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Centro de Convivência Virtual: Atenção Psicossocial a distância
Centro de Convivência Virtual: Atenção Psicossocial a distância

Lançada durante a pandemia de Covid-19, iniciativa promove oficinas on-line com usuários de serviços de saúde mental do estado do Rio de Janeiro

 

Um espaço de escuta, que fortalece o afeto entre usuários dos serviços de saúde mental do estado do Rio de Janeiro, seus familiares e os profissionais que ali atuam. Assim são os Centros de Convivência, que fazem parte da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e proporcionam acesso a saúde, cultura, cidadania e inclusão digital. Durante a pandemia de Covid-19, diante da necessidade de distanciamento físico, os profissionais da rede se mobilizaram para manter as trocas tão importantes que ocorrem nesses espaços e criaram a plataforma Centro de Convivência Virtual. No ar desde 20 de julho, o site oferece 23 atividades a distância, como rodas de conversa para mulheres trans, debates sobre racismo estrutural, reflexões sobre a política de drogas, oficinas de turbantes, tardes de contação de histórias, aulas de capoeira, grafite, arte circense, entre muitas outras. A participação é gratuita.

O coordenador de Atenção Psicossocial da Superintendência de Atenção Psicossocial e Populações Vulneráveis da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SAPV/SES-RJ), Daniel Elia, reconhece a importância da iniciativa. "Com o isolamento social, os encontros que antes eram presenciais passaram a ser virtuais. A troca ficou ainda mais rica e, além disso, foi possível ampliar o acesso a esses espaços, que são uma política pública estratégica para a promoção da atenção psicossocial no estado do Rio de Janeiro", avalia Daniel.


A coordenadora do projeto, a psicóloga Ariadna Patricia Alvarez, professora da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio da Fundação Oswaldo Cruz (EPSJV/Fiocruz), ressalta a importância da parceria com a SES-RJ para o sucesso do projeto. “Procuramos a SES-RJ, por meio da SAPV, buscando o apoio institucional para fazer a iniciativa chegar até quem de fato usa os espaços de atenção psicossocial do estado. Daqui para frente, vamos estreitar cada vez mais esses laços e trabalhar em conjunto para acessar o maior número de pessoas possível”, relata Patrícia.


O formato on-line segue os mesmos princípios praticados nos Centros de Convivência físicos. São nove unidades, localizadas em Niterói, Carmo, Macaé e na capital, em Realengo, Engenho de Dentro, Campo Grande, Taquara, e duas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Defendemos que as diferenças podem e devem ser sustentadas na comunidade, por isso, as atividades são realizadas em grupo e, originalmente, no território. Buscamos derrubar o estigma de que loucura é sinônimo de um indivíduo perigoso e/ou incapaz. E não usamos nenhum tipo de medicamento. Temos artistas, artesãos e tudo é aberto ao público, a quem desejar participar”, descreve Patrícia.


A psicóloga conta que, com os encontros remotos, os usuários dos serviços de saúde mental têm conseguido lidar com a pandemia de forma mais serena. “Já percebemos resultados muito positivos. Uma idosa de Macaé, que mora sozinha, encontra nas oficinas de música ministradas por nossa fonoaudióloga o espaço de interação social que a ajuda a afastar a sensação de solidão. Outra usuária, também idosa, inicialmente só assistia às oficinas de contação de histórias e, hoje, é uma das contadoras. Com as atividades, as pessoas passam a ganhar autonomia e, consequentemente, autoconfiança e autoestima”, revela.


Patrícia destaca que a ideia saiu do papel para tornar-se realidade a partir de edital da Fiocruz para o financiamento de produtos e ideias inovadoras para resposta ao novo coronavírus. “O projeto 'Centro de Convivência Virtual: promoção de saúde e redes de afeto em tempos de pandemia' foi um dos 47 aprovados, dentre os mais de 100 inscritos. A experiência comprova que é possível diminuir os danos do isolamento social para quem precisa dos serviços para a saúde mental. Agora, com o apoio de toda a RAPS, incluindo usuários, familiares trabalhadores, nosso objetivo é alcançar ainda mais pessoas”, conclui.


Para participar das atividades, basta se cadastrar gratuitamente no site e acessar a Agenda Conviver. Nela, é possível escolher as atividades de interesse e preencher o formulário de inscrição. Após alguns minutos, o usuário recebe uma mensagem de confirmação pelo WhatsApp, com o dia, horário e link da atividade.