Objetivo é agilizar atendimento, acesso à tomografia e aperfeiçoar diagnóstico e tratamento à doença
A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) realizou, nesta sexta-feira (30/5), em seu auditório, o primeiro de uma série de treinamentos para o atendimento a pacientes que tenham sofrido um Acidente Vascular Cerebral (AVC). A doença é uma das maiores causas de mortalidade e de incapacidade no país, com registro de 100 mil óbitos por ano, e requer atenção redobrada em unidades de atendimento de urgência e emergência.
A qualificação foi programada em duas etapas. A primeira com conteúdos baseados no perfil de atuação de médicos, enfermeiros, técnicos, profissionais de UPAs, SAMU e hospitais na identificação e no tratamento dos casos em, no máximo, 4,5 horas do início dos sintomas. A segunda etapa inclui treinamentos ao vivo e online ao longo de junho, com encontros nos dias 2, 11, 17 e 26, sempre em datas alternadas para facilitar a participação de todos os profissionais.
“Quando o assunto é AVC, o tempo é um fator primordial. A série de treinamentos que vamos oferecer a nossos profissionais tem o objetivo de melhorar o atendimento em nossas unidades e garantir que os pacientes tenham o diagnóstico fechado de forma rápida e iniciem o acompanhamento correto em poucos minutos”, ressalta a secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello.
De acordo com dados do DataSUS de 2024, 70% dos pacientes que sofrem AVC não voltam a trabalhar e 50% tornam-se dependentes de outra pessoa em virtude das sequelas. O custo anual para o sistema único chega a R$2,4 bilhões. E fatores como obesidade, diabetes, pressão alta e falta de exercícios estão associados.
"O AVC é uma condição que exige uma resposta rápida e precisa, em, no máximo, 4,5 horas da ocorrência do fato. O profissional da linha de frente necessita ficar atento para reconhecer o episódio, fazer um histórico médico breve do paciente, verificar os sinais vitais, além de solicitar o exame de tomografia antes de administrar a medicação, que o trombolítico”, explicou o neurologista e diretor do Instituto Mente e Cérebro, Diógenes Zan.
Enfermeiro viaja 110 km para participar de capacitação sobre AVC
Fabio Luiz Araújo, do Hospital Estadual Gélio Alves Faria, de Casimiro de Abreu, na Baixada Litorânea, dedicou o dia para a capacitação na sede da Secretaria de Estado de Saúde. Para ele, o treinamento é fundamental na identificação precisa dos casos de AVC.
“Acho determinante para o profissional a questão do aprimoramento. O acidente vascular apresenta muitas variantes e o diagnóstico exato é crucial. Precisamos seguir todos os passos do protocolo para salvar vidas, colocando em prática nossos conhecimentos”, declarou o enfermeiro do Hospital Estadual Gélio.
O coordenador de Saúde Cardiovascular da SES, Antônio Ribeiro, falou sobre o Programa Estadual de AVC nas unidades de urgência e emergência. Citou os hospitais referenciados para a doença: Getúlio Vargas, Carlos Chagas, Azevedo Lima, Roberto Chabo e Alberto Torres.
“A cada 90 segundos, uma pessoa sofre um AVC no território nacional. O profissional deve ficar atento aos sinais, como perda ou alteração visual, dificuldade de falar, dor de cabeça súbita e intensa e perda de força no braço ou perna”, apontou o cardiologista.