Evento reuniu especialistas do setor e profissionais da saúde de vários municípios no auditório da SES-RJ
Estratégias para tentar reduzir o número de cesarianas nos hospitais foram debatidas nesta quarta-feira (10/09) no 36º Fórum Perinatal no Estado do Rio de Janeiro, que reuniu especialistas do setor e profissionais da saúde de vários municípios fluminenses. Segundo o coordenador estadual da área técnica de Saúde das Mulheres no Rio de Janeiro, Antonio Braga, mais da metade dos partos no estado é feita por meio de cesarianas. Uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) sobre o tema foi apresentada durante o evento.
"O Fórum Perinatal atua nessas discussões há uma década e nesse período registramos avanços. Mas ainda temos que seguir no debate para aproveitar janelas de oportunidades para debater a alta taxa de cesarianas desnecessárias realizadas no Estado do Rio, que precisa ser reduzida", disse Antonio Braga na abertura do evento no auditório da Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ).
A superintendente de Atenção Primária à Saúde da SES-RJ, Halene Armada, ressaltou a iniciativa do debate sobre a redução de casos de cesariana. Ela reforçou que o tema tem relação direta com a preocupação da segurança de pacientes em unidades hospitalares. De acordo com ela, a redução de procedimentos representaria também uma significativa queda de custos para o Sistema Único de Saúde (SUS).
A promotora de Justiça Denise Vidal, coordenadora do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa da Saúde (CAO Saúde/MPRJ), defendeu ser importante a discussão sobre a qualificação do atendimento às mulheres. A procuradora Roberta Trajano, do Ministério Público Federal (MPF), destacou a necessidade de uma maior participação da sociedade civil no debate. O subsecretário de Vigilância e Atenção Primária à Saúde da SES-RJ, Mário Sérgio Ribeiro, disse ser relevante a participação e a atuação dos órgãos de controle nas discussões do fórum.
Médica e pesquisadora da Fiocruz, Maria do Carmo Leal apresentou os dados da Pesquisa Nascer no Brasil 2, realizada em 29 hospitais privados envolvendo 1.947 mulheres. O levantamento trouxe informações sobre o Estado do Rio de Janeiro, e aponta a queda da gravidez na adolescência. Ela ressaltou que o atendimento pré-natal precisa ainda ser melhorado.
"O medo de sentir dor na hora do parto vaginal é um dos fatores que levam as mães a quererem fazer cesariana, o que resulta na alta taxa desse tipo de procedimento", avalia Maria do Carmo.
A médica destacou que a pesquisa detectou que a peregrinação das grávidas por hospitais para terem seus filhos diminuiu no estado, que houve melhora no manejo do trabalho de parto e maior presença de enfermeiras acompanhando na hora do nascimento.
Maria do Carmo chamou a atenção, no entanto, para dados alarmantes coletados entra as entrevistas, entre eles que 65% das mulheres ouvidas na pesquisa relataram que sofreram algum tipo de violência obstétrica, um terço dos casos de sífilis em grávidas são diagnosticados pelos médicos no momento do parto e que 75% das mães com gravidez de alto risco alegam que não tiram qualquer tipo de cuidado na atenção básica.
Para a enfermeira obstetra Halyne Limeira, da Maternidade Herculano Pinheiro, a decisão de uma mulher se submeter a uma cesariana sem indicação médica representa um problema de saúde pública com riscos para ela e o bebê. A profissional pregou a necessidade de uma maior divulgação sobre as vantagens do parto vaginal.