Gestores frisaram a importância do envolvimento dos profissionais de saúde no tratamento dos usuários da Atenção Primária
A segurança do paciente e a humanização do cuidado foram pautas de um encontro virtual promovido pela Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) nesta sexta-feira (09/10). A webinar reuniu profissionais de saúde para debater sobre a integração entre as equipes de saúde e os pacientes na oferta do cuidado, para profissionais da rede estadual de saúde e das unidades de Atenção Básica, com ênfase na segurança do paciente.
Durante o encontro, foi destacada o papel central da Estratégia Saúde da Família (ESF) na promoção da qualidade de vida e na garantia de integralidade dos pacientes. Entre as principais atribuições da ESF apresentadas, estão conhecer a realidade socioeconômica e psicossocial das famílias que recorrem à Atenção Primária, identificar os problemas de saúde das populações atendidas e valorizar o vínculo, a responsabilização e a continuidade do tratamento.
A coordenadora da Coordenação Estratégica em Segurança do Paciente, Nadia Nascimento, lembrou da importância do Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP), implementado em 2013, para qualificar o cuidado em saúde em diferentes áreas de atenção, organização e gestão e ressaltou o papel do paciente e seu familiar no cuidado seguro. “Temos que saber o que limita uma pessoa a se envolver em seu próprio cuidado. Além do próprio paciente, outra perspectiva é a do profissional de saúde, que, muitas vezes, incide sobre ele diversos fatores que dificultam o envolvimento com quem ele está atendendo.”
Nadia ressaltou, que segundo pesquisa realizada na área de segurança da utilização dos medicamentos, pode haver cinco níveis de relações do paciente com seu tratamento, que vão desde a simples recepção das informações sobre os medicamentos, passando pelo envolvimento com a equipe multiprofissional na realização do cuidado até a integração com a equipe por se tornar um membro ativo dela. “Quando o paciente consegue participar, ele, no segundo momento, pode opinar sobre o que está feito com sua saúde. Ele poderá averiguar se o tratamento dele está sendo acompanhado e vai ele próprio monitorar o cuidado oferecido na unidade de saúde”, frisou a coordenadora.
Para aprimorar a gestão do cuidado e dos processos de trabalho no SUS, a enfermeira da Assessoria Técnica de Humanização, Carmen Andrea Souza, citou o papel da Política Nacional de Humanização para melhorar o acolhimento dos pacientes na rede pública de saúde. “O objetivo da política é modificar forma como o sistema acolhia, recebia e atendia os usuários. A política preconiza a corresponsabilização dos atores envolvidos na produção do cuidado, gestores, profissionais e usuários de saúde”, afirmou.
Carmen afirmou ser preciso pensar o acolhimento do paciente para além do espaço físico das unidades de Atenção Básica. “Acolhimento significa uma postura. É conseguir ouvir e entender o paciente. Às vezes, a necessidade dele está implícita nas ações que faz cotidianamente e não apenas no que é dito.” Para ela, a pandemia da Covid-19 serviu para fazer com que os profissionais de saúde considerassem mais os determinantes sociais que levam alguém a uma situação de vulnerabilidade. “Quando você vai conversar com o usuário da Atenção Primária, os fatores sociais do contexto dele precisam ser avaliados. Entender a vulnerabilidade está ligada ao sucesso do nosso trabalho.”