Evento foi marcado por troca de experiências entre profissionais e familiares de crianças e adolescentes com TEA
Trocas de experiências e debates entre gestores, profissionais da área da saúde, familiares de crianças que têm Transtorno do Espectro Autista (TEA) atendidas nos CAPS marcaram a reunião do Fórum Interinstitucional para Atenção Psicossocial de Crianças e Adolescentes do Estado do Rio de Janeiro nesta quinta-feira (28/08). As experiências de boas práticas foram apresentadas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), em um auditório completamente lotado. O evento também comemorou os 25 anos de atividades do Fórum nas discussões para implementação de políticas públicas sobre saúde mental.
"O tema é muito importante para quem trabalha na rede do Sistema Único de Saúde (SUS). A rede psicossocial foi criada justamente para dar respostas a crianças e adolescentes com autismo que passaram a ter grande demanda e não tinham atendimento”, afirmou Kátia Santos, apoiadora institucional do eixo de infância e adolescência da Coordenação de Atenção Psicossocial da Superintendência de Atenção Psicossocial e Populações em Situação de Vulnerabilidade (SAPV), da Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ).
A superintendente da SAPV, Karen Athié, destacou a importância de uma parceria da secretaria com a Uerj para o desenvolvimento de um projeto em conjunto. Segundo ela, o trabalho resultará na realização de um seminário de experiências de boas práticas de saúde mental na infância. O evento ocorrerá no fim do ano.
O espaço de trocas começou com o relato emocionante de A.H., 16 anos, estudante do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet/RJ). O jovem relatou sua trajetória e as dificuldades que encontrou por ter Transtorno do Espectro Autista. Mas ele demonstrou como foi obstinado para vencer todos os obstáculos enfrentados.
"Muita gente diz que a minha vida é fácil, mas não é não. Nas escolas em que passei, precisava de mediador, o que nem sempre tive. Agradeço à minha família por estar sempre presente. Minha vida renderia um filme, ou uma peça de teatro", afirmou A., arrancando aplausos efusivos da plateia, que se levantou de pé, no auditório 93 da Uerj.
O psiquiatra da infância e adolescência Rossano Cabral Lima, professor do Instituto de Medicina Social (IMS) da Uerj, traçou um histórico de como o autismo era visto ao longo dos anos.
"O problema só começa a ganhar visibilidade no final do século passado. Essas pessoas são herdeiras da falta de políticas públicas e ficaram fora do sistema. Já a partir dos anos 2000, a questão do autismo ganha maior amplitude", relata.
A enfermeira Luciana Oliveira, da Clínica da Família Nildo Aguiar, em Realengo, na Zona Oeste do Rio, explicou como é feito o trabalho de acolhimento na unidade, que visa incluir pais das crianças em atividades multidisciplinares. Lá, segundo ela, são feitas oficinas coordenadas por agentes de saúde com uso de material didático produzido pelos próprios profissionais da unidade.