Centro de Inteligência, assistente virtual e linha de cuidado ao infarto são destaques do encontro
A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) apresentou, nesta sexta-feira (17/10), no segundo dia do XII Congresso Brasileiro de Telessaúde e Saúde Digital (CBTMS 2025), na Uerj, os avanços da saúde digital — conjunto de inovações tecnológicas que ampliam e qualificam o atendimento ao cidadão. Entre os destaques, estiveram o Centro de Inteligência em Saúde (CIS), uma multiplataforma que integra diversas bases de dados e permite antecipar cenários epidemiológicos, a assistente virtual SERena, do Sistema Estadual de Regulação, e o protocolo de cuidado do AVC adotado nas UPAs do estado.
O Congresso Brasileiro de Telessaúde e Saúde Digital tem por finalidade aproximar as três esferas de governo: Ministério da Saúde, Governo do estado e municípios, no fortalecimento de boas práticas em prol de um Sistema Único de Saúde (SUS) cada vez mais tecnológico. O foco é consolidar o tema como uma estratégia essencial para ampliar a assistência, qualificar o cuidado e promover o incentivo à inovação de serviços em saúde.
Leonardo Ferreira, subsecretário executivo da SES-RJ, foi o moderador do encontro. Segundo ele, o SUS passa por um momento importante, com a implantação de inovações e a criação de ferramentas de cuidados.
“Há dez anos, a prioridade era a construção de novos hospitais e a incorporação de outros serviços. Agora, o foco está voltado para a saúde digital, que requer maior produção, com os mesmos recursos. Temos a política nacional de telessaúde, que é uma ferramenta que veio para ficar”, enfatizou o subsecretário Executivo da Secretaria de Saúde.
“Inovação na Vigilância Epidemiológica” foi o tema da palestra feita pela superintendente de Informação Estratégica de Vigilância em Saúde, Luciane Velasque, que destacou a criação do CIS.
“A implantação do CIS permitiu à Secretaria de Estado de Saúde olhar o cenário epidemiológico de forma precoce e oportuna. A ferramenta possibilita minerar dados das UPAs, que são um farol de informações de sinais e sintomas de doenças, para tomadas de decisões mais precisas e bloqueios oportunos. Usamos também algoritmos para detecção de mudança de padrões para determinados agravos, além de fazer o alerta aos municípios”, explicou Luciane Velasque.
A superintendente de Regulação da SES-RJ, Kitty Crawford, apresentou a SERena e seu papel no processo de regulação dentro da secretaria. Ela destacou que a assistente virtual dá suporte em treinamentos, navegação do site e tira dúvidas de pacientes.
“A SERena tem várias funções, entre elas estão ajudar o usuário a saber sua posição na fila de espera, identificar pendência nos processos e ajudar o regulador nos critérios de internação. Ela nos permite ter mais agilidade, mas a decisão final será sempre do ser humano, baseado em sua experiência cotidiana”, frisou a superintendente de Regulação.
O programa de Infarto Agudo do Miocárdio (IAM)/AVC foi o tema apresentado pelo coordenador de Saúde Cardiovascular da Secretaria de Saúde, Antonio Ribeiro. Ele disse que, em 2024, a SES realizou mais de 260 mil eletrocardiogramas no estado, dentro da linha de cuidado do AVC.
“Em 2021, implantamos o serviço de telecardiologia nas Unidades de Pronto Atendimento como forma de ampliar a capacidade de diagnóstico e garantir uma resposta rápida em casos críticos. Isso permite o reconhecimento precoce dos sinais, realização de tomografia em até 60 minutos e início do tratamento com trombolítico em até quatro horas e meia”, destacou Antonio Ribeiro.
O representante da Secretaria Municipal de Saúde de Búzios, Samuel de Sousa Alencar, ressaltou a importância da tecnologia no cuidado ao paciente, na listagem de procedimentos e na qualificação da fila. Ele sugeriu apoio regional para superar as barreiras tecnológicas.