Monitoramento do câncer de mama e de colo de útero é visto como prioridade por profissionais de saúde
Como parte das atividades do Outubro Rosa, gestoras e profissionais de saúde da Área Técnica de Saúde da Mulher da Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) promoveram uma webinar para discutir a prevenção e o monitoramento dos cânceres de mama e de colo de útero no estado do Rio. O encontro virtual, realizado nesta quinta-feira (08/10), possibilitou o diálogo sobre as medidas disponíveis na rede pública de saúde para atender as mulheres e levantar dados sobre essas doenças entre a população fluminense.
A coordenadora de Saúde da Mulher da SES-RJ, Leila Adesse, ressaltou a importância do acesso aos exames para o diagnóstico dessas enfermidades. No caso do câncer de mama, ela considera que o autoexame da mama não é suficiente para a detecção precisa de nódulos no tecido mamário. Ressaltou a importância da mamografia de rastreamento, que deve ser realizada entre as mulheres entre 50 e 69 anos uma vez a cada dois anos, já que esta é a melhor maneira de identificar precocemente qualquer alteração nas mamas.
Sobre o câncer do colo do útero, afirmou a necessidade de ampliar o rastreamento. Para isto, uma das alternativas da SES-RJ foi lançar uma nota técnica, no início deste ano, orientando as equipes de enfermagem da Atenção Primária de Saúde nos municípios a coletarem exames citopatológicos das mulheres atendidas. “Nossa área técnica continua se empenhando para atualizar essas informações. Precisamos considerar a magnitude epidemiológica social causada pelo câncer e tornar mais qualitativa, por exemplo, as consultas de pré-natal, trabalhando para termos o rastreamento desses pacientes incluído em nossos dados”, afirmou Leila.
Para a técnica da Coordenação de Saúde da Mulher, Maria do Espírito Santo Tavares, os cânceres de mama e de colo de útero precisam fazer parte do debate sobre a relação da mulher consigo mesma. “Durante um tempo largo, trabalhamos com o autoexame para a detecção do câncer de mama. O que nós desejamos é um conhecimento muito maior sobre nosso próprio corpo”, frisou. Santinha lembra que o câncer de mama é o mais incidente no Brasil, e o colo de útero é o terceiro mais incidente, sendo que, para este último, é possível constatar um recorte de classe, cor e gênero. “O câncer de colo de útero, no momento em que é detectado, tem cura, mas ele é mais recorrente na mulher pobre e negra. Essa é uma questão a ser analisada para conhecermos algumas realidades sociais.”
A sanitarista e especialista em gestão da Superintendência de Atenção Especializada, Controle e Avaliação (SAECA) da SES-RJ, Paula Bortolon, destacou que as diretrizes do SUS para o controle dos dois tipos de câncer estão disponíveis online no site do Ministério da Saúde. “As especificidades do trajeto de uma mulher no cuidado do câncer já estão descritas nessas diretrizes, pautadas em estudos clínicos e científicos que comprovam os benefícios dessas técnicas.” Para ela, a rede estadual de saúde deve se concentrar no diagnóstico precoce e no tratamento oportuno e salientou o papel da Atenção Primária como primeira referência de cuidado da mulher. “É preciso pensar no reforço feito nos laços entre a Atenção Básica e Especializada. A ideia é que a mulher sempre retorne ao seu lugar de acolhimento inicial, e a Atenção Básica é quem vai estar próximo a ela em seu território e a orientará.”