Encontro realizado na Uerj encerrou ciclo anual de debates e prepara apresentação de boas práticas para seminário em dezembro
O Fórum Interinstitucional de Atenção Psicossocial para Crianças e Adolescentes do Estado do Rio de Janeiro realizou, nesta quinta-feira (27/11), mais uma edição. Desta vez, a iniciativa da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ), por meio da Superintendência de Atenção Psicossocial e Populações em Situação de Vulnerabilidade (SAPV), foi dedicada ao tema "Os impactos do racismo na saúde mental de crianças e adolescentes".
O evento, sediado no Campus Maracanã da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), marcou o encerramento do ciclo feito ao longo do ano. Os 11 encontros serviram de preparação para o I Seminário de Boas Práticas de Saúde Mental da Infância, Adolescência e Juventude, marcado para o dia 11/12, das 8h às 16h, na Capela Ecumênica da Uerj.
"O Fórum declara uma necessidade que vem sendo construída historicamente na nossa sociedade. Hoje, especialmente, discutimos o impacto do racismo no mês da Consciência Negra, o que dialoga diretamente com as histórias do nosso território. Muitas delas estão reunidas no livro de boas práticas, com 120 experiências, que vamos lançar no seminário, fruto de duas emendas parlamentares", ressaltou a superintendente de Atenção Psicossocial e Populações em Situação de Vulnerabilidade, Karen Athié.
Para a gestora, os encontros reforçam a importância das políticas públicas no campo da saúde mental. "O compartilhamento de informações nos permite entender melhor, no campo da atenção psicossocial e no SUS como um todo, o que acontece hoje no território e quais são nossos desafios profissionais", complementou a superintendente.
Realizado há 25 anos, o Fórum se consolidou como um espaço importante de debate e de qualificação profissional em saúde mental para crianças e adolescentes. Nesta edição, a mediadora da mesa foi a psicóloga Kátia Santos, apoiadora institucional do eixo de infância e adolescência da Coordenação de Atenção Psicossocial da SAPV.
Participaram da discussão Audrei Santiago, que integra a equipe terapêutica do Núcleo de Atenção Psicossocial a Afetados pela Violência de Estado (Napave), Karyna Couto, do Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil (Capsi) Visconde de Sabugosa (Ramos, na Zona Norte do Rio), Lidiane Helena, da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (DPGE-RJ), e Nathalia Silveira, da equipe técnica da Rede de Atenção a Pessoas Afetadas pela Violência de Estado (Raave). A atividade contou também com a parceria do grupo Fortalecimento da Atenção Integral à Saúde da Criança e do Adolescente (Faísca).
"O encontro de hoje fortalece práticas antirracistas no cuidado às crianças e adolescentes, reconhecendo como o racismo impacta a trajetória de vida deles. Além de monitorar as ações espalhadas pelos municípios fluminenses, o Rio de Janeiro é o único estado brasileiro que possui cofinanciamento em saúde mental. Desde 2019, passou a repassar recursos aos municípios com dispositivos funcionando adequadamente”, lembrou a psicóloga Kátia Santos.
Atualmente, o estado conta com 42 Capsis distribuídos pelo território fluminense, financiados pelo Ministério da Saúde e complementados pelo cofinanciamento estadual para os serviços habilitados.
Três adolescentes também participaram da mesa, compartilhando suas vivências. A atriz Pérola Magalhães, que é coordenadora do Grupo de Trabalho de Juventude da Marcha Nacional das Mulheres Negras e integrante do Coletivo Axé em Luta, contribuiu com sua experiência na articulação de juventudes e movimentos sociais. Cauê Ranif Silva de Albuquerque, cofundador da YAAP Brasil, trouxe reflexões sobre futuros possíveis para juventudes periféricas. Já Sarah da Silva Batista, participante do grupo “Os Cria do SUS”, somou à conversa a visão de uma jovem atuante na promoção da saúde em sua comunidade.





