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Existir, resistir e insistir para serem notadas e respeitadas
Existir, resistir e insistir para serem notadas e respeitadas

No mês da Visibilidade Lésbica, a SES-RJ destaca cuidados específicos que integram o Plano Estadual de Saúde para 2021

 

Incorporado recentemente ao calendário do movimento LGBTQIA+, o Mês da Visibilidade Lésbica é marcado por duas datas mobilizadoras. O Dia do Orgulho Lésbico, 19 de agosto, lembra a primeira grande manifestação de mulheres lésbicas no Brasil, no Ferro's Bar (SP), em 1983, em resposta a agressões lesbofóbica. E o Dia da Visibilidade Lésbica, 29 de agosto, chega ao seu 14º ano, em referência ao primeiro Seminário Nacional de Lésbicas (Senale), realizado em 1996. O mês de agosto, assim, fomenta a sociedade a discutir, refletir e propor ações e políticas públicas para diminuir o preconceito e promover direitos, dignidade, a livre expressão das sexualidades e a diversidade de orientação sexual e identidade de gênero.

“O Mês da Visibilidade Lésbica é muito importante para tornar visível essa parte da nossa sociedade que é composta por mulheres que vivem afetivamente e se relacionam sexualmente com outras mulheres. Se as mulheres, em geral, já sofrem violências e enfrentam uma série de dificuldades e obstáculos, com as mulheres lésbicas, esses problemas tornam-se ainda maiores”, explica a psicóloga Daniela Murta, que atua na como apoiadora técnica na SAPV/SES-RJ. “As datas trazem à tona os direitos dessas mulheres, que são violados diariamente, como, por exemplo a questão da integralidade na atenção à saúde. Precisamos lançar luz às necessidades e cuidados específicos para o segmento”, completa. Daniela evidencia ainda a atenção à saúde sexual e cuidados coerentes com suas práticas e um atendimento que respeite como essas mulheres lidam com seus próprios corpos”.

Cristina Marques, psicóloga da área técnica de Saúde da Mulher da SES-RJ, detalha a atuação do Comitê de Saúde LGBTQIA+. “É nossa responsabilidade propor as políticas e ações para as mulheres lésbicas e bissexuais. Organizamos um grupo de trabalho, composto por psicóloga, médica e duas pessoas do movimento social, para pensar diretrizes específicas para essa população, que serão integradas ao Plano Estadual de Saúde Integral da População LGBTQIA+, que deve sair do papel no ano que vem”, conta.

Dentre as demandas de saúde específicas de mulheres lésbicas, a psicóloga sublinha duas questões relacionadas à saúde mental. “Promover a integralidade na prática dos serviços de saúde, nesses casos, significa olhar e respeitar as lésbicas como mulheres, independentemente de orientação sexual. Parece óbvio, mas em muitos contextos elas ainda são negligenciadas, principalmente quando procuram atendimento ginecológico. Outro ponto delicado diz respeito ao encaminhamento e acesso às terapias de reprodução assistida, que possam contemplar o desejo de casais de mulheres lésbicas para a realização da maternidade”, afirma Cristina.