Aumento da demanda de psicologia das maternidades na pandemia de COVID-19 foi discutido em webinar
Nesta terça-feira, 14, o Grupo de Trabalho (GT) em Saúde Mental Perinatal da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES) promoveu uma reunião virtual para compartilhar conhecimentos e experiências sobre a psicologia perinatal e como ela poderia contribuir para a saúde mental das gestantes e puérperas durante a pandemia de COVID-19. O encontro, que foi aberto à participação de profissionais de saúde de todas as esferas, apresentou dados de pesquisa feita com gestores e profissionais de saúde de maternidades estaduais e municipais.
O evento foi iniciado pela superintendente da Atenção Primária à Saúde da SES, Thaís Severino, que compartilhou seu apreço pela discussão do tema. “Os desafios são colocados para a mulher desde que ela nasce. O momento da gravidez é delicado, e a gente precisa de um espaço bem pensado, com cuidado”, disse Thaís. A superintendente, então, passou a fala para a coordenadora da área técnica de Saúde da Mulher, Leila Adesse, que levantou a importância de um Grupo de Trabalho específico para “apoiar tecnicamente a assistência interdisciplinar envolvida no perinatal e promover a saúde sob uma perspectiva mais ampla”.
Após a abertura da reunião, sob a condução da psicóloga Márcia Velasco, a discussão tratou objetivamente sobre as mudanças que mãe, filho e rede de apoio envolvida na maternidade enfrentam com os protocolos de prevenção ao coronavírus. Segundo a exposição da psicóloga Eloisa Zen, a impossibilidade de confraternização e aproveitamento em família da gestação, medo de adoecer e afastamento compulsório entre mãe e filho depois do parto são motivos de ansiedade por parte das mulheres que estão gestando durante a pandemia.
Pesquisa envolveu mais de 50 maternidades em todo o estado
A psicóloga e coordenadora da seção da região Metropolitana I do GT, Márcia Baldisserotto, deu prosseguimento à reunião, expondo os resultados preliminares da pesquisa sobre a estrutura e cenário da saúde mental perinatal do território estadual. O estudo consiste de formulários distribuídos para gestores e profissionais de saúde de maternidades estaduais e municipais e é dividido em etapas. Com a participação de 40 gestores e 17 profissionais na primeira rodada e, respectivamente, 54 e 21 na segunda rodada, o GT levantou os êxitos e necessidades relacionadas à saúde mental no estado.
A pesquisa levantou que 58,5% das maternidades no estado possui setor específico que atende à saúde mental das pacientes. Entretanto, boa parte dos 41,5% que não possuem, contam com profissionais como psicólogos e assistentes sociais voltados para esta função. Também foi observado um aumento da demanda das equipes de saúde mental, com 66% dos profissionais de saúde relatando diagnosticar aumento de sintomas de angústia/ansiedade e medo nas gestantes e/ou puérperas que atendem.
Refletindo sobre as respostas ao estudo, a psicóloga e responsável pela área técnica de Saúde Sexual e Reprodutiva da SES-RJ, Ana Roberta Pires, concluiu que as preocupações, que sempre foram parte do processo de gravidez, se acentuaram durante a pandemia não só no Rio de Janeiro, mas no mundo. “A gente quer, enquanto GT, oferecer um produto concreto de apoio aos municípios e regiões de saúde. Vamos trabalhar no tripé capacitação, acolhimento dos profissionais e acolhimento das usuárias com uma agenda de trabalho em conjunto e oficinas de capacitação”, propôs Ana.