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Instituto Estadual São Sebastião começa a atender gestantes com dengue no RJ
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Unidade especializada, que conta com 27 leitos, recebeu grávida transferida de São Pedro da Aldeia

O Instituto Estadual de Infectologia São Sebastião (IEISS) é a unidade de referência para gestantes diagnosticadas com dengue no estado do Rio de Janeiro. A unidade, que é especializada para doenças infectoparasitárias, recebeu esta semana uma paciente transferida do município de São Pedro da Aldeia. Em 2024, o hospital cuidou de 24 gestantes com a doença e 5 puérperas, mulheres que tiveram bebê em até 45 dias. De acordo com o Painel Monitora RJ, da Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ), em 2025, o estado registrou 6.328 casos prováveis da doença, com 344 internações e 3 óbitos.

“Com a pandemia de Covid-19, o IEISS incorporou a nova missão de tratar gestantes e puérperas graves. Em 2024, criamos o protocolo de atenção integrada para cuidar das pacientes com dengue com sinais de alarme e grave, com transferência imediata para o São Sebastião. Aqui, oferecemos cuidado obstétrico, infectológico e neonatal, quando necessário. Com esse acolhimento especial, em 2024, o instituto não registrou nenhum óbito em gestantes e puérperas com dengue”, destaca o infectologista do IEISS, Rafael Galliez.

Com 14 semanas de gestação, a paciente Cristina Pages chegou à unidade no sábado (15/02), por meio do Sistema Estadual de Regulação e foi imediatamente levada para o CTI, onde foi avaliada pelo médico intensivista, em conjunto com o obstetra. Ela apresentava febre de 38 graus e plaquetopenia, que é  baixo nível de plaqueta no sangue. Ela foi submetida a exames e apresenta quadro de saúde estável.

“Tive os sintomas clássicos de dengue, que são febre intensa, dor no corpo, de cabeça e atrás dos olhos. Depois, comecei a sentir fortes contrações no abdômen. Então, os médicos me transferiram da maternidade para este hospital. Minhas plaquetas chegaram a 28 mil e depois do tratamento elas já começaram a subir ”, explicou Cristina Pages.

 

 Instituto pode converter até 27 leitos para atendimento especializado à dengue

Para acolher as gestantes, o Instituto de Infectologia, que funciona em parceria no Hospital Federal dos Servidores do Estado, dispõe de 27 leitos, sendo 17 de CTI (adulto e neonatal) e 10 de enfermarias, que serão convertidos para o atendimento às gestantes conforme a demanda. A unidade está equipada com videolaringoscópio (equipamento que ajuda na intubação dos pacientes), ventilador mecânico e desfibrilador para dar todo suporte ao paciente.

A dengue pode provocar diversas complicações durante a gravidez. Entre eles estão, o sangramento, o parto prematuro, a morte fetal e materna, a elevação da pressão arterial e a desidratação. Já o bebê tem maior risco de nascer com doenças neurológicas, especialmente se a contaminação ocorrer no primeiro trimestre da gestação. Os sintomas da dengue em gestantes, em geral, são semelhantes aos da população.

A coordenadora do CTI do Instituto, Ana Luíza Oliveira, orienta que em caso de suspeita de dengue, a grávida deve procurar uma unidade de saúde imediatamente. Além disso, todas as etapas do pré-natal devem ser concluídas.

“É fundamental que a gestante faça o pré-natal com regularidade para que o médico possa acompanhar a sua saúde e a do bebê. Ter uma alimentação saudável, praticar atividade física e evitar o consumo de bebidas alcoólicas são ações importantes. Como medida preventiva indico o uso de repelentes, vestir roupas compridas e eliminar os criadouros do mosquito nas residências. A dengue é uma doença grave, mas é possível reduzir o risco de complicações”, recomenda a médica.