Durante solenidade no Inca, diretora do IETAP enfatizou a importância da campanha 'Vape é Jogo Sujo'
“Tabagismo – os danos para a gestação e o bebê” é o tema deste ano da campanha do Dia Nacional de Combate ao Fumo. A data foi lembrada, nesta quinta-feira (29/08), durante solenidade no auditório do Inca (Instituto Nacional do Câncer). Representando a secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello, a diretora do Instituto Estadual de Doenças do Tórax Ary Parreiras (IETAP), Eliene Denites Duarte Mesquita, enfatizou a importância da data para alertar sobre os malefícios do consumo do tabaco.
“Destaco aqui a importância deste evento neste Dia Nacional de Combate ao Fumo, especialmente o tema deste ano, porque isso nos traz a reflexão dos riscos que o tabagismo causa na sociedade como um todo. A SES-RJ mantém o foco na luta contra o tabagismo, ampliando a sua abrangência. Lançamos a campanha “Vape é Jogo Sujo”, que tem como foco os dispositivos eletrônicos. Em nossos pontos de coleta, é possível fazer o descarte do cigarro eletrônico, que será posteriormente transformado em uma escultura, com o objetivo de educar jovens e adultos. Essa iniciativa da SES-RJ vem corroborar com a necessidade de luta contra o tabagismo, além de ampliar a busca pela eliminação do vape”, enfatizou Eliene.
Lançada na semana passada, a campanha “Vape é Jogo Sujo” faz um alerta sobre as consequências do uso do cigarro eletrônico, que podem ser ainda mais graves do que as do cigarro tradicional. Até o fim deste mês, pontos de descarte dos dispositivos estarão na estação de trem da SuperVia, na Central do Brasil; e no MetrôRio, nas estações Botafogo e Cinelândia, na cidade do Rio. O objetivo da ação é promover o debate sobre o tema e esclarecer dúvidas sobre os malefícios causados pelos dispositivos. Uma pesquisa divulgada pelo Inca destaca que o uso do aparelho aumenta em mais de três vez o risco de experimentação de cigarros convencionais.
Presente ao evento, o diretor-geral do Inca, Roberto Gil, salientou os objetivos da campanha deste ano, com foco nas gestantes e em seus bebês. “A data de hoje reforça a nossa necessidade de enfrentamento ao tabagismo. Estamos falando de um produto que causa malefícios antes do nascimento. Precisamos eliminá-lo de qualquer maneira, porque a única estratégia que a indústria ainda tem é a perpetuação da dependência da nicotina”, alertou o diretor.
A campanha deste ano, que tem abrangência nacional, visa alertar a população brasileira para os malefícios do consumo do tabaco – especialmente durante a gravidez –, o que pode causar parto prematuro, malformações congênitas, baixo peso e síndrome da morte súbita no recém-nascido, além de favorecer a assimilação de um hábito nocivo pelas próximas gerações.
Em 2013, o número de mulheres grávidas que fumavam no Brasil representava a metade das não grávidas fumantes (9,6% contra 4,7%). Em 2019, porém, o número de grávidas fumantes era levemente superior ao das não grávidas (8,4% contra 8,5%). Em termos absolutos, havia 70 mil fumantes durante a gravidez em 2013; mas, em 2019 esse número chegou a 120 mil. Metade das fumantes são de baixa renda, pouca escolaridade e jovens (18 a 24 anos).
Os dados constam do estudo "Prevalência do tabagismo materno no Brasil em 2013 e 2019: não é o que esperávamos quando elas esperavam!" divulgado durante a cerimônia. O estudo foi conduzido por pesquisadores do INCA e da Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health, dos EUA. Um dos autores do artigo, o pesquisador André Szklo, que integra a Divisão de Controle do Tabagismo e outros Fatores de Risco do INCA, apresentou os dados aos presentes.
A fumaça do tabaco contém mais de 7 mil compostos e substâncias químicas e estudos indicam que, no mínimo, 69 delas provocam câncer. A importância do tema escolhido está em assegurar o direito à saúde de crianças, adolescentes, jovens, mulheres e gestantes, assim como da população em geral, em consonância com o compromisso que o Brasil assumiu ao ratificar a Convenção-Quadro da Organização Mundial de Saúde (OMS) para o Controle do Tabaco.
A mesa de abertura do evento reuniu a coordenadora de Prevenção e Vigilância do Inca, Márcia Sarpa; o diretor do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente do Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), Antônio Flávio Vitarelli Meirelles; a secretária executiva da Comissão Nacional para implementação da Convenção-Quadro sobre o controle do uso do tabaco e seus protocolos, Vera Luiza da Costa e Silva; a chefe da divisão de Controle do Tabagismo e outros fatores de risco do Inca, Maria José Giongo; e da médica pneumologista do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescentes do IFF, Patrícia Barreto e da especialista da Divisão de Controle do Tabagismo e outros fatores de risco do Inca, Vera Borges.