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Seminário Estadual de Doenças Neglicenciadas: hanseníanse e tuberculose reúne mais de 100 pessoas
 Seminário Estadual de Doenças Neglicenciadas: hanseníanse e tuberculose reúne mais de 100 pessoas

Especialistas debatem e propõem soluções

 

Para propor estratégias de enfrentamento da hanseníase e da tuberculose, o Conselho Estadual de Saúde da SES-RJ realizou, no dia 29 de novembro, o primeiro seminário estadual voltado para o debate dessas doenças, consideradas negligenciadas, no auditório do NEMS, na sede da secretaria, que contou com mais de 100 pessoas.

Na abertura do evento, estiveram presentes a presidente do Conselho Estadual de Saúde e a Comissão de Educação Permanente, Zaira Costa, o representante do Fórum de Tuberculose do Estado do Rio de Janeiro, Roberto Pereira, Sylvia Helena, representante do Mohran, e a representante da SVS da SES-RJ, Rita Vassoler.

O objetivo foi reunir atores envolvidos na perspectiva de construção de ações integradas, tais como: a criação de uma agenda, a identificação e a integração de espaços decisórios nesse cenário, além de sensibilizar os conselheiros de saúde para uma atuação conjunta com os gestores dos programas municipais de saúde pública.

A sanitarista Roberta Gondim, da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, proferiu a palestra magna: “Doenças, corpos e sujeitas (os) neglicenciadas (os); constrangimentos globais e desafios locais”. Para ela, em um cenário onde há forte presença de doenças bem conhecidas da humanidade, que acometem populações mais vulneráveis no país, são necessários refletir e discutir sobre algumas dinâmicas para alinhar estratégias de ação.

Hanseníase
Doença infecciosa e crônica, que ataca principalmente a pele e os nervos, podendo levar à incapacidade física, a hanseníase volta a preocupar.
Segundo André Luiz da Silva, gerente de hanseníase da SVS da SES-RJ, o diagnóstico da hanseníase pode ser feito nos postos de saúde em todo o estado. A doença é endêmica no Brasil e de notificação compulsória. É considerado um grave problema de saúde pública. “Entre os principais sintomas estão o aparecimento de manchas claras ou avermelhadas nos braços e pernas, formigamento, perda de sensibilidade nessas regiões e o surgimento de caroços pelo corpo” afirma.
André Luiz acrescenta que o tratamento da doença é realizado de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e pode durar entre seis meses e um ano. “É muito importante que todas as pessoas que moram no mesmo domicílio do paciente, também seja avaliadas pelos serviços de saúde. Só assim a cadeia de transmissão da doença é interrompida”.

Roda Hans
A SES-RJ, em parceria com o Ministério da Saúde, realizou o Projeto Roda-Hans, em 5 de agosto passado, no Rio de Janeiro, em referência ao Dia Estadual de Conscientização, Mobilização e Combate à Hanseníase. Pela primeira vez no estado, a ação realizou diversas estratégias de atuação: uma carreta com consultórios percorreu, por dois meses, 19 municípios para conscientizar a população sobre a hanseníase. Ao todo, foram 2.793 consultas dermatológicas, com 60 casos diagnosticados, sendo em 53 adultos e sete em menores de 15 anos.

Tuberculose
De acordo com Ana Alice Teixeira P. Bevilaqua, coordenadora de Tuberculose da SES-RJ, a doença é preocupante. O Brasil é um dos 30 países, priorizados pela OMS, que concentram 87% da carga mundial de tuberculose. Em 2017, foram notificados 73 mil casos, com incidência de 34,8 casos/100 mil habitantes.
A tuberculose é uma doença infectocontagiosa, causada pelo bacilo de Koch e que afeta principalmente os pulmões, podendo também ocorrer em outros órgãos como ossos, rins e meninges, membrana que protege o sistema nervoso central. A transmissão é feita via respiratória e acomete principalmente as populações mais pobres, que vivem ou trabalham em condições inadequadas, em locais sem ventilação, que permita a circulação do ar, sem exposição ao sol e com muitas pessoas aglomeradas, o que facilita a transmissão.