Órgão do Governo do Estado é um dos mais importantes para a produção nacional de antídoto contra picada de animais peçonhentos e volta à atividade após investimentos na reestruturação e modernização
O Instituto Vital Brazil (IVB), laboratório do Governo do Estado vinculado à Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ), retoma a fabricação de soros hiperimunes, essenciais no tratamento contra picadas de animais peçonhentos, como cobras e escorpiões; além dos antitetânico e antirrábico. O IVB tem capacidade para produzir 300 mil ampolas por ano, sendo que a estimativa é de 150 mil no primeiro ano. A unidade é uma das mais importantes do país para a pesquisa e fabricação de soros.
“A retomada na produção dos soros hiperimunes representa um marco histórico para a saúde pública, pois reposiciona o Instituto Vital Brazil, que é o único laboratório público do estado do Rio de Janeiro, como um dos principais fornecedores estratégicos para o Sistema Único de Saúde (SUS). Esse é um investimento de impacto nacional, que beneficia todo o país”, afirma o governador Cláudio Castro.
O processo de retomada da produção se deu após uma ampla reestruturação da fábrica de soro do IVB, que focou na reorganização e na modernização do órgão. Sob a supervisão da SES-RJ, desde 2023, os esforços no Instituto visam consolidar a capacidade do instituto de produzir soros essenciais para a saúde pública brasileira.
“É um orgulho para a equipe da Secretaria de Estado de Saúde fazer esse anúncio e, claro, garantir um reforço substancial na proteção de milhões de brasileiros”, ressaltou a secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello.
O número de ocorrências de acidentes com animais peçonhentos tem mantido a SES-RJ em alerta. No mês passado, foi criada uma nova aba no site da secretaria, dentro do painel Monitora RJ para acompanhar os dados de acidentes com cobras e escorpiões. Desde de 2022, houve um aumento de casos atendidos pela rede estadual de saúde - com o registro de 13.205 casos. Foram 2.766, em 2022; 3.671, em 2023; 3.766, em 2024 e, até 21 de outubro deste ano, já são 3.002. Desse total, 28 causaram mortes.
De acordo com o diretor-presidente do IVB, Alexandre Chieppe, as ações em equipe foram fundamentais para que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) comprovasse que o Instituto está plenamente habilitado para produzir soros com qualidade, segurança e eficácia, atendendo aos padrões estabelecidos para medicamentos biológicos.
“Recentemente, após uma inspeção da Anvisa, recebemos novamente o certificado para retomar nossa produção. Isso é crucial, pois permitirá que o Brasil tenha uma quantidade maior de soros e uma melhor distribuição para o atendimento de acidentes com animais peçonhentos, como cobras e escorpiões. Estamos prontos para iniciar a produção de soros antiofídico, antiescorpiônico, antirrábico e antitetânico”, afirmou o diretor-presidente.
Entenda o processo de produção dos soros hiperimunes
Essenciais para salvar vidas, a produção dos soros hiperimunes no IVB é pautada em segurança e qualidade. O processo se inicia com a obtenção dos antígenos que vêm de venenos dos animais de interesses médicos, toxina tetânica ou vírus rábico. Esse material é inoculado nos cavalos que ficam na Fazenda Vital Brazil, em Cachoeiras de Macacu.
Dias depois, quando o sangue produz os anticorpos, ele é extraído dos equinos, tendo o plasma separado do restante. O processo produtivo do soro começa quando esse plasma é enviado ao laboratório do IVB, em Niterói, sendo mantido em câmara fria até a liberação da produção. A etapa seguinte é a purificação. As bolsas de plasma são lavadas com álcool 70% e transferidas para um reator estéril de 400 litros. Depois, o material segue para a digestão péptica, onde o anticorpo é digerido, permanecendo somente a parte que se liga com o antígeno de interesse.
Em seguida, o soro passa por um processo de precipitação onde os anticorpos são purificados e separados dos demais componentes do plasma. Depois disso, o soro passa por diafiltração, clarificação e isotorização, processos que refinam e estabilizam o produto. É nesta fase que o concentrado de anticorpos vai para os testes de controle de qualidade. Se aprovado, segue para a formulação, envase, teste de integridade, revisão e, por fim, o acondicionamento para a distribuição.
A partir do plasma recebido, o aproveitamento é de 30% a 40%, mas é exatamente essa parte que pode salvar vidas em todo o Brasil, conforme destacou a diretora industrial do IVB, Camila Braz. De acordo com a gestora, o processo de segurança no laboratório é primordial.
“Como um produto biológico, os soros hiperimunes são produtos de fácil contaminação. Todo o cuidado é voltado para a proteção do soro durante a sua produção. Por isso, precisamos ter processos controlados, áreas adequadas, máquinas qualificadas e operadores treinados. Depois de ampolado, o soro tem uma validade de três anos nos equipamentos públicos de saúde. Ver todo esse processo voltando a funcionar é uma emoção imensa, pois é a nossa missão. Nos dá muito orgulho entregar ao SUS um medicamento tão importante que ajuda a salvar vidas”, completou a diretora.