Conheça as boas práticas em saúde mental de Maricá, Conceição de Macabu e Quissamã
Os municípios fluminenses vêm desenvolvendo uma série de iniciativas em resposta aos desafios impostos pela Covid-19. Maricá, por exemplo, tem demonstrado sucesso na desinstitucionalização de pacientes internados em longa duração em hospitais psiquiátricos e na implementação de Residências Terapêuticas, mesmo diante das dificuldades relacionadas ao isolamento social e outras medidas para evitar a propagação do coronavírus. Conceição de Macabu, por sua vez, se destaca pelo cuidado aos usuários com quadros graves e pelo suporte emocional oferecido à população por meio de um canal de atendimento telefônico que funciona todos os dias, em esquema de plantão. Em Quissamã, a inovação vem na gestão da rede: a Secretaria Municipal de Saúde vem transferindo os leitos de saúde mental do Hospital Geral para o CAPS da cidade, uma experiência que pode e deve servir de exemplo para outros municípios que precisam de leitos para pacientes com Covid-19.
Desinstitucionalização em Maricá
Maricá concluiu o processo de desinstitucionalização de pacientes da Saúde Mental, cumprindo um dos maiores desafios da reforma psiquiátrica. Em abril, quatro usuários de longa permanência, internados há mais de dois anos em instituição psiquiátrica, saíram da Clínica Ego, que é objeto de ação civil pública para fechamento, a fim de recomeçar suas vidas em uma Residência Terapêutica. Depois, em maio, a residência terapêutica recebeu mais três pessoas que estavam internadas na Clínica Psiquiátrica Nossa Senhora das Vitórias, finalizando os processos de desinstitucionalização do município, que não tem mais pacientes de longa permanência em instituição psiquiátrica.
“Essa ação segue as orientações da ‘Nota técnica sobre cuidado para usuários de saúde mental internados em hospitais psiquiátricos durante o período da pandemia de Covid-19’, publicada pela SES-RJ. Com isso, conseguimos reduzir o número de indivíduos em instituições psiquiátricas, diminuir a circulação de pessoas e evitar aglomerações. Isso só foi possível com o apoio da secretária de Saúde do município, Simone Costa, e o trabalho conjunto da coordenação e dos serviços de saúde mental do município”, conta Edna Francisco, coordenadora de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde de Maricá.
A cidade conta com um CAPS II, um CAPS AD II e um CAPS Infantil. “As equipes desses centros utilizam estratégias e recursos para lidar com situações de crise, realizando acolhimento, avaliação e cuidado intensivo. Preocupam-se com a reinserção e a reabilitação psicossocial dos usuários, realizam busca ativa, oferecem suporte à família, assim como ações intersetoriais no território e com a atenção primária. Nesse momento de pandemia, os CAPS seguem abertos, atendendo prioritariamente aos casos de crise. As oficinas e grupos terapêuticos foram suspensas, mas as equipes continuam realizando o cuidado individual e o acompanhamento dos usuários através de visitas domiciliares e por telefone”, relata Edna.
Suporte emocional à população de Conceição de Macabu
O município da Região Norte Fluminense iniciou, em 23 de março, uma ação de suporte emocional à população durante a pandemia. A administração estabeleceu um canal de comunicação por telefone para que as pessoas possam entrar em contato com psicólogos e assistentes sociais do CAPS e do Ambulatório de Saúde Mental do município. “A equipe, formada por sete psicólogas e uma assistente social, funciona em esquema de plantão, todos os dias, inclusive nos fins de semana, acolhendo as demandas relacionadas ao sofrimento psíquico”, conta Karla Andrade Vecci, coordenadora de Saúde Mental de Conceição de Macabu.
Conceição de Macabu conta com um CAPS I, um Ambulatório de Saúde Mental, leito psiquiátrico em Hospital Geral e em Unidade Básica de Saúde. Acolhimentos às situações de crise são feitos pela equipe do CAPS. Os casos com sintomas de Covid-19, ou de contato com pessoas com contágio confirmado, estão sendo acolhidos no Centro de Referência, que funciona 24 horas. “Temos um cuidado especial com os pacientes graves e crônicos, que já estavam em acompanhamento antes da pandemia. Para não interromper a assistência e garantir que todos fiquem em casa, a equipe tem feito visitas domiciliares, incluindo a dispensação de medicação e a entrega de refeições diárias para as pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica”, ressalta Karla.
Quissamã: organização da rede
O município de Quissamã, localizado na região Norte do estado, também tem desenvolvido medidas importantes no cuidado da Saúde Mental durante a pandemia. Diante da demanda por leitos hospitalares para o tratamento de Covid-19 no Hospital Geral da cidade, a equipe de saúde do município reorganizou o seu funcionamento, deslocando os leitos de saúde mental do Hospital Geral para o CAPS I, juntamente com a equipe hospitalar de referência, de forma a melhor atender aos casos psiquiátricos emergenciais. “Os usuários estão estáveis e ainda não foi necessária a utilização dos leitos. Mas, se for preciso, estamos com a estrutura montada no CAPS I”, afirma Danilo Melchiades, coordenador da Saúde Mental de Quissamã.
E, para reduzir a exposição dos usuários ao risco de contaminação por Covid-19, a equipe do CAPS I acompanha os casos por meio de ligações telefônicas diárias ou visitas domiciliares. Além de dispensar medicamentos, oferece alimentação diária aos socialmente vulneráveis e realiza ações de matriciamento, com 100% de cobertura de Equipes de Saúde da Família, junto aos territórios. “Assim conseguimos acompanhar os casos graves de forma articulada com a Atenção Primária”, aponta Melchiades.