Evento promovido pela Seplag reúne mulheres que desempenham funções públicas de destaque
O incentivo ao empoderamento feminino e uma maior participação de mulheres em cargos de liderança na administração pública do Estado do Rio de Janeiro foram temas debatidos na quarta-feira (12/03), durante o Seminário Vozes Femininas. Organizado pela Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag), o evento reuniu várias mulheres que desempenham funções públicas de destaque. Elas expuseram suas experiências pessoais e profissionais até chegarem aos cargos que ocupam atualmente. A questão da violência contra as mulheres também abordada nas discussões do seminário.
O objetivo dos depoimentos na abertura do encontro foi o de mostrar exemplos e a importância da presença feminina em cargos de liderança no serviço público. A participação delas serviu de motivação para a plateia que lotou o auditório da Seplag, no Centro do Rio.
“A igualdade de gênero tem efeito multiplicador e é a expressão da cidadania e da dignidade humana. As mulheres que ocupam espaços de liderança precisam ter suas vozes reverberadas”, afirmou a juíza Renata Gil, conselheira e ouvidora nacional de Justiça do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e ex-presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), na abertura do seminário.
A juíza destacou ser importante que mulheres ocupem espaços de poder. Ela afirmou que só dessa forma é que haverá maior compreensão das questões femininas. Para Renata Gil, um dos grandes desafios de toda a sociedade é combater a violência dentro de casa contra as mulheres e o preconceito que muitas delas sofrem no ambiente de trabalho.
“O enfrentamento à violência doméstica contra as mulheres não pode ser feito apenas pelo Estado, deve envolver também a sociedade civil organizada, em todos os seus segmentos”, ressaltou.
A magistrada lembrou o número estarrecedor de mulheres que sofrem violência no país. Foram 21,4 milhões casos somente no ano passado, segundo ela, com o crime ocorrendo na maioria das vezes na frente dos filhos. Renata Gil lembrou ainda que existem cerca de 820 mil medidas protetivas expedidas em todo o Brasil.
A secretária de Estado de Saúde, Cláudia Mello, relatou sua trajetória pessoal e profissional. Ela ressaltou que as mulheres são sempre questionadas e obrigadas a comprovar que são capazes de ocupar cargos pela competência, mas por serem mulheres, principalmente as que ocupam funções de destaque. O que não ocorre com os homens. Ela defendeu que essa postura precisa ser mudada.
“Para nós mulheres, a responsabilidade de fazer o certo é sempre muito grande. Somos sempre mais cobradas por sermos mulheres”, afirmou a secretária.
Claudia Mello chamou a atenção para as políticas públicas do Governo do Estado na área da Saúde, voltadas para as mulheres. E que as ações visam dar maior dignidade e acolhimento às mulheres nos serviços públicos prestados. A secretária afirmou que a pasta vem trabalhando de perto com os municípios fluminenses para melhorar a saúde das mulheres, humanizando ainda mais o atendimento.
A primeira-dama Analine Castro reforçou que a criação da Secretaria de Estado da Mulher será um dos grandes legados da atual gestão, que tem à frente Heloísa Aguiar, que também preside o Conselho Estadual dos Direitos das Mulheres (Cedim). Segundo a primeira-dama, a pasta representa o compromisso do governo estadual de criar políticas públicas que precisam chegar às mulheres. Ela também comentou o quadro de violência doméstica a que muitas mulheres são submetidas.
“Temos o sonho de ver a violência contra a mulher acabar. Continuamos trabalhando para dar condições para que as mulheres superem essa situação e que possamos celebrar não somente o 8 de Março, mas todos os dias”, afirmou Analine Castro.
Secretária de Estado da Mulher, Heloísa Aguiar disse que somente políticas públicas voltadas às questões femininas vão libertar as mulheres do ciclo de violência doméstica que muitas sofrem e que a pasta vem trabalhando para que essa rotina seja interrompida.
“Quando as mulheres que são submetidas à violência doméstica tiverem autonomia para garantir seu sustento sem depender de um homem, elas estarão livres deste ciclo perverso”, analisou.
A deputada federal Soraya Santos (PL-RJ) ressaltou a importância da criação da Secretaria de Estado da Mulher, que agora conta com orçamento para implantação de projetos e políticas públicas voltadas para as mulheres.
“Isso demonstra a relevância com que as questões femininas passaram a ser tratadas”, afirmou a parlamentar, destacando que o país precisa forçar a inclusão das mulheres em todos os setores para termos uma sociedade mais justa. “Quanto mais mulheres no parlamento, por exemplo, aumenta o número de projetos relacionados aos direitos humanos”.
A delegada Viviane da Costa, titular da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Jacarepaguá, comentou ser fundamental a atuação em conjunto das forças do Estado para o combate à violência contra a mulher. Ela lembrou as dificuldades enfrentadas antes da entrada em vigor da Lei Maria da Penha, que completou 18 anos em agosto do ano passado.
“Era desesperador antes da entrada em vigor da Lei Maria da Penha. A legislação não previa o que fazer em casos violência doméstica. Hoje, temos mais condições de atuar para proteger as mulheres em risco. Os policiais passaram a ter um olhar diferenciado para essas questões. Já salvamos muitas vidas atuando na Deam”, afirmou a delegada, informando que o Estado do Rio possui atualmente 14 Delegacias de Atendimento à Mulher.
Com 23 anos de experiência na Polícia Civil, 15 deles somente na Deam, a delegada acredita que a maior dificuldade da mulher é se identificar como vítima de violência doméstica. Por conta disso, atribui a policial, a maioria dos casos não tem o registro de ocorrência feito nas delegacias, o que dificulta o combate aos crimes de violência contra as mulheres.
A porta-voz da Polícia Militar, tenente-coronel Claudia Moraes, abordou uma questão que várias mulheres se deparam ao longo da vida. Segundo ela, muitas passam pelo dilema de ter que abrir mão da maternidade para poder seguir na carreira profissional, citando o seu próprio exemplo de não ter sido mãe mais jovem. “Não podemos ser prejudicadas por querer ter filhos”, afirmou.
A oficial da PM defendeu que mais mulheres assumam postos de comando na corporação, pois “o olhar feminino modifica o local de trabalho”. Atualmente, dos 39 Batalhões de Polícia Militar (BPM) espalhados pelo estado, cinco são comandados por mulheres.
“Temos sempre que preparar o espaço para outras mulheres que virão posteriormente”, aconselhou.
Seguindo a determinação de adotar políticas públicas voltadas às mulheres, o secretário de Estado de Planejamento e Gestão, Adilson Maciel, lembrou que pela primeira vez o estado tem orçamento com este intuito. Maciel destacou ainda que ano passado o Governo do Estado adotou medidas de proteção às mulheres e que também garantem a empregabilidade feminina.
Inauguração de sala de amamentação
Após a abertura do seminário, houve a inauguração de mais uma Sala de Apoio à Mulher Trabalhadora que Amamenta. A iniciativa é fruto de parceria entre as secretarias de Estado da Mulher, Planejamento e Saúde, dedicada às servidoras lactantes das secretarias instaladas no Edifício Estácio de Sá, no Centro do Rio.
Participaram da abertura oficial do espaço a primeira-dama Analine Castro; as secretarias de Estado de Saúde, Claudia Mello, e da Mulher, Heloísa Aguiar; e o secretário de Estado de Planejamento e Gestão, Adilson Maciel.