Reunião buscou orientar os conselheiros empossados em 2020 sobre como agir no cuidado de usuários de álcool e drogas
Em uma iniciativa para a capacitação de conselheiros tutelares do estado do Rio, a Subsecretaria de Prevenção à Dependência Química da Secretaria de Estado de Saúde (SEPREDEQ) promoveu uma reunião on-line com esses profissionais. O Encontro Regional Sobre Rede de Atenção da Área de Álcool e Outras Drogas, realizado nesta quarta-feira (12/08), buscou informar os conselheiros empossados em janeiro de 2020 sobre os sintomas e riscos da dependência química e orientar ações de atendimento e cuidado para pacientes e suas famílias.
O subsecretário da SEPREDEQ, Marcelo Gomes, destacou a importância do encontro para produzir multiplicadores sociais nos atendimentos do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e do SUS: “Entendemos que o conselho tutelar tem a finalidade institucional de zelar pelos diretos das crianças e adolescentes e, para tanto, deve ter à disposição todos os recursos disponíveis”.
Foram debatidas as características gerais do uso, abuso e dependência química e as formas de tratamento da doença. Entre os indícios de um quadro de dependência, estão uso compulsivo ou fissura, síndrome de abstinência (efeito do uso prolongado da droga no organismo), a incapacidade de controlar o uso e a troca de interesses pessoais pelo consumo. A psicóloga da SEPREDEQ, Paula Esposel, ressaltou que a recaída é um processo normal do tratamento – 70% dos usuários recaem nos três primeiros meses – e que a motivação é fundamental para o tratamento. “Se o problema fosse apenas a dependência, bastaria o processo de desintoxicação. Sabemos que não só isso, a disposição do paciente pela mudança é essencial para o tratamento”, afirmou Paula Esposel.
Os profissionais também foram informados sobre os impactos da pandemia de Covid-19 no uso de álcool e drogas entre os fluminenses. Segundo pesquisa da Fiocruz de 2020 apresentada durante a reunião, 18% das pessoas relataram aumento no consumo de álcool. Dessas, 24% afirmaram se sentir tristes ou deprimidas sempre e 22,5% muitas vezes. “A previsão é de um aumento do uso de drogas não só por conta da dificuldade da pandemia, mas pela crise econômica, segundo relatório da ONU”, frisou Paula. O diálogo familiar, envolvimento escolar e comunitário e o fortalecimento e desenvolvimento de habilidades pessoais e sociais, foram apresentados aos conselheiros como fatores de proteção importantes na prevenção do consumo entre adolescentes.
Para a assistente social da SEPREDEQ, Ane Bartholomeu, os conselhos tutelares devem atuar em articulação com outros serviços da rede SUS e SUAS para ofertar o cuidado intersetorial necessário aos casos que envolvam álcool e outras drogas: “O conselho tutelar tem um papel importantíssimo no atendimento, podendo setorizar essas demandas em Assistência Social, Saúde, Educação e Trabalho”.
Ane apresentou aos conselheiros os principais sistemas de assistência social (SUAS), saúde (SUS) e política nacional sobre drogas (SISNAD) e frisou a relação dos conselhos com o tratamento dos pacientes em seus territórios próprios: “O SUS conta com a Rede de Atenção Psicossocial, que cria pontos de atenção locais à saúde para pessoas com necessidades decorrentes do uso de álcool e drogas. O objetivo é atender o paciente dentro do seu território, já que é ali que estão todos os laços sociais dele com sua casa e família”.