O evento reuniu gestores, profissionais de saúde e usuários da rede de atenção psicossocial
A secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello, abriu, nesta quarta-feira (18/06), o II Encontro da Escola de Formação Técnica em Saúde Enfermeira Izabel dos Santos, com a participação de cuidadores em saúde mental e pessoas idosas. O evento aconteceu no auditório da SES e teve por finalidade debater as formas de cuidar, de promoção da autonomia e da liberdade dos pacientes.
“Há décadas, a nossa escola forma profissionais alinhados com o cuidado humanizado, com uma formação crítica e de construção coletiva. A saúde mental e o envelhecimento digno são direitos do cidadão que precisamos fortalecer sempre”, destacou a secretária em seu pronunciamento.
Léa Carvalho, diretora da Escola Técnica em Saúde, disse que o ponto de partida do encontro foi baseado no livro “Cruel Compaixão”, de Thomas Szasz, que faz o seguinte questionamento: até que ponto a compaixão, quando instrumentalizada, pode se tornar um mecanismo de controle?
“Sob o discurso de proteção e de cuidado, esconderam-se práticas que destituíram indivíduos de sua autonomia, reduzindo-os a objetos de intervenção, não a sujeitos de direitos. Tudo isso, desumaniza a pessoa. Nosso objetivo é transformar a prática do cuidado em um ato de respeito, com a qualificação profissional”, declarou a diretora.
Leandra Brasil, da Fiocruz, falou sobre o tema: “Onde mora a liberdade”. A doutoranda em saúde mental pela Universidade Nacional de Lanus, na Argentina, falou sobre os manicômios e hospitais psiquiátricos.
“Com o fechamento dessas instituições, muitos pacientes perderam seus vínculos familiares. Depois, foram instituídas as Residências Terapêuticas e os CAPs para acolher esse grupo. O olhar não deve ficar restrito ao cuidar, ele precisa ser ampliado ao diálogo, a sociabilidade e a liberdade”, apontou a especialista em saúde mental.
O professor da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca/Fiocruz, Paulo Amarante, palestrou sobre reforma psiquiátrica. Em sua fala, o pesquisador abordou o tema, a questão dos antidepressivos e a importância do processo de transformação social na vida do paciente.
“O paciente não pode perder a sua autonomia. No imaginário coletivo, a residência terapêutica cura. As drogas provocam dependência e o tratamento não é exclusivamente médico. Deve haver uma mudança social, coletiva e cooperação para que isso ocorra, como aconteceu em Viamão, no Rio Grande do Sul, em que apostou em ações de autonomia de usuários”, frisou o professor.