Ações de prevenção são incluídas no plano de contingência para remoção antecipada de populações vulneráveis de áreas de risco
Um dos destaques da Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) no evento “Saúde – Inovação e Inteligência Artificial Aplicada na Saúde”, que termina nesta quinta-feira (26/09) na Casa G 20, em Ipanema, foi o painel que apresentou o projeto piloto desenvolvido em Teresópolis como case em que a tecnologia e a Atenção Primária à Saúde são aliadas para a gestão de riscos de desastres.
Com o tema “O papel da Atenção Primária à Saúde na gestão dos riscos de desastres”, o painel, mediado pela secretária de Estado de Saúde, Cláudia Mello, contou com a presença maciça na plateia dos Agentes Comunitários de Saúde de Teresópolis. Os profissionais, que atuam na atenção primária do município, tiveram papel fundamental e protagonismo na simulação de remoção antecipada da população vulnerável (idosos, pessoas obesas, com dificuldade de mobilidade, deficientes físicos, auditivos e visuais), realizada no início deste mês na comunidade Pimentel, uma das áreas de risco de desastres geológicos da cidade da Região Serrana.
A iniciativa é uma ação de inclusão do pilar prevenção no Plano de Contingência da secretaria para a gestão de riscos de desastres provocados por chuvas intensas.
“As mudanças climáticas são um dos eixos que serão discutidos em algumas semanas pelas grandes potências que participarão do encontro do G20 no Rio de Janeiro. A Secretaria de Saúde tem um plano de contingência que estava mais focado nas ações depois das tragédias. Estamos introduzindo uma grande inovação esse ano, que é o pilar da prevenção, investindo na gestão antecipada dos riscos como um grande diferencial, trazendo a atenção primária para atuar junto com a área de dados da SES, reconhecendo e mapeando para proteger as populações mais vulneráveis das áreas de maior risco”, explicou Cláudia Mello.
O painel contou com a participação do assessor especial da SES, Sérgio Simões; da superintendente de Atenção Primária à Saúde, Halene Armada; da superintendente de Emergência em Saúde Pública, Silvia Carvalho; da secretária de Saúde de Teresópolis, Clarissa Guita e do secretário de Defesa Civil de Teresópolis, coronel Albert Luci de Andrade.
O projeto piloto foi desenvolvido pela SES em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde e a Defesa Civil de Teresópolis. Sérgio Simões mostrou todo o processo de desenvolvimento da ação, até a data da simulação. Setenta agentes comunitários receberam treinamento. No dia da remoção, cinco moradores da comunidade foram resgatados de suas casas.
"O Agente Comunitário de Saúde é um dos principais agentes públicos na promoção de mudanças de comportamento para o enfrentamento de eventos climáticos severos. Ele tem credibilidade e legitimidade no território em que atua e, por isso, exerce protagonismo na orientação sobre a percepção dos riscos que afetam as famílias de sua área de atuação. Hoje temos a tecnologia, que nos permite antever as situações de alertas de criticidade para eventos climáticos. Nosso objetivo é levar esse trabalho de prevenção para outros municípios que possuem áreas de risco de desastres”, disse o assessor especial Sérgio Simões.
A superintendente de Atenção Primária à Saúde da SES, Halene Armada, apresentou as ações da saúde estadual junto aos municípios e ressaltou a importância do trabalho de prevenção a desastres. “É importante destacar a parceria com os municípios. Os agentes comunitários são os protagonistas desse processo”, afirmou.
VIG Desastres monitora riscos 24 horas por dia
No painel, também foi apresentado o trabalho desenvolvido pelo Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (CIEVS), que usa a tecnologia para e coleta de dados de satélites, de radares meteorológicos e da Defesa Civil dos município para emitir alertas de desastres às cidades antes que aconteçam para que ações de contingência e respostas mais rápidas possam ser implementadas pelos gestores e a atenção primária municipal. O setor alimenta a plataforma VIG Desastres, que faz o monitoramento de risco 24 horas por dia.
Durante o treinamento em Teresópolis foram exercitadas a capacidade de interlocução do CIEVS com a Secretaria Municipal de Saúde na fase de monitoramento e alerta, além da liderança dos agentes comunitários para a adoção de protocolos de desocupação de áreas de risco geológico em tempo hábil e de forma coordenada antes da ocorrência de uma situação adversa.
“Trabalhamos planos de contingência junto aos municípios e elaboramos alertas para as secretarias de saúde municipais, porque a saúde tem um papel importante na prevenção e também na resposta aos eventos adversos. Trabalhamos com os 92 municípios. A integração na ponta faz diferença em situações de desastres”, destacou a superintendente de Emergência em Saúde Pública da SES, Silvia Carvalho.
Clarissa Guitta, secretária de Saúde de Teresópolis, enfatizou a importância da participação da Atenção Primária no planejamento das contingências e elogiou o comprometimento de cada um dos seus profissionais de saúde, todos sensibilizados por integrarem essa rede de ações preventivas contra os efeitos das chuvas fortes nas comunidades de risco geológico.