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SUS Digital permitirá à Saúde estadual acesso aos dados da Atenção Primária dos municípios
Em Oficina de Federalização da RNDS,  infraestrutura moderna da SES-RJ reforça o papel do estado na construção de um SUS mais integrado

Em Oficina de Federalização da RNDS,  infraestrutura moderna da SES-RJ reforça o papel do estado na construção de um SUS mais integrado

O segundo dia da Oficina de Federalização da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), realizado nesta quarta-feira (26/11), trouxe aos presentes a aplicabilidade do SUS Digital nos territórios. Entre os avanços que o projeto trará ao estado do Rio de Janeiro está o acesso aos dados da Atenção Primária dos municípios.

Sediando o evento desde ontem (25/11), a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) poderá, a partir do projeto de federalização, potencializar suas ações em todos os níveis de atenção à saúde e com dados incorporados de forma padronizada.

"O que o Rio de Janeiro já tem feito de tratamento, de disponibilização e de valor do uso de dados é algo grandioso e muito sustentável. Mas, agora, o projeto da federalização vai conceder outro nível de acesso, como, por exemplo, aos dados da Atenção Primária dos municípios, dados de cidadãos que são atendidos em outros lugares, de todos os níveis de atenção e, principalmente, com o perfil padronizado. Independentemente de qual seja o sistema de informação que coleta o dado, quando chegar à RNDS, por meio da federalização, o Rio terá acesso a todo esse arcabouço de dados assistenciais das pessoas do estado, potencializando as ações em saúde que já têm sido feitas aqui", explicou o coordenador do processo de federalização da RNDS, Josélio Queiroz.

Circulando por diversos estados brasileiros, o especialista elogiou a infraestrutura física e tecnológica da SES-RJ. Os grupos de representantes dos oito estados-piloto e das demais federações conheceram o Centro de Inteligência em Saúde (CIS), conversando com os técnicos do setor e acompanhando processos como o de regulação.

A infraestrutura apresentada é fruto de um alto investimento em tecnologia que vem sendo feito desde 2019, de acordo com o subsecretário executivo de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, Leonardo Ferreira.

"Nós temos um data center robusto, uma ferramenta de OpenShift, entre outras ações. Esse conjunto de investimentos ao longo dos últimos anos favoreceu e potencializou uma posição estratégica da Secretaria de Estado de Saúde, no que diz respeito ao arcabouço tecnológico necessário para receber os dados da federalização", ressaltou o subsecretário.

Para o gestor, além da infraestrutura, em virtude da própria implementação do CIS, o investimento da SES-RJ também foi na direção de um corpo técnico capaz de operar todo esse processo. Entre os desafios, a governança está no topo da lista, conforme explicou o subsecretário:

"O grande desafio agora é a governança dos dados, o envolvimento das pessoas, a discussão, o letramento digital e a compreensão do poder que essa informação terá dentro da Saúde estadual. Esse conjunto permitirá a tomada de decisão mais qualificada e recolocará o cidadão no papel central da política pública", completou o gestor.

Programação do segundo dia apresentou desafios enfrentados por gestores estaduais

Logo no início da manhã, os participantes revisitaram os tópicos estruturais do primeiro dia e alinharam os objetivos da etapa final da oficina. O painel “Valor de Uso dos Dados da RNDS” reforçou a importância das informações integradas como ferramenta para qualificar a gestão, aprimorar políticas públicas e orientar estratégias de inovação.

A apresentação “Do dado à informação: A Jornada de Dados do SUS Digital”, conduzida pelo Ministério da Saúde, demonstrou a evolução dos sistemas de informação até a atual estrutura da RNDS e seus próximos passos. 

Durante a dinâmica “RNDS em Movimento: A Jornada dos Dados no Território”, os técnicos dos estados tiveram papel ativo na construção dos fluxos de informação em áreas estratégicas como Atenção Primária, Imunização, Atenção Especializada e Assistência Farmacêutica. As apresentações dos grupos trouxeram ao centro do debate a importância de transformar dados em insumos de gestão.

À tarde, os representantes dos estados-piloto compartilharam experiências sobre o uso dos dados federalizados, trazendo desafios e oportunidades que dialogam diretamente com os cenários de seus territórios. Neste momento de troca, os gestores compartilharam a visão da necessidade de incorporar modelos avançados de interoperabilidade. A programação seguiu com uma dinâmica colaborativa sobre as estratégias para fortalecimento da RNDS nos territórios. 

O evento encerrou revisitando os quatro domínios da federalização (Institucional, Governança, Informação e Comunicação) e com a pactuação dos próximos passos do projeto. 

Entenda a RNDS

O SUS Digital é um programa estruturante que impulsiona a transformação digital na saúde brasileira. Ele ganhou forma com a criação da Secretaria de Informação e Saúde Digital (Seidigi), do Ministério da Saúde, em janeiro de 2023, e reúne diversos eixos de ação prioritários. Um deles é a interoperabilidade, que permite a troca segura e padronizada de dados entre diferentes sistemas.

Para que essa integração seja possível, existe a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), considerada um dos produtos mais inovadores de toda a jornada de transformação digital. A plataforma conecta informações de diferentes fontes e níveis de atenção, garantindo que cheguem ao cidadão, ao profissional de saúde e aos gestores, além de qualificar decisões e fortalecer a continuidade do cuidado.

Nesse contexto, uma das premissas do SUS Digital foi a federalização da RNDS, iniciada em abril de 2024. A fase inicial foi conduzida com oito estados-piloto (Ceará, Goiás, Piauí, Santa Catarina, Tocantins, Espírito Santo, Pernambuco e Bahia), que participaram de uma prova de conceito. Agora, o projeto avança para as demais 19 federações brasileiras. 

Esta segunda etapa, que vem sendo chamada de nacionalização do projeto de federalização, inclui visitas técnicas a estados de diferentes regiões. Das sete reuniões presenciais previstas no cronograma, o Rio de Janeiro, por meio da SES-RJ, sedia a terceira. O próximo encontro ocorrerá no Pará, em fevereiro de 2026.