O ISP reafirma o seu compromisso de transformar dados em um serviço público qualificado, com transformação social. São 20 anos de produção ininterrupta e pioneira que mapeia os dados”, disse Marcela Ortiz.
Heloísa Aguiar, secretária de Estado da Mulher, destacou que Dossiê Mulher se consolidou em uma das fontes mais estruturantes para a população. Para ela, o documento não é apenas um dado estatístico, mas uma ferramenta de leitura da realidade. Ela também falou sobre a violência sexual contra as meninas, nos transportes e sobre o Observatório do Feminicídio.