Evento, que será encerrado na sexta-feira na FGV, apresentou projeto inovador de reflexão em presídio
O Centro Cultural da Fundação Getúlio Vargas, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, sediou o Seminário Nacional sobre Masculinidades e Prevenção às Violências. Durante o evento, a secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello, destacou políticas públicas voltadas à proteção das mulheres no estado, como o projeto pioneiro desenvolvido na Cadeia Pública Juíza Patrícia Acioli. A abertura do encontro contou com a presença do governador Cláudio Castro, da primeira-dama e presidente de honra do RioSolidário, Analine Castro, da secretária de Estado de Administração Penitenciária, Maria Rosa Lo Duca, da secretária de Estado da Mulher, Heloísa Aguiar, e do secretário Nacional de Políticas Penitenciárias, Carlos Rodrigo Martins.
O evento apresentou os resultados inovadores dos Grupos Reflexivos realizados no Patrícia Acioli, em São Gonçalo, em que homens privados de liberdade por crimes relacionados à Lei Maria da Penha passaram pela experiência do projeto. O programa atendeu 1.003 homens, de dezembro de 2024 a agosto de 2025, com sessões de conversa, rodas de reflexões, educação e escuta. Dos 198 homens que deixaram o sistema prisional, apenas três reincidiram em violência doméstica.
“Mais de 98% dos homens que passaram pelo projeto não reincidiram em crimes de violência doméstica. É um resultado que mostra como é possível salvar vidas com políticas públicas inovadoras”, destacou o governador Cláudio Castro.
A secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello, disse que a pauta é de extrema relevância e deve ser debatida com vários setores da sociedade. Para ela, a violência, de qualquer forma, contra a mulher não pode ser tolerada.
"O seminário joga luz em um tema que não pode ser normalizado. A secretaria trata esse assunto como política prioritária e entende que todos os atores do governo, incluindo a sociedade civil, podem cooperar para a redução das agressões físicas, psicológicas e sexuais. Acredito em uma estratégia integrada, aliada a um processo de educação para que o ciclo de violência seja quebrado", destacou Claudia Mello.
Segundo a presidente de honra do RioSolidário, Analine Castro, o estado do Rio está no caminho certo ao resgatar homens que cometeram erros.
"É uma grande ação de prevenção que vai formar uma nova geração de meninos conscientes. Falar de violência reforça a construção de novas formas de respeito, cuidado e reforça a construção de novas formas de respeito, cuidado e convivência, com base na educação e no diálogo", apontou Analine Castro.
Em sua fala, a secretária de Estado da Mulher, Heloísa Aguiar, declarou que o número de feminicídio caiu 13% de janeiro a agosto de 2025, comparado ao mesmo período do ano passado.
"O estado do Rio de Janeiro é o primeiro do país a implantar um projeto em larga escala dentro de uma unidade prisional para reduzir a reincidência de violência contra a mulher. Isso aconteceu porque trouxemos o homem como parte integrante da solução do problema. A pauta não é das mulheres, mas sim de todos", frisou Heloísa Aguiar.
A primeira mulher do Brasil a ser empossada como secretária Estadual de Administração Penitenciária, Maria Rosa, defendeu a ressocialização do agressor, como forma de redução da violência.
Carlos Rodrigo Martins, secretário Nacional de Políticas Penitenciárias, afirmou que a falta de referência paterna em casa, em certos casos, pode levar algumas pessoas a buscar o crime e a violência doméstica.
Giovani Dimas, coordenador de Saúde do Homem da Secretaria de Estado de Saúde, abordou temas importantes, como o “Novembro Azul” e o atendimento integral à saúde do homem. Outro tema abordado por ele foram os gatilhos que podem provocar ataques à mulher pelo homem: violência infantil e sexual na juventude.
O seminário contou ainda com a participação de nomes de destaque nacional e internacional, como Gary Barker, líder global no tema de masculinidades pelo Center for Masculinities and Social Justice; Marcos Nascimento, pesquisador da Fiocruz e consultor da Organização Mundial da Saúde; Celmário Brandão, coordenador de Atenção à Saúde do Homem no Ministério da Saúde.