Encontro virtual promovido pela SES-RJ discute dados que indicam avanço e subnotificação da doença
A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) promoveu nesta terça, 23/09, o segundo webinar do ciclo sobre temas relacionados à tuberculose, com apoio da Superintendência de Educação Permanente da SES-RJ.
Essa edição focou na tuberculose resistente, e teve coordenação e mediação da gerente de Tuberculose da SES-RJ, Patricia Moza. Segundo a psicóloga Regina Canedo, da Superintendência de Educação Permanente, os encontros virtuais vêm atender a necessidade de discussão e reflexão sobre dados relevantes nas áreas técnicas da Secretaria, junto aos profissionais das unidades de saúde.
"Em tempos de readaptação de nossas ações, essa modalidade tem permitido levar conhecimento e informações aos profissionais interessados", disse Regina.
Na primeira palestra do evento online, a médica Fernanda Dockhorn Costa, da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (SVS/MS), traçou o panorama da tuberculose resistente no Brasil, com destaque para a informação de que o Rio de Janeiro é o segundo estado que mais diagnostica a resistência às possibilidades de tratamento, seguido de São Paulo e Rio Grande do Sul.
Em seguida, o pneumologista Jorge Rocha, especialista em tuberculose do Centro de Referência Professor Hélio Fraga da Fundação Oswaldo Cruz (CRPHF/FIOCRUZ) e do Hospital Estadual Santa Maria (HESM), unidade de referência para internação em casos da doença, apresentou dados sobre a importância do diagnóstico e tratamento precoces.
"Ao longo dos anos, o número de casos de tuberculose resistente vem aumentando, mas é menos da metade dos casos estimados. Isso preocupa muito porque significa que um percentual considerável dos casos não está sendo diagnosticado e não está sob tratamento adequado", disse Rocha.
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O especialista destacou a importância do Manual de Recomendações Para o Controle da Tuberculose no Brasil, publicação do Ministério da Saúde, e o desenvolvimento de novos estudos e medicamentos para abordagens futuras mais efetivas contra a tuberculose sensível e resistente, que reduzam a mortalidade e transmissão de ambas as formas da doença. "Esquemas mais curtos, com drogas orais menos tóxicas, são nosso objetivo", ressaltou.
A palestrante seguinte foi a pediatra Rafaela Baroni, do Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG/UFRJ), que destacou a informação de que a tuberculose resistente afeta em torno de 30 mil crianças por ano e apresentou estudos de caso. No encerramento do encontro, a sanitarista Ana Carolina Souza Nóbrega apresentou uma análise de dados do Sistema de Informação de Tratamentos Especiais da Tuberculose (SITETB).
A previsão é que o próximo webinar do ciclo sobre tuberculose seja transmitido em outubro.