Evento aconteceu nesta segunda-feira, 1º de dezembro, no Dia Mundial da Luta contra a Aids
O papel dos profissionais de saúde no enfrentamento ao estigma e ao preconceito relacionado a quem vive com HIV/aids foi o tema do encontro “Estigma e discriminação: como respondemos a essas barreiras para o cuidado em aids?”, que a Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) realizou nesta segunda-feira, 1º de dezembro, Dia Mundial de Luta contra a Aids.
“É importante não somente refletir sobre a atuação dos profissionais de saúde no enfrentamento do preconceito, como também orientar e garantir nas unidades do SUS, em todo o estado, a continuidade de atendimento adequado a quem vive com HIV ou aids”, afirmou a secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello, durante a abertura do evento.
O evento, transmitido ao vivo pelo canal da SES-RJ no YouTube, contou ainda com o subsecretário de Vigilância e Atenção Primária à Saúde, Mário Sérgio Ribeiro, e a gerente de IST/AIDS, Juliana Rebello Gomes, todos da SES-RJ.
“O importante é chamar a atenção para a oportunidade que os fóruns nos proporcionam para que possamos mostrar que o Brasil tem a maior política de inclusão social do mundo e que essa prerrogativa precisa estar à disposição de todos os pacientes que vivem com hiv/aids”, ressaltou o subsecretário.
O evento contou com rodas de conversa com profissionais da saúde e ativistas no enfrentamento do estigma do HIV/aids, com destaque para a palestra da médica Márcia Rachid, integrante e co-fundadora do Grupo Pela Vidda. A psicóloga sanitarista da Gerência de IST/Aids do Estado, Sandra Filgueiras, traçou uma retrospectiva dos primeiros anos de enfrentamento da doença no país.
A roda de conversa com o tema “O que os usuários esperam dos profissionais e dos serviços de saúde” reuniu o ponto de vista de quem vive com o vírus e utiliza os serviços do SUS. Com mediação de Sandra Filgueiras, o encontro reuniu Agatha Tariga Corrêa, coordenadora da Rede Nacional de Travestis, Transexuais e Transmasculines vivendo com HIV/AIDS e assessora jurídica do Grupo Pela Vidda; Leonardo Aprígio, psicólogo, ativista independente e pessoa vivendo com HIV/aids; e Sabin Milla, liderança jovem em HIV/aids no estado do Rio de Janeiro, e Sandra Brito, professora, e integrante do Grupo Parceiras da Vida, do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe), que discorreram sobre as suas vivências.
Números de HIV/aids no estado do Rio de Janeiro
No momento, no estado do Rio de Janeiro, há 127.366 pessoas vivendo com HIV e/ou com aids. Destas, cerca de 81% estão realizando o tratamento antirretroviral (TARV). A TARV possibilita o controle da infecção no organismo, além de impedir a transmissão do vírus por via sexual quando há adesão ao tratamento e, como consequência, a redução do nível de carga viral no sangue.
Os dados são do Painel Integrado de Monitoramento do Cuidado do HIV e da Aids (PIMC), que utiliza dados dos bancos SINAN, SIM, SISCEL e SICLOM. O cenário epidemiológico do HIV/ aids no estado nos últimos dez anos aponta para redução no número de casos e de óbitos entre 2014 e 2024.
Conforme análise da área técnica da Subsecretaria de Vigilância e Atenção Primária à Saúde da SES-RJ, essa tendência de redução teve início em 2018, quando foram identificados 8.345 casos de HIV e/ou aids, acentuada por uma grande queda no número de diagnósticos durante o ano de 2020, provavelmente relacionada aos efeitos da pandemia da Covid-19. Observou-se novo aumento em 2021. Desde então, há tendência de estabilidade, com pequenas oscilações ao longo dos anos, mas sem retornar aos níveis anteriores a 2018. Em 2024, foram diagnosticados 7.627 casos de HIV e/ou aids somados. O número de mortes por aids diminuiu consideravelmente no período: passou de 1839 óbitos em 2014 para 1040 em 2024, o que representa uma redução de 43,5%.
Ações da SES-RJ para combater a epidemia de HIV/aids
Em 2025, o balanço de ações está sendo positivo com o primeiro município da Região Metropolitana 1 (Mesquita) a receber um selo prata de boas práticas rumo à eliminação da transmissão vertical (quando há a transmissão da mãe para o bebê) do HIV. Foram intensificadas ações de capacitação com a produção de videoaulas sobre o Sistema de Monitoramento Clínico (SIMC) e sobre a vigilância da transmissão vertical do HIV.
As capacitações abordaram temas como diagnóstico da tuberculose em pessoas vivendo com HIV, profilaxia pré-exposição (PrEP), profilaxia pós-exposição (PEP), entre outros. Estão sendo realizadas oficinas regionais em todas as regiões de saúde, que vêm mobilizando gestores, profissionais de saúde e representantes da sociedade civil, a fim de ampliar e qualificar a oferta de PrEP e PEP nos municípios.
Crédito: Maurício Bazílio/SESRJ
Link para fotos: https://drive.google.com/drive/folders/1WbB3ZLwnh1Bx3doyJJXfg4fJu2Cdldnf