Evento para a construção do documento contou com a participação da OPAS, do Ministério da Saúde e do Conass
O Rio de Janeiro é primeiro estado do Brasil a aplicar as lições aprendidas em eventos anteriores para a execução e a construção de um Plano Estadual de Contingência para os Vírus Respiratórios Sazonais, como o H1N1 e o Vírus Sincicial Respiratório (VSR). Por cinco dias - de 4 a 8 de agosto - técnicos da Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ), da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), do Ministério da Saúde, do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e dos municípios trocaram experiências para a elaboração do documento que busca fortalecer as vigilâncias, as assistências e a preparação de respostas rápidas e oportunas às ocorrências em saúde.
O Plano Estadual de Contingência foi elaborado com base em duas metodologias. A primeira considerou as vivências da secretaria com os vírus ao longo dos anos. Na segunda, as ações foram desenvolvidas com um grande debate com a participação de múltiplos saberes em saúde pública que abrangeu detecção, processo de monitoramento e intervenção. Houve também um simulado de preparação para emergências respiratórias com a participação dos técnicos.
Para a secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello, o evento de aprimoramento, realizado na Secretaria de Estado de Saúde, foi uma prática de trabalho importante no fortalecimento de possíveis ameaças provocadas por agentes respiratórios.
“A pandemia de Covid-19 foi um grande aprendizado para todos os gestores. Baseados nessa experiência, estamos nos antecipando a eventuais entradas de vírus respiratórios no estado. Para isso, estamos fortalecendo os sistemas de vigilância em saúde pública para cobrir as lacunas existentes. Nosso evento foi um exemplo de força, com aproximação de diferentes áreas”, destacou a secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello.
A oficina foi dividida em duas fases. Nos dois primeiros dias, quatro grupos se concentraram nas lições aprendidas por vírus respiratórios, focando nos pontos positivos e negativos com a finalidade de preparar resposta a eventos com potencial de se tornarem emergências de saúde pública (ESP). Nos três dias seguintes, ocorreram oficinas, apresentação do MOSAICO (conceito que potencializa a informação de forma coletiva para o plano de resposta ao vírus), leituras de cenários e questões orientadoras para discussões, os chamados Domínios, e simulados, com evolução de casos e respostas dos municípios.
O oficial Nacional de Preparação e Resposta a Emergências em Saúde da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) no Brasil, Rodrigo Said, destacou que o estado do Rio de Janeiro foi pioneiro na execução de um Plano Estadual com as lições aprendidas, utilizando experimentos vivenciadas nos anos de 2024 e 2025.
“As lições aprendidas nesses períodos são importantes, porque nos permite atuar em pontos fracos e reforçar o que deu certo. Não sabemos quando vai chegar a próxima pandemia, mas existe uma alta probabilidade de que seja causada por vírus respiratórios. A preparação é agora, com reforço da capacidade operacional, laboratorial e investimentos sustentáveis e de longo prazo. O plano é determinante para isso”, frisou Rodrigo Said.
Mário Sérgio Ribeiro, Subsecretário de Vigilância e Atenção Primária à Saúde, disse que as atividades de aprimoramento da vigilância dos vírus respiratórios em lições aprendidas e do MOSAICO foram um grande aprendizado de cooperação técnica de diversas áreas em saúde.
“Quero primeiro agradecer o empenho de todos os profissionais que atenderam ao nosso chamado para participar deste evento de grande relevância, em especial da secretaria. Foi uma experiência notável de conhecimento, de participação coletiva e de identificação de possíveis cenários, com a finalidade de evitar doenças e mortes”, destacou Mário Sérgio.
Segundo Rodrigo Frutuoso, da OPAS, o sucesso do plano consiste na capacidade de reunir respostas relevantes, identificar lacunas entre o planejamento e a prática, além de fortalecer ou melhorar o desempenho de atuação de uma determinada doença.
“No evento, destacamos as abordagens já desenvolvidas pelo estado e as possibilidades de ações complementares para direcionar uma estratégia que nos torne ainda mais preparados. Outro ponto ressaltado foi entender, dentro de um cenário de risco, o comportamento do vírus no território, identificar o processo para desenvolver um trabalho estratégico, de inteligência e oportuno para o enfrentamento da ameaça”, explicou Rodrigo Frutuoso, Oficial Nacional da OPAS.
Restabelecer elos e reforçar áreas vulneráveis a curto, médio e longo prazo foram alguns dos tópicos destacados pelo Coordenador-Geral de Vigilância da Covid-19, Influenza e Outros Vírus Respiratórios do Ministério da Saúde, Marcelo Ferreira da Costa Gomes no encontro.
“O encontro teve como proposta a consolidação de um trabalho para se definir os pontos positivos e as fraquezas de cada território, bem como avançar nas assistências às emergências em saúde pública. Tudo isso representa o início de uma jornada, de avanço e de preparação de resposta”, evidenciou Marcelo Gomes.