Serviço especializado é feito com sedação e já atendeu mais de 200 pacientes
Crianças e adolescentes, com idade entre 2 anos e 17 anos, ganharam, no Hospital Estadual Getúlio Vargas, um novo serviço para acompanhamento do Transtorno do Espectro Autista (TEA). O local conta com atividades lúdicas para pacientes da enfermaria pediátrica que precisam fazer exame de eletroencefalograma com sedação. Mais de 200 pequenos pacientes já foram atendidos pelo serviço.
O espaço, especialmente elaborado para as necessidades dos pacientes, possui brinquedos voltados para a interação. As paredes foram decoradas com estampas, que privilegiam as formas, e o ambiente possui um grande tubo de bolhas sensorial, que muda de cor e emite sons, estimulando a percepção. Todo o atendimento é acompanhado por psicólogos do hospital. O ambiente também possui poltronas para os responsáveis descansarem, enquanto aguardam o atendimento.
“A assistência especializada a pessoas com Transtorno do Espectro Autista é um compromisso da Secretaria. Em 2024, inauguramos o primeiro Centro Estadual para o Autista, na Gávea, com capacidade para realizar até 100 atendimentos por semana. Com a realização das obras de modernização do HEGV, nos seus 86 anos de atividade, implantamos o Espaço de Acolhimento TEA, com assistência especializada e humanizada”, ressalta a secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello.
O atendimento aos pacientes, que acontece de segunda a sexta, das 8h às 16h, conta com dois ambientes: uma sala de espera voltada para as crianças e os adolescentes e outra para realizar o exame de eletroencefalograma. As crianças e os adolescentes contam com apoio de pediatras, enfermeiros, psicólogos, neurologistas, nutricionistas, anestesistas e técnicos de eletroencefalograma. A realização do exame é feito via Sistema Estadual de Regulação (SER).
Mãe se encanta com espaço lúdico feito para atender crianças no hospital
Brenda Cristina Vale, de 26 anos, e Suelen Alves, de 40 anos, são moradores de Realengo e se tornaram amigas na Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR), durante o tratamento de seus filhos – respectivamente Giovana, de três anos, e Davi, de dois. Por uma coincidência, ambas tiveram o exame de eletroencefalografia de seus filhos marcados no Hospital Estadual Getúlio Vargas no mesmo dia.
“Isso facilitou ainda mais esse processo de preparação do exame, já que eles se conhecem e brincam um com o outro”, disse Brenda, cuja filha também tem acompanhamento no Hospital Universitário Pedro Ernesto.
Suelen estava esperando ansiosamente pela realização do exame de seu filho, que ao nascer, tinha constantes convulsões. Ela também disse estar apaixonada pelo local de acolhimento dos pacientes.
“Fiquei um pouco apreensiva, devido ao histórico dele, mas ao conhecer o local tudo passou. As crianças se envolvem com os brinquedos e com o cenário encantador. Estava preocupada com o tempo de espera, pois Davi se irrita com muita facilidade, principalmente quando está com fome. E o exame foi feito em jejum”, concluiu Suelen.
Especialista explica a importância do eletroencefalograma para o autista
Amanda Trevisani, coordenadora médica do CTI Pediátrico do Hospital Estadual Getúlio Vargas, destaca a importância da realização do exame de eletroencefalograma no diagnóstico preciso do nível de transtorno do paciente.
“O exame é essencial para avaliar os padrões de funcionamento dos neurônios das crianças e dos adolescentes com TEA e, assim, ajudar no fornecimento de informações do seu grau de transtorno, como um possível quadro de epilepsia, por exemplo. Logo depois do exame, o paciente aguarda, em outra enfermaria, o efeito da sedação para que aconteça a avaliação do médico responsável”, explica Trevisani.
OMS avalia que 1% da população mundial tenha TEA
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 1% da população mundial esteja dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Só no Brasil são cerca de 2 milhões de autistas. No Estado do Rio de Janeiro, a projeção é de 160 mil pessoas vivendo com autismo, uma condição cuja incidência vem aumentando nos últimos anos. A pessoa com TEA possui dificuldade para interagir socialmente, manter o contato visual, de comunicação e compreender gestos.